sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A NOIVA DO DRÁCULA - CAPÍTULO 7


A Noiva do Drácula


CAPÍTULO 7

Furioso. Ele estava furioso. David olha de canto de olho para seu tio mais velho. Não estava a fim de conversa.



- O que foi? - pergunta seco.
Ivan se ajeita na poltrona e o encara.
- Você parece mais nervoso do que o normal.
Normal?
David encara seu tio e se senta no sofá.
- Você fala como se eu ficasse nervoso o tempo todo.
Ivan ri.



- Mas você fica nervoso o tempo todo. Só que agora parece pior.
- Ah, é?
- É uma garota?
David se senta desconfortável e bufa.
- Ora, ora... Essa é a parte boa de ser um vampiro completo, não é? Ler mentes.
- Mas você também vai ler. Um dia.
- Você sabe que eu sou mestiço.
- Você tem sangue de vampiro, David. As coisas vão começar a acontecer com você pouco a pouco.
- Incluindo varar a madrugada, igual a vocês?
- Isso.
- E... beber sangue?
- Sim. Mas, quando isso acontecer, ficaremos de olho em você. Você sabe. Vampiros sabem se controlar...
- E mestiços, não. - David completa com secura na voz. - Sei a minha condição.
- Mas, quem é a garota?
- Você não conhece.
David não queria contar para os tios que estava completamente apaixonado por uma mulher que o desprezava.
- Traga-a aqui. - Ivan sugere.
David ri.
- Aqui? - ele resmunga. - Ela simplesmente não quer dar dois passos fora da empresa comigo. Vive me evitando, parece que tem medo de mim.
Ivan fica surpreso.
- Ora. Parece que você vai ter que conquistá-la aos poucos.
David olha para o tio. Não gostava de contar seus segredos para ninguém mas, por alguma razão, acabava deixando se levar com Ivan.
- Você não sabe o que está dizendo. Ela nunca vai querer nada comigo.
- Nunca é tempo demais. Especialmente para nós, vampiros.
David dá um meio sorriso.




- E seria aceitável isso, trazer mais uma humana à família?
- Sei que você está debochando, David. Você pouco se importa com a Elite vampírica.
- Mas, e quanto a vocês? Seriam mais mestiços na família. - David continua a provocar. Queria saber a opinião da pessoa que mais se importava – ou fingia se importar – com ele naquela casa.




- David, pare com isso. Isso pouco me importa. Em algum momento, desde que você nasceu, tem sido maltratado por nós? E estou falando da família, não da Elite.
David pensa um pouco. Bem, realmente nunca fora maltratado pela família, embora os tios tenham sido um pouco exigentes com ele. Shartene e Miranda também sempre o tratara com doçura.
- Bem... Não. - ele desvia o olhar para um ponto na sala.
- Então, David. Quebre essa barreira que você coloca. Assim, você poderá conquistar a todos, inclusive essa garota que você ama.
David olha para Ivan e sorri.
- Eu não disse que a amo.
- Mesmo se eu não pudesse ler mentes, isso é uma coisa que está na sua cara.
- Hum.
David volta a desviar o olhar. Quebrar a barreira... Mas, como ele poderia quebrar alguma barreira? Seu passado e seu presente o atormentavam, e no futuro seria pior. E vendo Luana o desprezando o matava mais ainda. A vontade que sentia era de agarrá-la a força. Não. Se fizesse isso, iria afastá-la mais ainda. Que inferno!
- Ainda mais, é previsto mais mestiços na família. - Ivan sorri, misterioso.
- O quê? - O que ele estava dizendo?
- Seu tio. Está de caso com uma humana. Bem, pelo menos é o que parece.
- O Alan? - David, pela primeira vez, desata a rir.
- Parece que sim. - Ivan o analisa. - É bom ver você nesse momento de descontração, David. Bem melhor do que ver você todo sério e revoltado.
David para de sorrir.
- Sério e revoltado, é? Bem, qual é o nome dessa infeliz?
- Bela Lua. - Uma voz vem da porta de entrada da casa. - Minha linda e bela.
- Como vai, “Drácula”? - Ivan olha para o homem alto com sarcasmo. 


 

- “Drácula”?
- Seu tio Alan disse para essa pobre menina que se chama Drácula.
- Ah, é? - David olha para seu tio mais jovem.
- Vocês não entendem. Drácula é um nome de prestígio, um nome de poder. Todos temem esse nome. Achei que ficaria melhor em mim.
- Como sempre, há a necessidade de se exibir, não é, Alan? Deixe Lady Von MCDieckson saber disso.
David olha para Ivan.
- Quem é essa?
- Descendente de Drácula.
- Ah.
- Deixe que com Lady Von MCDieckson eu me cuido. Não se preocupe, Ivan. Sou Drácula apenas para ela.
David se levanta.
- Bem, vou me recolher.
- Ainda sente sono à noite, David? - Alan pergunta.
- Sim. Mas estou prestes a me preparar para viver noites infernais sem dormir.
- Não são infernais, David.
- Pra vocês que podem dormir todo o dia. Eu trabalho.
- Tudo bem, David. Vá dormir. - Ivan fala.
David se retira do recinto e sobe a escada em direção ao seu quarto. Mas para no início do corredor para ouvir o que Alan e Ivan dizem a seu respeito.




- David tem que ser controlado, Ivan. Ele ainda vai fazer muita besteira.
- Não se preocupe com isso, Alan. Ficarei de olho nele, mas você também tem que me ajudar.
- Vou ver o que posso fazer.
Merda! Eles estavam conspirando algo por suas costas. Não precisava de ninguém o controlando. David bate furiosamente a porta de seu quarto e encara o enorme retrato moldurado que tinha de Luana. No retrato ela estava sorrindo alegremente. Como amava aquela mulher. Ele a queria para ele, e só para ele. Não tinha botado para correr todos os namorados que ela tivera à toa. Cinco namorados. Cinco babacas que ele tinha aterrorizado sem ela perceber. Desde então, ela não teve mais namorado. Mas mesmo assim, ela ainda era inalcançável. Agora mais ainda. 




Será que o que Ivan dissera era verdade? Será que ele tinha que mudar aquele jeito intimidador? Não. Não iria mudar. Foi um garoto inocente no passado e o menosprezaram, o colocaram abaixo da ralé. Agora tinha que mostrar que era forte, tão impetuoso como foram com ele.
David tira seus sapatos e todas as suas roupas, ficando completamente nu. Ele encara o rosto sorridente de Luana.
- Luana... Minha Luana...
David passa a mão em seu abdome e vai descendo lentamente até suas partes genitais.




- Você... está me deixando louco...
Ele fecha os olhos, voltando a se acariciar.
- Ah... Luana...
Desde que a conhecera, há seis anos atrás, David perdia o juízo quando pensava nela, ou quando estava perto dela. Desde então, se deixava levar pela sensação de como era tê-la em seu quarto, em sua cama. Queria tê-la com tanta força até vê-la gritar seu nome. Ele a amava. Com todas as forças do seu coração, e de sua alma.
Ele volta a olhar para o retrato que tirara quando ela estava brincando com Jéssica e Nina. Tão linda Seu amor era linda. E logo, logo iria se declarar a ela.
David, ainda se acariciando, anda até encostar o rosto no grande retrato moldurado.
- Você é minha, Luana. - ele fala para o retrato, respirando com dificuldade. - Só minha.
Ele levanta o braço desocupado para acariciar o rosto no retrato.
- E eu vou ter você para mim... custe o que custar! 

Give in to me - MIchael Jackson

 

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