A Noiva do Drácula
CAPÍTULO 17:
Nina não
tinha um gosto muito bom. É claro que tinha ficado assustado com o súbito
movimento dela de atacá-lo, mas até que deixou se levar. Primeiro: não era gay;
segundo: tinha um pouco de pena dela; e terceiro: estava tão transtornado com o
desprezo de Luana que quis deixar Nina no controle da situação. Não que
quisesse continuar sempre com aquilo, mas deixaria se levar essa noite.
Podia até se
lembrar. Tinha chamado Nina para saber o que ela queria com ele. Nina, por sua
vez, tinha lhe dito o quanto gostava dele e o quanto o desejava, e que queria
aquilo, pelo menos, por aquela noite. O que estava super certa, pois, com
certeza, não iria prolongar aquela situação por mais do que aquela noite. Nem
mesmo após aquele momento, para ser sincero.
Nina quebra o
beijo, ofegante. Ela estava de olhos fechados, parecendo uma boba apaixonada.
Ela sorri para ele.
--- David...
Isso foi... Incrível! --- sorri sonhadora.
David a
encara confuso. Incrível? Em quê? O
que tinha de incrível num beijo em que uma mulher assalta a boca de um homem,
praticamente o impossibilitando de respirar?
--- Ah...
Sim...
--- Ah,
David, você é tão lindo! --- Nina se joga em cima dele, o abraçando com força.
Mais uma vez a Senhorita Desesperada lhe tinha arrancado o ar, mas não no bom
sentido.
Ah, sim, ela
dissera que ele era lindo. Aquilo simplesmente confirmava o que já suspeitava.
Nina não gostava dele porque via algum potencial nele, mas porque o achava
bonito. David revira os olhos. Mais uma interessada em sua beleza. Porém, mesmo
se ela realmente gostasse dele, não iria fazer a mínima diferença. Não era ela
quem ele queria.
David ergue o
olhar e repara que a pista de dança está com bem menos pessoa que antes. Luana
também não estava lá. Ele olha na direção da mesa onde estavam antes, avistando
Fred e Jéssica no maior clima de romance. Luana estava claramente ignorando o
casal, olhando na sua direção com uma expressão irritada. Ela o estava
encarando! David a olha atentamente, observando Luana beber mais um gole de
vinho, tentando desviar o olhar dele, mas sem sucesso. Ela estava visivelmente
incomodada com algo. David sorri maliciosamente, semicerrando os olhos, como se
quisesse enxergar melhor a cena.
Ora, ora. Mas, e quanto ao noivinho
dela?
David sabia
que ela sentia algo por ele. Talvez até mesmo desejo. Aquilo era inegável,
principalmente naquele momento. Ela olhava para ele e Nina que estavam
abraçados, e voltava a desviar o olhar. Bebia um gole de vinho, voltava a
olhar, desviava o olhar e voltava a beber o vinho, e assim sucessivamente. Se
continuasse daquele jeito acabaria ficando bêbada.
Ela se
levanta com o que parecia ser frustração, e caminha até ao banheiro, carregando
sua bolsinha preta. Agora era sua deixa. David se desfaz do abraço pegajoso de
Nina.
--- Vou ali.
Nina o segura
pelo braço.
--- Aonde
você vai?
--- Vou ao
banheiro. --- tenta soar paciente.
--- Agora?
Como assim agora? David a encara confuso.
--- Vou ao
banheiro, Nina. --- ele solta seu braço. --- Qual o problema em ser agora?
Ela abaixa o
olhar e acaricia o braço dele.
--- Tudo bem.
É que eu queria passar mais tempo com você.
Ele a segura
com firmeza pelo braço, fazendo-a olhar para ele.
--- Nina.
Preste atenção. Nós não temos nada.
--- diz enfaticamente. Quem sabe, assim, ela entenderia?
Nina engole
em seco.
--- Eu sei,
David.
--- Bom.
David a deixa
sentada na banqueta, cabisbaixa, e caminha com firmeza pela pista de dança, em
direção ao hall que separava o banheiro feminino do masculino, enquanto
começava a tocar os acordes da música “Give In To Me”, do Michael Jackson. A
letra era um tanto apropriada.
O hall que
separava os banheiros era um tanto escondido da pista de dança e escuro. Quase
não podia se ver algo ou alguém ali.David se encosta na parede. Obviamente que
não iria entrar no banheiro feminino atrás dela, apesar da vontade ser imensa.
Apenas iria esperar. Tinha a noite toda para poder falar com ela. E,
diferentemente das outras noites, não estava nem um pouco com sono. Mesmo
quando iriam dar 02:00 hs da manhã. Sabia exatamente que aquela falta de sono
não era nada humana.
Porém, apesar
das coisas ruins que ainda teria que enfrentar, David estava feliz. Quer dizer,
muito mais que feliz. Luana, o amor da sua vida, estava com ciúmes dele! Como
se ouvisse seus pensamentos, Luana sai do banheiro e o encara assustada.
--- David?
Ele sorri
para ela, se desencostando da parede.
--- Olá,
Luana.
Ela lhe dá um
sorriso sem graça e caminha em direção à pista, mas David a impede num
movimento rápido, prensando-a na parede. Ele coloca uma mão ao lado do rosto
dela e a outra ao lado da cintura delgada, chegando o rosto bem perto do dela.
---
Acho que está na hora de conversarmos mais civilizadamente, não é, minha deusa?
Deusa? Ela tinha ouvido certo?
David estava
com o rosto a centímetros do dela. Podia sentir sua leve respiração e o cheiro
do vinho. Ele estava bêbado. Só podia estar.
--- David...
Você está bêbado?
Ele lhe dá
seu mais belo sorriso diabólico. Nossa, como amava e odiava aquele sorriso.
--- Não,
Luana, não estou. Afinal, não teria como, visto que não bebi muito. --- ele faz
uma pausa, pensando em algo ruim.
--- Ah,
então... --- Luana se meche contra a parede, desconfortável com a aproximação
dele. --- O que você quer?
David sorri.
--- Você sabe
o que eu quero, Luana.
Saber? Ah, sim. Ele tinha dito a ela que a queria,
mais cedo. Mas como aquilo poderia ser verídico quando ele estava se beijando
com Nina? Afinal, o que ele queria: as duas? Será que apenas Nina não era o
suficiente para ele? Ainda não conseguia entender o por que não conseguira
tirar os olhos deles. Aquilo, decerto, a incomodou. Afinal, ele a tinha
enganado. Ela engole em seco. Ele estava perto demais.
--- Não,
David. --- tenta falar com a voz firme. --- Eu não sei.
David a olha
com aquele olhar de matar.
--- Tem
certeza? Acho que você sabe, sim.
Ele não
parecia vitorioso. Parecia um homem desesperado de paixão querendo saber a
verdade da mulher que amava. Amar...
Sim, ele dissera que a amava, mas por quê, então, tinha beijado Nina? Qual era
o problema dele?
Luana
suspira.
--- Será que
eu sei? --- ela busca coragem e o olha nos olhos; havia paixão ali. --- Eu
simplesmente não te entendo, David. Você disse que me amava, mas foi logo
correndo para Nina. E agora está aqui, com seus enigmas. --- Luana respira
fundo, não acreditando que tinha dito aquilo. --- O que você quer de mim?
Ela repara
que David a olha com os olhos mais suaves, dando um meio sorriso. No que ele
estava pensando?
--- Me
desculpe. --- ele diz, quebrando o silêncio.
Luana
franze o cenho, confusa. Desculpar? Pelo
quê?
---
O quê?
---
Me desculpe por ter beijado a Nina. Realmente não foi minha intenção. Sei que
não é um ato de um cavalheiro jogar a culpa na mulher, mas era ela quem queria
ficar comigo. Eu, não.
Cavalheiro? Nossa,
ele falando daquele jeito mais parecia o Drácula. Sem falar da aparência.
---
V-Você... não queria ficar com ela? --- Luana pergunta, interessada. Mas,
afinal, por que ela queria saber? Nem ao menos gostava dele!
Ele
sorri. Era um sorriso verdadeiro.
---
Não, Luana. Quem eu quero é você. E apenas você. Não é a Nina quem eu amo. Você --- ele diz enfaticamente. --- é o
amor da minha vida. E vou fazer o que for preciso para ter você para mim.
Luana
olha em seus olhos, que a encara de volta. Nossa, ele parecia tão sincero, tão
convicto. Mas por que ele continuava naquilo? Por que simplesmente não
desistia? Será que ele não via que ela nunca poderia ser sua?
---
E sabe do que mais, Luana? --- ele continua. --- Eu percebi. O melhor de tudo é
que eu percebi. Essa foi a minha satisfação da noite: perceber que você não é
nenhum pouco indiferente a mim.
Luana
prende o fôlego. Mas o que ele queria dizer com aquilo?
---
Eu... Eu não sei... --- ela engole em seco, temendo a própria reação. --- Eu
não sei do que você está falando.
---
Ah, não sabe? --- parecia que ele estava chegando cada vez mais perto. ---
Pensa que eu não notei seus olhares, Luana? Pensa que eu não percebi sua linda expressão irritada enquanto eu
estava com a Nina? --- ele passa os dedos pela face rubra dela. --- Eu notei,
Luana. --- ele sorri. --- E posso dizer que estou muito feliz em saber que você
não me ignora tanto quanto eu pensava.
Luana
engole em seco, ainda encarando-o. Afinal, quem ele achava que era? Tão pretensioso!
---
Não, David. Não sinto nada por você, se é o que pensa.
Ele
dá mais um de seus sorrisos diabólicos.
---
Você pode dizer o que quiser, Luana, mas eu sei o que eu vi.
---
Não, David, você não viu nada. --- ela tenta se soltar, mas sem sucesso. O
corpo dele era como uma muralha. --- Eu não gosto de você, David. Apenas como
amigo!
Ele
a olha intensamente.
---
Ah, então, você nega?
Ela
levanta o queixo, num desafio.
---
Nego.
---
Nega mesmo, Luana?
Nossa,
mas como ele era insistente. Por que ele não desistia dela logo de vez, e ia
procurar Nina? Tinha que acabar com aquilo. Tinha que colocar na cabeça dele de
uma vez por todas que nunca seria sua. Nem agora, nem nunca.
---
Me deixe passar, David.
Ela
tenta passar por ele, mas ele a impede mais uma vez.
---
Fale, Luana! --- ele repete, alterado. --- Você nega?
Ela
olha em seus olhos azuis. Olhos que mexiam com ela, desde a primeira vez que o
vira. Mas David era apenas um amigo, e ele tinha que entender.
---
Nego, David, eu nego! --- diz já tão alterada quanto ele. --- Agora me deixe
passar.
Seu
olhar era perigoso. Já não estavam tão suaves como antes.
---
Ah, é? Então negue isso!
Antes
que ela pudesse perceber o que ele iria fazer, David cobre a boca dela com a
sua num beijo desesperadamente apaixonado. Claro que Luana tentou se debater,
quebrar o beijo, mas nada adiantou. David era mais forte, e estava assaltando a
boca dela num ritmo totalmente implacável e controlado. De início, ela estava
se debatendo, querendo se soltar de seus braços fortes. Mas depois, ela relaxou
os braços e não fez nenhuma força para se soltar, pois não era mais aquilo que
ela queria.
David
aproveitou a deixa que Luana deu e a puxou para mais perto de seu corpo,
fazendo-a se derreter com seus beijos quentes.
Luana
estava um tanto confusa. Amava Drácula, mas por que tinha deixado ser seduzida
daquela forma por alguém que considerava apenas amigo? Ou será que as coisas
eram tão contrárias ao que pensava?
Ela
quebra o beijo, ofegante, e empurra David para longe dela.
---
Não! Não!
Seu
busto subia e descia numa respiração pesada. Ela estava completamente tonta com
o beijo que trocaram. David estava com a boca manchada de seu batom vermelho, e
um tanto ofegante quanto ela. Ele dá mais um sorriso malicioso. Se um dia
pensava que David era perigoso, dessa vez ele estava pior.
---
Não o que, Luana? --- ele chega mais perto dela, prensando-a na parede. ---
Você pode até dizer que não gostou, que não gosta de mim. Mas agora eu sei a
verdade. E é agora mesmo que eu não vou desistir de você. --- ele a encara,
olhando no fundo de seus olhos. --- Nem agora --- fala pausadamente. --- nem
nunca.
Seus
olhos azuis transmitiam uma intensidade que nunca tinha visto na antes. Seu
rosto era uma mistura de fúria com contentamento.
Luana
respira pausadamente, absorvendo a beleza daquele homem perigoso. Por que
simplesmente não conseguia dizer nada?
David
coloca uma mecha do cabelo dela para trás da orelha, e se afasta.
---
Não queria te assustar, Luana. --- ele suspira. --- Mas também não vou desistir
de você. Eu te amo. E vou fazer o que for preciso para você ser minha.
Luana
continua encarando-o, boquiaberta. Não conseguia dizer nada. Ele sorri. Vai ver
estava se divertindo às suas custas. E estava conseguindo.
---
Já vou, minha amada. --- David dá um passo para trás, ainda olhando para ela,
todo imponente. Ele exalava sofisticação e sensualidade. Estava mais lindo do
que nunca. --- Amanhã nos vemos.
Dizendo
isso, David se vai, deixando-a atônita no pequeno hall. As pessoas iam e
vinham, olhando para ela e cochichando. Luana tenta se recompor, devia estar
horrível. Ela encosta a cabeça na parede, tentando reorganizar os pensamentos.
Queria poder fazer alguma coisa, mas quase não tivera nenhuma reação. Ela olha
para a pista de dança, vendo que David estava indo em direção à mesa onde estão
Fred, Jéssica e Nina. Nina... Por que sentira um incômodo tão grande ao ponto
de não suportar ver David beijando-a? Aquilo, certamente, a tinha dilacerado
por dentro. Mas, por que? E o pior: tinha deixado ser seduzida por ele.
Luana, então, desliza na parede até o
chão, tentando saber o que faria quando o visse novamente, enquanto Madonna
começava a cantar Frozen.
David
estaciona seu Camaro preto no jardim da mansão e entra na casa, encontrando seu
tios sentados e conversando na grande sala de estar.
Ivan
e Alan notam sua presença.
---
David. Já voltou? --- Alan pergunta surpreso.
Não, Alan. Ainda estou na festa.
--- Já, Alan. --- David responde, ainda não conseguindo
esconder o sorriso. Nada estragaria seu humor. --- Quis voltar mais cedo.
Amanhã vou à praia com os meus amigos.
Ivan e Alan trocam um longo olhar inquisidor.
--- Ah, vai à praia? --- Ivan pergunta? --- Tem certeza?
--- pergunta, olhando-o especulativamente.
David franze o cenho confuso.
--- Tenho, Ivan. Por que?
Ivan e Alan trocam mais um olhar antes de olhar para
David.
--- A questão, David --- Ivan continua. --- é que você
não acordou de manhã cedo, ou à tarde. Para nós, você está virando um vampiro. Não
consegue mais acordar à luz do Sol. --- Ivan faz uma pausa e volta a olhá-lo
com especulação. --- Então, mesmo com o que aconteceu hoje, você vai arriscar?
Ah, sim, a questão da transformação... Como poderia
esquecer?
David sorri e se senta no sofá de couro, em frente aos
seus tios.
--- Sim, Ivan. --- fala, ainda sorrindo. --- Vou
arriscar. Afinal de contas, não há prova de que aquilo que aconteceu comigo
realmente se trate de uma das minhas transformações. Ademais, eu não sou a
única pessoa que acorda de noite, em vez de dia. --- David repara que seus tios
estão olhando-o com preocupação. --- Sei que vocês se preocupam comigo, mas eu
sei me cuidar. E, se por ventura, acontecer o que tem que acontecer, eu venho
correndo pelas sombras. --- David ri, se imaginando correndo por debaixo de
todas as sombras que visse pela frente para fugir do Sol.
Brincadeiras à parte, sabia que se isso fosse acontecer,
dificultaria ainda mais sua vida. Como o trabalho, por exemplo.
Ivan suspira, resignado, e encara o sobrinho.
--- Tudo bem, David. Se é assim que você quer...
David sorri.
--- Ivan, eu sei me cuidar. --- David olha para Alan, que
está escutando toda a conversa, calado. --- O que foi, Alan? Está muito quieto.
Geralmente, você fala mais.
Como
se meter na minha vida, por exemplo.
Alan dá mais um de seus sorrisos
sedutores que, aliás, eram iguais aos seus, e olha para o sobrinho.
--- Só estou pensando.
--- No quê?
Alan se ajeita no sofá, procurando uma
posição confortável.
--- Bem, se lembra sobre aquela
menina, sobre a qual lhe falei?
--- Ah, sim, me lembro. A tal da “Bela
Lua”.
--- Sim. --- Alan olha para o irmão e
para o sobrinho. --- Amanhã à noite ela vem jantar aqui.
David relaxa no sofá.
--- Eu sei. Ontem mesmo você disse
isso.
--- Ah, sim, disse.
--- Pelo visto, você está mesmo interessado nessa garota,
Alan. --- Ivan sorri para Alan.
Alan sorri de volta.
--- Claro. Ela é minha noiva.
David olha curioso para Alan. Sem dúvida, ele estava
apaixonado. Dava para notar o sorriso estampado no rosto dele sempre que a tal
da Bela Lua era mencionada.
Bela
Lua... Mas que nome é esse?
--- Você parece estar bem envolvido.
--- ele diz para o tio.
Alan sorri.
--- Pois é, meu sobrinho. --- ele
encara David com curiosidade. --- Mas, e você?
--- Eu?--- David pergunta, sem entender.
--- E sua garota, David? --- Ivan
pergunta. --- Você tem uma?
David sorri e encosta a cabeça no
sofá.
--- Ah, sim, tenho. E agora tenho mais
certeza do que nunca. --- David diz, pensando no beijo que dera em Luana, e em
como ela tinha se derretido a ele.
Alan e Ivan sorriem um para o outro ao
reparar no sorriso de bobo apaixonado de David.
--- Ora, ora. --- Ivan fala,
analisando David. --- Pelo visto, não é só Alan quem está apaixonado... --- Ivan implica, testando o sobrinho.
David sorri. Não conseguia fazer cara
feia com as implicâncias do tio – pelo menos, não naquele dia. Estava feliz
demais com o ocorrido na bar para sequer ser influenciado pelo mau humor.
Alan encara David, que está olhando para o teto com um sorriso de bobo
apaixonado.
--- É... Pelo visto, você está mais
apaixonado que eu.
David encara lentamente o tio, ainda
com o sorriso no rosto.
--- Eu não sei nada sobre sua noiva,
mas a minha garota é a mulher mais perfeita desse mundo, Alan. --- ele sorri
ainda mais ao lembrar-se do rosto corado de Luana após o beijo. --- Ela é
simplesmente... perfeita.
--- Mais do que a minha garota, não.
--- Alan provoca.
David se ajeita no sofá.
--- Se é o que você diz...
Não discutiria com o tio. A noiva dele
poderia ser o que for, mas nunca chegaria aos pés de Luana. Nenhuma mulher do
mundo.
--- Por que não a traz aqui, David?
--- Ivan sugere.
David o encara.
--- Trazê-la aqui? Para quê?
--- Para o jantar. --- Ivan responde.
Alan acena para Ivan, concordando, e
volta a olhar para David.
--- Sim, David. Traga-a aqui amanhã
para jantar conosco.
David suspira. Já sabia que aquela
missão seria praticamente impossível.
--- Eu não sei se ela vai querer vir.
--- Nem ao menos sabia se ela iria querer voltar a olhar para a cara dele
novamente.
--- Mas, ela não é sua namorada? ---
Ivan pergunta.
David sorri. Quem dera...
--- Não, ainda não.
--- Então a convide como amiga. ---
Alan diz. --- Queremos conhecê-la. E sei que as duas se darão muito bem.
--- As duas? --- David pergunta
confuso.
--- Sim. --- Alan responde. --- Sua amiga e
minha noiva.
--- Ah, sim. --- David suspira e se
levanta. --- Vou tentar convencê-la.
--- Mas é sério, David. --- Alan sorri
para o sobrinho. --- Estamos muito felizes por você.
David sorri para o jovem tio.
--- Mesmo quando eu não contei os
detalhes da festa?
Alan sorri de volta.
--- David, não somos intrometidos.
Ah,
não. Claro... Ele só
podia estar de ironia.
--- Mas se quiser nos contar... ---
Ivan sugere.
David sorri com as provocações dos
tios.
--- Não, não. Mais tarde. Agora vou
descansar.
Ivan e Alan se olham surpresos antes
de encarar David.
--- Você ainda sente sono à noite? ---
Ivan o encara, sem acreditar.
David faz uma pausa antes de
responder.
--- Bem, ainda é meio confuso. Eu não
sei direito. --- diz, omitindo a questão do sangue.
--- Sente sono agora?
David suspira, cansado.
--- Estou cansado.
--- Então vá, jovem David. --- Ivan
sorri, dispensando-o. --- E que sua transformação não acelere muito.
David encara os tios, mais sério.
--- Eu sei que as coisas podem ficar
difíceis. Vocês já me disseram.
Alan assente, concordando.
--- Se você não souber se controlar,
sim.
David assente. Sua vida era mesmo uma
merda. Mas era melhor não estragar seu dia por pensar naquilo.
--- Boa noite.
David se despede dos tios e sobe a
escada rumo ao seu quarto. Mas no alto da escada ele ouve seus tios conversando
baixo.
---
A questão não é ele se controlar, Alan. Nós temos que controlá-lo.
---
Mas ele também tem que saber se controlar. Não estamos lidando com um bicho de
estimação.
---
Mas estamos nos dando com um vampiro mestiço que pode perder totalmente o
controle. David não vai saber se controlar. Quando esse dia chegar, teremos que
ter o maior cuidado possível.
David respira fundo e caminha com
passos firme até seu quarto, fechando a porta.
E, mais uma vez, a questão do
controle. Mas por que eles falavam tanto daquilo? Será que ficaria tão
descontrolado ao ponto de ser mantido em cárcere por dois tios dominadores?
David contrai o maxilar. Um vampiro mestiço... Era isso o que ele era, e o que
sempre seria. Mais um outro motivo para ser tratado como uma escória pela
Elite. Mas não iria pensar naquilo. Hoje o dia tinha sido perfeito e não o
estragaria com pensamentos repugnantes.
David levanta os olhos para a moldura
contendo o rosto sorridente de Luana. David sorri. Sua linda Luana.
Realmente se sentia confuso em relação
à questão de suas mudanças, mas tinha mentido aos tios sobre estar cansado. Não
estava nem um pouco! Na verdade, sentia seus olhos arregalados, incapazes de se
fecharem. Era como se tivesse colocado dois palitos de dentes em pé entre eles.
Mas tinha que descansar, não tinha escolha. No dia seguinte iria para a praia e
precisava estar descansado, ou quase isso. David volta a olhar para o rosto de
Luana emoldurado naquele lindo quadro e começa a tirar a blusa preta de mangas
longas.
--- Sabe, meu amor... --- ele senta na
cama, tirando os tênis e as meias, começando a conversar com o belo rosto no
quadro, como se tivesse conversando com ela cara a cara. --- Eu adorei essa
noite, com exceção de muitas coisas. --- diz amargamente, pensando no beijo que
deu em Nina.
Ele se levanta e desabotoa o
cinto.
--- Se você ao menos soubesse, Luana,
o quanto eu te desejo... --- ele ri, jogando cinto no chão. --- Mas hoje eu
percebi, meu amor. Percebi o quanto você me deseja também. --- ele desabotoa a
calça. --- Não tente esconder...
David se livra da calça, acariciando o
contorno escondido pela cueca.
--- Eu escondi deles, meu amor. ---
ele sorri. --- Escondi de meus tios que estou começando a querer sangue. O seu
sangue. --- ele lambe os lábios. --- Ah, como eu queria te morder quando você
falou sobre a Nina com aquele toque de ciúme na voz...
Ele ri ao se lembrar de como Luana
tinha ficado enciumada. Tinha sido a coisa mais linda que já vira na vida.
--- Eu te quero, Luana. --- ele tira a
cueca, jogando-a no chão. --- E amanhã vou te provar o quanto.
Give In To Me - Michael Jackon






















Nenhum comentário:
Postar um comentário