A
Noiva do Drácula
CAPÍTULO 7
Furioso.
Ele estava furioso. David olha de canto de olho para seu tio mais
velho. Não estava a fim de conversa.
- O que foi? - pergunta seco.
Ivan
se ajeita na poltrona e o encara.
- Você parece mais nervoso do que o normal.
Normal?
David
encara seu tio e se senta no sofá.
- Você fala como se eu ficasse nervoso o tempo todo.
- Mas você fica nervoso o tempo todo. Só que agora parece pior.
- Ah, é?
- É uma garota?
David
se senta desconfortável e bufa.
- Ora, ora... Essa é a parte boa de ser um vampiro completo, não é?
Ler mentes.
- Mas você também vai ler. Um dia.
- Você sabe que eu sou mestiço.
- Você tem sangue de vampiro, David. As coisas vão começar a
acontecer com você pouco a pouco.
- Incluindo varar a madrugada, igual a vocês?
- Isso.
- E... beber sangue?
- Sim. Mas, quando isso acontecer, ficaremos de olho em você. Você
sabe. Vampiros sabem se controlar...
- E mestiços, não. - David completa com secura na voz. - Sei a
minha condição.
- Mas, quem é a garota?
- Você não conhece.
David
não queria contar para os tios que estava completamente apaixonado
por uma mulher que o desprezava.
- Traga-a aqui. - Ivan sugere.
David
ri.
- Aqui? - ele resmunga. - Ela simplesmente não quer dar dois
passos fora da empresa comigo. Vive me evitando, parece que tem medo
de mim.
Ivan
fica surpreso.
- Ora. Parece que você vai ter que conquistá-la aos poucos.
David
olha para o tio. Não gostava de contar seus segredos para ninguém
mas, por alguma razão, acabava deixando se levar com Ivan.
- Você não sabe o que está dizendo. Ela nunca vai querer nada
comigo.
- Nunca é tempo demais. Especialmente para nós, vampiros.
- E seria aceitável isso, trazer mais uma humana à família?
- Sei que você está debochando, David. Você pouco se importa com a
Elite vampírica.
- Mas, e quanto a vocês? Seriam mais mestiços na família. - David
continua a provocar. Queria saber a opinião da pessoa que mais se
importava – ou fingia se importar – com ele naquela casa.
- David, pare com isso. Isso pouco me importa. Em algum momento, desde que você nasceu, tem sido maltratado por nós? E estou falando da família, não da Elite.
David
pensa um pouco. Bem, realmente nunca fora maltratado pela família,
embora os tios tenham sido um pouco exigentes com ele. Shartene e
Miranda também sempre o tratara com doçura.
- Bem... Não. - ele desvia o olhar para um ponto na sala.
- Então, David. Quebre essa barreira que você coloca. Assim, você
poderá conquistar a todos, inclusive essa garota que você ama.
David
olha para Ivan e sorri.
- Eu não disse que a amo.
- Mesmo se eu não pudesse ler mentes, isso é uma coisa que está na
sua cara.
- Hum.
David
volta a desviar o olhar. Quebrar a barreira... Mas, como ele poderia
quebrar alguma barreira? Seu passado e seu presente o atormentavam, e
no futuro seria pior. E vendo Luana o desprezando o matava mais
ainda. A vontade que sentia era de agarrá-la a força. Não. Se
fizesse isso, iria afastá-la mais ainda. Que inferno!
- Ainda mais, é previsto mais mestiços na família. - Ivan sorri,
misterioso.
- O quê? - O que ele estava dizendo?
- Seu tio. Está de caso com uma humana. Bem, pelo menos é o que
parece.
- O Alan? - David, pela primeira vez, desata a rir.
- Parece que sim. - Ivan o analisa. - É bom ver você nesse
momento de descontração, David. Bem melhor do que ver você todo
sério e revoltado.
David
para de sorrir.
- Sério e revoltado, é? Bem, qual é o nome dessa infeliz?
- Bela Lua. - Uma voz vem da porta de entrada da casa. - Minha
linda e bela.
- “Drácula”?
- Seu tio Alan disse para essa pobre menina que se chama Drácula.
- Ah, é? - David olha para seu tio mais jovem.
- Vocês não entendem. Drácula é um nome de prestígio, um nome de
poder. Todos temem esse nome. Achei que ficaria melhor em mim.
- Como sempre, há a necessidade de se exibir, não é, Alan? Deixe
Lady Von MCDieckson saber disso.
David
olha para Ivan.
- Quem é essa?
- Descendente de Drácula.
- Ah.
- Deixe que com Lady Von MCDieckson eu me cuido. Não se preocupe,
Ivan. Sou Drácula apenas para ela.
David
se levanta.
- Bem, vou me recolher.
- Ainda sente sono à noite, David? - Alan pergunta.
- Sim. Mas estou prestes a me preparar para viver noites infernais sem
dormir.
- Não são infernais, David.
- Pra vocês que podem dormir todo o dia. Eu trabalho.
- Tudo bem, David. Vá dormir. - Ivan fala.
David
se retira do recinto e sobe a escada em direção ao seu quarto. Mas
para no início do corredor para ouvir o que Alan e Ivan dizem a seu
respeito.
- David tem que ser controlado, Ivan. Ele ainda vai fazer muita besteira.
- Não se preocupe com isso, Alan. Ficarei de olho nele, mas você
também tem que me ajudar.
- Vou ver o que posso fazer.
Merda!
Eles estavam conspirando algo por suas costas. Não precisava de
ninguém o controlando. David bate furiosamente a porta de seu quarto
e encara o enorme retrato moldurado que tinha de Luana. No retrato
ela estava sorrindo alegremente. Como amava aquela mulher. Ele a
queria para ele, e só para ele. Não tinha botado para correr todos
os namorados que ela tivera à toa. Cinco namorados. Cinco babacas
que ele tinha aterrorizado sem ela perceber. Desde então, ela não
teve mais namorado. Mas mesmo assim, ela ainda era inalcançável.
Agora mais ainda.
Será
que o que Ivan dissera era verdade? Será que ele tinha que mudar
aquele jeito intimidador? Não. Não iria mudar. Foi um garoto
inocente no passado e o menosprezaram, o colocaram abaixo da ralé.
Agora tinha que mostrar que era forte, tão impetuoso como foram com
ele.
David
tira seus sapatos e todas as suas roupas, ficando completamente nu.
Ele encara o rosto sorridente de Luana.
- Luana... Minha Luana...
David
passa a mão em seu abdome e vai descendo lentamente até suas partes
genitais.
Ele
fecha os olhos, voltando a se acariciar.
- Ah... Luana...
Desde
que a conhecera, há seis anos atrás, David perdia o juízo quando
pensava nela, ou quando estava perto dela. Desde então, se deixava
levar pela sensação de como era tê-la em seu quarto, em sua cama.
Queria tê-la com tanta força até vê-la gritar seu nome. Ele a
amava. Com todas as forças do seu coração, e de sua alma.
Ele
volta a olhar para o retrato que tirara quando ela estava brincando
com Jéssica e Nina. Tão linda Seu amor era linda. E logo, logo
iria se declarar a ela.
David,
ainda se acariciando, anda até encostar o rosto no grande retrato
moldurado.
- Você é minha, Luana. - ele fala para o retrato, respirando com
dificuldade. - Só minha.
Ele
levanta o braço desocupado para acariciar o rosto no retrato.
- E eu vou ter você para mim... custe o que custar!
Give in to me - MIchael Jackson
Give in to me - MIchael Jackson








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