A
noiva do Drácula
CAPÍTULO
13
Luana
acorda. Um dia sem trabalho, valeria a pena. Uma noite só de música
boa a esperava. E iria dançar a noite inteira. Nada de
vampiros, ou amigos ciumentos, pelo menos por um dia. Ah! Ela
se lembra. David também estará na discoteca. Droga. E
agora?
Ela
se levanta da cama , se espreguiçando. Tinha que começar o dia do
melhor jeito. Ela caminha até a sala e coloca um CD no aparelho de
DVD. Luana sorri. Eram apenas 9:00 hs. A madrinha só acordava às
11:00 quando era sábado. Iria matá-la.
Ela
liga a televisão e coloca no canal de ligação com o DVD. A música
de bom Jovi invade a sala com sua batida forte. Amava essa banda.
Quando criança, tinha ido à um dos shows deles, de tanto implorar à
madrinha. Luana vai saltitando até o quarto enquanto “You Give
Love A Bad Name” preenche o ambiente.
Luana,
dançando para lá e para cá, abre seu guarda-roupa e escolhe uma
blusa preta, um pouco larga, e uma bermuda cinza. Ela tira a camisola
e veste a roupa, ainda dançando. A música tinha um toque de culpa.
Mas, culpa de quê? Será que seria culpa por não ter ficado mais
tempo com Alan, na noite anterior? Não. A culpa falava de um homem
culpando uma mulher por tê-lo seduzido e ele estar preso nessa
armadilha, que era o amor por ela. Mas parecia David cantando para
ela.
Luana
balança a cabeça, tentando tirar aquilo da cabeça. Era um absurdo.
Aquilo era apenas uma música, ponto. Não tinha que ficar pensando
besteiras. Ela termina de trocar de roupa e alguém bate em sua
porta. Era sua madrinha. Ih, ela acordou.
Luana
abre a porta e depara com o rosto enfurecido da madrinha. Quando dona
Dolores ficava enfurecida, era melhor sair de perto. A música havia
parado.
Luana
sorri.
---
Bom dia, madrinha.
---
Bom dia? Você está ficando maluca, menina?
---
Por quê, madrinha? --- se finge de desentendida, passando por ela,
indo em direção à cozinha americana.
Dolores
a segue.
---
Porque você me acordou essa hora. Sabe muito bem que, aos sábados,
eu acordo às 11:00.
---
Eu sei que aumentei muito o som da música, madrinha, mas me
desculpe. --- Luana abre a geladeira e pega um suco. --- Café da
manhã? --- oferece.
Dolores
ri.
---
Você é impossível, menina.
Luana
sorri.
---
Eu sei.
---
Prepare aí. Por enquanto, vou me ajeitar.
---
Está bem.
Luana
vê a madrinha caminhar até o quarto e fechar a porta. Era estranho
vê-la com aqueles bobs na cabeça se o cabelo era curto. Luana
balança a cabeça e começa a encher dois copos com o suco de manga.
Nem ela, nem Dolores gostavam de café ou chá, então sempre bebiam
suco. De preferência, de manga. Ela pega o saco de pães que tem no
forno e pega três para passar manteiga, depois esquentar na
sanduicheira. Enquanto os pães estão esquentando, Luana vagueia a
mente em algumas coisas. Uma delas é David. Por quê ele não queria
ser ao menos seu amigo? O que havia de errado em serem somente bons
amigos? Luana começa a roer as unhas, nervosa. Como é que
conseguiria encará-lo na discoteca hoje à noite?
Dolores
chega, um pouco mais arrumada, com seu vestido de casa.
Luana
se lembra dos pães, saindo de seus pensamentos, e desliga a
sanduicheira. Os pães estavam quentinhos e fresquinhos. Ela pega uma
espátula e os tira, colocando em um prato grande.
---
Madrinha, a senhora quer um pão, ou dois?
---
Quero um. --- Dolores responde, já sentando no sofá.
Luana
a olha, preocupada. Sua madrinha não conseguia ficar muito tempo em
pé, devido as suas pernas já estarem fracas, e logo se sentava no
sofá. As únicas ocupações que tinha era a de ver TV. Luana pega
um prato pequeno e deposita o pão quentinho, pegando também o suco,
e leva para a madrinha.
---
Aqui. Bem quentinho. --- Luana coloca o prato com o pão e o copo com
suco em cima da mesa de centro. Ela vê que a madrinha está vendo Os
Simpsons. --- Tem certeza que a senhora quer ver isso? Esse desenho é
depravado.
Dolores
pega o copo e dá uma golada no suco.
---
E o que tem de bom para ver?
Luana
pega o controle remoto e muda pelos vários canais pagos, achando o
Discovery Home And Health. Ela apoia o controle remoto no criado
mudo.
---
Pronto.
---
Que canal é esse? Dá alguma novela?
---
Não, madrinha. Esse não tem novela, mas tem muitas programações
legais.
---
Ah, sim.
Luana
se lembra. Era hora do remédio. Ela corre até o banheiro, mal
ouvindo as palavras preocupadas da madrinha, abrindo o armário com
espelho, pegando o remédio. Ela volta correndo para a sala.
---
O que houve, menina? --- Dolores pergunta, preocupada, olhando
assustada para ela.
Luana
sorri para ela, mostrando o potinho branco.
---
Seu remédio. --- diz, e se senta no braço do sofá.
---
Ah.
Luana
põe um na palma da mão e oferece para a madrinha, que pega de sua
mão.
---
Coloca na boca e bebe o suco.
---
Eu sei o que é para fazer, Luana.
Luana
vê a madrinha engolindo o remédio e tomando o suco para ingerir
melhor.
---
Vou tomar meu café da manhã.
Luana
levanta do braço do sofá e pega o prato grande com os dois pães
quentes e o copo com suco se senta no tapete da sala.
---
Luana, sua doida, levante daí. O sofá é feito para sentar, sabia?
---
Mas eu quero sentar aqui, dinda.
---
Nada disso. Sente no sofá.
Quando
dona Dolores teimava com algo, era melhor obedecer. Luana se levanta
do chão e senta no sofá, fingindo estar emburrada.
---
E não me venha com essa cara. --- a madrinha devora o pão. --- Só
vai comer isso?
---
Madrinha, eu estou com dois pães.
---
É pouco. Ontem você não jantou, lembra?
---
Não estava com fome. --- Luana abocanha um dos pães. --- Acho que
não vou nem conseguir comer o segundo...
Dolores
a olha, com repreensão.
---
Menina... Você não pode deixar de comer...
---
Não deixo de comer, dinda. --- Luana dá um gole no suco. --- No
trabalho eu como.
---
Lá dão comida?
Luana
sorri.
---
Claro que não, dinda. A gente que tem que comprar à parte. Fred,
Nina e Jéssica gostam de comer juntos. Eu, não. Eu gosto mais de
comer sozinha, então como na rua.
---
Come sobremesa também? --- Dolores pergunta, já acabando com o pão
e bebendo o suco.
---
Que sobremesa? --- Luana ri. --- Não tenho dinheiro para isso não,
dinda.
---
Então, por quê você não volta para casa para poder almoçar, sua
boba?
---
Porque, aí, eu gastaria dinheiro de passagem. --- Luana fala,
acabando com o primeiro pão.
A
madrinha olha para a programação que está passando e suspira,
voltando a olhar para ela.
---
Então, a partir de segunda-feira, você vai levar marmita.
Luana
emburra a cara.
---
Ah, não, madrinha.
---
Por quê não, posso saber?
---
A senhora se cansa demais.
---
Minha querida, eu almoço, não é? É simples: eu faço o almoço,
eu como, você come, e eu guardo um pouco mais para você levar para
o trabalho. Simples assim.
Luana
engole todo o seu suco.
---
Mas comer no trabalho é estranho. Detesto quando me veem comer. A
senhora sabe disso.
---
Mas tem que comer! Não vai comer o outro pão?
---
Já enchi. --- Luana fala, passando a mão na barriga.
---
Nada disso. Vai comer. Ninguém mandou esquentar dois pães.
---
Dinda... --- Luana reclama, mas sem sucesso.
---
Come agora.
Era
uma ordem. Então, era melhor obedecer. À contra gosto, Luana devora
o pão todo, entretida no programa.
---
E ele?
---
Ele, quem?
---
David. --- Dolores fala, olhando para o programa.
---
O que... O que tem? --- Luana gagueja, olhando para um ponto vazio.
---
Você disse que come na rua. E ele?
---
Não sei. --- Luana responde, querendo mudar de assunto. Não queria
falar de David agora.
---
Luana. --- ela olha para a madrinha. --- O que está havendo? Por
quê, quando eu pergunto sobre o David, você não gosta?
Ela
dá um sorriso falso.
---
Quem disse que eu não gosto, madrinha?
---
Suas atitudes. Sempre quando eu falo dele, você quer mudar de
assunto. O que foi que ele te fez?
Luana
olha para sua madrinha. Havia preocupação em seu olhar. O que diria
para ela? Que David era seu melhor amigo até ele praticamente
surtar, há ano atrás? Eles eram tão amigos... O que será que
tinha acontecido para ele começar a agir daquele modo rude? Desde
então, conversar com David se tornara um desafio. Ele estava
estranho, diferente, não o reconhecia mais. É claro que ele ainda
era o David lindo de outrora, mas apenas a beleza exterior
permanecera, porque a interior, não. Era triste vê-lo abalado, mas
o que podia fazer? Ele a queria – palavras dele – mas ela já
estava apaixonada por outro homem. Ele tinha que entender.
---
Luana. --- sua madrinha a chama, tirando-a de seus devaneios.
Ela
olha para a madrinha, meio perdida.
---
Sim?
---
Estava te perguntando o que David te fez. Ele te tratou mal?
Luana
dá um quase sorriso para a madrinha.
---
Não, madrinha. Ele nunca me tratou mal. --- ela tenta desviar o
olhar, mas volta a olhá-la. --- É que ele...
---
Ele...? --- Dolores pergunta, sedenta por informação.
---
Ele mudou, madrinha. Não é mais o David de antes.
---
Como?
Luana
abaixa a cabeça, tentando pensar em algo, mas nada sai. Ela pega seu
prato e seu copo, aproveitando para pegar o prato e o copo de sua
madrinha, levando para o balcão da cozinha. Ela os despeja na pia,
ignorando a madrinha falando com ela.
---
Luana, não vou te chamar a terceira vez.
Ela
suspira, e vai até a sala.
---
O que a senhora quer para o almoço?
---
O quê?
---
O almoço. Pode deixar, que eu faço.
---
Luana, me fale logo, menina!
---
Falar o quê, madrinha? --- ela baixa para pegar o remédio, que
ainda está na mesa de centro. --- Não tenho nada para falar.
Dolores
suspira.
---
Seja lá o que David fizer, você me conte. Está me ouvindo?
Ah,
sim, até parece que ela iria contar.
---
Agora vou ver TV, já que você não quer me contar nada.
Luana
dá graças em pensamento por sua madrinha ter desistido do assunto e
caminha até o banheiro, depositando o remédio dentro do pequeno
armário espelhado. Fechando a portinha do armário, Luana vê seu
rosto. O que estava acontecendo com ela? Por quê tudo tinha que ser
tão complicado assim? Por quê, mesmo se sentindo feliz, se sentia
triste? Drácula a havia presenteado com um anel lindo e a fizera sua
noiva, mas... por quê parecia que algo não se encaixava?
Luana
sai do banheiro e vai para a cozinha, fazer o almoço, vendo a
madrinha bastante entretida na TV.
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Iriam
dar 19:00 hs. Luana se olha no espelho do armário. Já estava toda produzida com seu vestido preto
curto com babados e sua ankle boots preta. Os cabelos estavam
levemente ondulados e a maquiagem estava um pouco carregada,
especialmente para a noite. Pulseiras adornavam seus pulsos, dando um
toque meio roqueira para ela, os brincos pendurados bem brilhantes.
Estava realmente linda, pronta para arrasar. É claro que Fred não
mencionara um horário certo, mas aquela hora era boa para sair. Só
tinha que esperar a discoteca abrir, é claro.
Se Drácula pudesse vê-la assim, ele iria se apaixonar mais ainda, pensa brincando. Se apaixonar... Será que ele a amava? Será que o sentimento que ela sentia por ele era recíproco? Mas, a questão mais importante: realmente o amava?
Luana
balança a cabeça, reprimindo o pensamento. É claro que o amava.
Nunca sentira por qualquer um de seus namorados o que sentia por
Drácula. E ele era tão gentil, tão cavalheiro, tão amoroso... Era
óbvio que o amava!
---
Já está pronta, Luana? --- Dolores entra em seu quarto.
---
Já madrinha. --- Luana vira o olhar do espelho do armário para a
madrinha. --- Estou bonita?
---
Vai pegar quem nessa festa?
Luana
desata a rir.
---
Madrinha! Eu já sou noiva! --- ela mostra o anel de noivado
adornando o anelar direito.
---
Está toda produzida... --- Dolores ri.
---
Vou curtir um pouco com os meus amigos. E amanhã seremos nós duas.
---
Nós duas, o quê?
---
Vamos passear um pouco amanhã, madrinha. A senhora precisa se
exercitar um pouco. --- Luana fala, abrindo o guarda-roupa para
guardar a maquiagem.
---
Mas você se lembra do que o doutor disse: nada de exercício.
Luana
guarda toda a maquiagem na gaveta e olha para a madrinha.
---
Dinda, nenhum médico vai proibir que seus clientes se exercitem.
Muito pelo contrário. Ele só disse para a senhora não exagerar.
---
Hum. Sei. --- a madrinha fala, teimosa.
Luana
caminha até ela e aperta suavemente as bochechas da madrinha.
---
Não discuta, dona Dolores, porque posso ser tão teimosa quanto a
senhora.
Dolores
ri, desistindo de discutir com Luana.
---
Ok. Está bem. Mas, para onde vamos amanhã?
---
Para um parque. Vamos aproveitar e respirar um pouco a natureza. A
senhora precisa disso.
---
Está bem.
Luana
pega sua bolsinha preta de mão que está em cima da cama.
---
Então, madrinha, eu já vou. Vou direto para a casa da Jéssica.
Nina também deve estar lá.
Dolores
a pega pelo braço, impedindo-a de sair.
---
Não, não, não, mocinha.
Ela
olha para a madrinha, sem entender.
---
O que foi, madrinha?
---
Você não sai daqui sem primeiro arrumar essa bagunça. --- dizendo
isso, Dolores caminha até a sala e se senta no sofá.








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