sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A NOIVA DO DRÁCULA - CAPÍTULO 13



     A noiva do Drácula

CAPÍTULO 13

Luana acorda. Um dia sem trabalho, valeria a pena. Uma noite só de música boa a esperava. E iria dançar a noite inteira. Nada de vampiros, ou amigos ciumentos, pelo menos por um dia. Ah! Ela se lembra. David também estará na discoteca. Droga. E agora?
Ela se levanta da cama , se espreguiçando. Tinha que começar o dia do melhor jeito. Ela caminha até a sala e coloca um CD no aparelho de DVD. Luana sorri. Eram apenas 9:00 hs. A madrinha só acordava às 11:00 quando era sábado. Iria matá-la.
Ela liga a televisão e coloca no canal de ligação com o DVD. A música de bom Jovi invade a sala com sua batida forte. Amava essa banda. Quando criança, tinha ido à um dos shows deles, de tanto implorar à madrinha. Luana vai saltitando até o quarto enquanto “You Give Love A Bad Name” preenche o ambiente.

Luana, dançando para lá e para cá, abre seu guarda-roupa e escolhe uma blusa preta, um pouco larga, e uma bermuda cinza. Ela tira a camisola e veste a roupa, ainda dançando. A música tinha um toque de culpa. Mas, culpa de quê? Será que seria culpa por não ter ficado mais tempo com Alan, na noite anterior? Não. A culpa falava de um homem culpando uma mulher por tê-lo seduzido e ele estar preso nessa armadilha, que era o amor por ela. Mas parecia David cantando para ela.
Luana balança a cabeça, tentando tirar aquilo da cabeça. Era um absurdo. Aquilo era apenas uma música, ponto. Não tinha que ficar pensando besteiras. Ela termina de trocar de roupa e alguém bate em sua porta. Era sua madrinha. Ih, ela acordou. 

 
Luana abre a porta e depara com o rosto enfurecido da madrinha. Quando dona Dolores ficava enfurecida, era melhor sair de perto. A música havia parado.
Luana sorri.
--- Bom dia, madrinha.
--- Bom dia? Você está ficando maluca, menina?
--- Por quê, madrinha? --- se finge de desentendida, passando por ela, indo em direção à cozinha americana.
Dolores a segue.
--- Porque você me acordou essa hora. Sabe muito bem que, aos sábados, eu acordo às 11:00.
--- Eu sei que aumentei muito o som da música, madrinha, mas me desculpe. --- Luana abre a geladeira e pega um suco. --- Café da manhã? --- oferece.
Dolores ri.
--- Você é impossível, menina.
Luana sorri.
--- Eu sei.
--- Prepare aí. Por enquanto, vou me ajeitar.
--- Está bem.
Luana vê a madrinha caminhar até o quarto e fechar a porta. Era estranho vê-la com aqueles bobs na cabeça se o cabelo era curto. Luana balança a cabeça e começa a encher dois copos com o suco de manga. Nem ela, nem Dolores gostavam de café ou chá, então sempre bebiam suco. De preferência, de manga. Ela pega o saco de pães que tem no forno e pega três para passar manteiga, depois esquentar na sanduicheira. Enquanto os pães estão esquentando, Luana vagueia a mente em algumas coisas. Uma delas é David. Por quê ele não queria ser ao menos seu amigo? O que havia de errado em serem somente bons amigos? Luana começa a roer as unhas, nervosa. Como é que conseguiria encará-lo na discoteca hoje à noite?

Dolores chega, um pouco mais arrumada, com seu vestido de casa.
Luana se lembra dos pães, saindo de seus pensamentos, e desliga a sanduicheira. Os pães estavam quentinhos e fresquinhos. Ela pega uma espátula e os tira, colocando em um prato grande.
--- Madrinha, a senhora quer um pão, ou dois?
--- Quero um. --- Dolores responde, já sentando no sofá.
Luana a olha, preocupada. Sua madrinha não conseguia ficar muito tempo em pé, devido as suas pernas já estarem fracas, e logo se sentava no sofá. As únicas ocupações que tinha era a de ver TV. Luana pega um prato pequeno e deposita o pão quentinho, pegando também o suco, e leva para a madrinha.
--- Aqui. Bem quentinho. --- Luana coloca o prato com o pão e o copo com suco em cima da mesa de centro. Ela vê que a madrinha está vendo Os Simpsons. --- Tem certeza que a senhora quer ver isso? Esse desenho é depravado.
Dolores pega o copo e dá uma golada no suco.
--- E o que tem de bom para ver?
Luana pega o controle remoto e muda pelos vários canais pagos, achando o Discovery Home And Health. Ela apoia o controle remoto no criado mudo.
--- Pronto.
--- Que canal é esse? Dá alguma novela?
--- Não, madrinha. Esse não tem novela, mas tem muitas programações legais.
--- Ah, sim.
Luana se lembra. Era hora do remédio. Ela corre até o banheiro, mal ouvindo as palavras preocupadas da madrinha, abrindo o armário com espelho, pegando o remédio. Ela volta correndo para a sala.
--- O que houve, menina? --- Dolores pergunta, preocupada, olhando assustada para ela.
Luana sorri para ela, mostrando o potinho branco.
--- Seu remédio. --- diz, e se senta no braço do sofá.
--- Ah.
Luana põe um na palma da mão e oferece para a madrinha, que pega de sua mão.
--- Coloca na boca e bebe o suco.
--- Eu sei o que é para fazer, Luana.
Luana vê a madrinha engolindo o remédio e tomando o suco para ingerir melhor.
--- Vou tomar meu café da manhã.
Luana levanta do braço do sofá e pega o prato grande com os dois pães quentes e o copo com suco se senta no tapete da sala.
--- Luana, sua doida, levante daí. O sofá é feito para sentar, sabia?
--- Mas eu quero sentar aqui, dinda.
--- Nada disso. Sente no sofá.
Quando dona Dolores teimava com algo, era melhor obedecer. Luana se levanta do chão e senta no sofá, fingindo estar emburrada.
--- E não me venha com essa cara. --- a madrinha devora o pão. --- Só vai comer isso?
--- Madrinha, eu estou com dois pães.
--- É pouco. Ontem você não jantou, lembra?
--- Não estava com fome. --- Luana abocanha um dos pães. --- Acho que não vou nem conseguir comer o segundo...
Dolores a olha, com repreensão.
--- Menina... Você não pode deixar de comer...
--- Não deixo de comer, dinda. --- Luana dá um gole no suco. --- No trabalho eu como.
--- Lá dão comida?
Luana sorri.
--- Claro que não, dinda. A gente que tem que comprar à parte. Fred, Nina e Jéssica gostam de comer juntos. Eu, não. Eu gosto mais de comer sozinha, então como na rua.
--- Come sobremesa também? --- Dolores pergunta, já acabando com o pão e bebendo o suco.
--- Que sobremesa? --- Luana ri. --- Não tenho dinheiro para isso não, dinda.
--- Então, por quê você não volta para casa para poder almoçar, sua boba?
--- Porque, aí, eu gastaria dinheiro de passagem. --- Luana fala, acabando com o primeiro pão.
A madrinha olha para a programação que está passando e suspira, voltando a olhar para ela.
--- Então, a partir de segunda-feira, você vai levar marmita.
Luana emburra a cara.
--- Ah, não, madrinha.
--- Por quê não, posso saber?
--- A senhora se cansa demais.
--- Minha querida, eu almoço, não é? É simples: eu faço o almoço, eu como, você come, e eu guardo um pouco mais para você levar para o trabalho. Simples assim.
Luana engole todo o seu suco.
--- Mas comer no trabalho é estranho. Detesto quando me veem comer. A senhora sabe disso.
--- Mas tem que comer! Não vai comer o outro pão?
--- Já enchi. --- Luana fala, passando a mão na barriga.
--- Nada disso. Vai comer. Ninguém mandou esquentar dois pães.
--- Dinda... --- Luana reclama, mas sem sucesso.
--- Come agora.
Era uma ordem. Então, era melhor obedecer. À contra gosto, Luana devora o pão todo, entretida no programa.
--- E ele?
--- Ele, quem?
--- David. --- Dolores fala, olhando para o programa.
Ah, não. Ela tinha que mencionar David agora? Por quê essa fixação por ele?

--- O que... O que tem? --- Luana gagueja, olhando para um ponto vazio.
--- Você disse que come na rua. E ele?
--- Não sei. --- Luana responde, querendo mudar de assunto. Não queria falar de David agora.
--- Luana. --- ela olha para a madrinha. --- O que está havendo? Por quê, quando eu pergunto sobre o David, você não gosta?
Ela dá um sorriso falso.
--- Quem disse que eu não gosto, madrinha?
--- Suas atitudes. Sempre quando eu falo dele, você quer mudar de assunto. O que foi que ele te fez?
Luana olha para sua madrinha. Havia preocupação em seu olhar. O que diria para ela? Que David era seu melhor amigo até ele praticamente surtar, há ano atrás? Eles eram tão amigos... O que será que tinha acontecido para ele começar a agir daquele modo rude? Desde então, conversar com David se tornara um desafio. Ele estava estranho, diferente, não o reconhecia mais. É claro que ele ainda era o David lindo de outrora, mas apenas a beleza exterior permanecera, porque a interior, não. Era triste vê-lo abalado, mas o que podia fazer? Ele a queria – palavras dele – mas ela já estava apaixonada por outro homem. Ele tinha que entender.

--- Luana. --- sua madrinha a chama, tirando-a de seus devaneios.
Ela olha para a madrinha, meio perdida.
--- Sim?
--- Estava te perguntando o que David te fez. Ele te tratou mal?
Luana dá um quase sorriso para a madrinha.
--- Não, madrinha. Ele nunca me tratou mal. --- ela tenta desviar o olhar, mas volta a olhá-la. --- É que ele...
--- Ele...? --- Dolores pergunta, sedenta por informação.
--- Ele mudou, madrinha. Não é mais o David de antes.
--- Como?
Luana abaixa a cabeça, tentando pensar em algo, mas nada sai. Ela pega seu prato e seu copo, aproveitando para pegar o prato e o copo de sua madrinha, levando para o balcão da cozinha. Ela os despeja na pia, ignorando a madrinha falando com ela.

--- Luana, não vou te chamar a terceira vez.
Ela suspira, e vai até a sala.
--- O que a senhora quer para o almoço?
--- O quê?
--- O almoço. Pode deixar, que eu faço.
--- Luana, me fale logo, menina!
--- Falar o quê, madrinha? --- ela baixa para pegar o remédio, que ainda está na mesa de centro. --- Não tenho nada para falar.
Dolores suspira.
--- Seja lá o que David fizer, você me conte. Está me ouvindo?
Ah, sim, até parece que ela iria contar.
--- Agora vou ver TV, já que você não quer me contar nada.
Luana dá graças em pensamento por sua madrinha ter desistido do assunto e caminha até o banheiro, depositando o remédio dentro do pequeno armário espelhado. Fechando a portinha do armário, Luana vê seu rosto. O que estava acontecendo com ela? Por quê tudo tinha que ser tão complicado assim? Por quê, mesmo se sentindo feliz, se sentia triste? Drácula a havia presenteado com um anel lindo e a fizera sua noiva, mas... por quê parecia que algo não se encaixava? 

Luana sai do banheiro e vai para a cozinha, fazer o almoço, vendo a madrinha bastante entretida na TV.
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Iriam dar 19:00 hs. Luana se olha no espelho do armário. Já estava toda produzida com seu vestido preto curto com babados e sua ankle boots preta. Os cabelos estavam levemente ondulados e a maquiagem estava um pouco carregada, especialmente para a noite. Pulseiras adornavam seus pulsos, dando um toque meio roqueira para ela, os brincos pendurados bem brilhantes. Estava realmente linda, pronta para arrasar. É claro que Fred não mencionara um horário certo, mas aquela hora era boa para sair. Só tinha que esperar a discoteca abrir, é claro.


Se Drácula pudesse vê-la assim, ele iria se apaixonar mais ainda, pensa brincando. Se apaixonar... Será que ele a amava? Será que o sentimento que ela sentia por ele era recíproco? Mas, a questão mais importante: realmente o amava?
Luana balança a cabeça, reprimindo o pensamento. É claro que o amava. Nunca sentira por qualquer um de seus namorados o que sentia por Drácula. E ele era tão gentil, tão cavalheiro, tão amoroso... Era óbvio que o amava!
--- Já está pronta, Luana? --- Dolores entra em seu quarto.
--- Já madrinha. --- Luana vira o olhar do espelho do armário para a madrinha. --- Estou bonita?
--- Vai pegar quem nessa festa?
Luana desata a rir.
--- Madrinha! Eu já sou noiva! --- ela mostra o anel de noivado adornando o anelar direito.
--- Está toda produzida... --- Dolores ri.
--- Vou curtir um pouco com os meus amigos. E amanhã seremos nós duas.
--- Nós duas, o quê?
--- Vamos passear um pouco amanhã, madrinha. A senhora precisa se exercitar um pouco. --- Luana fala, abrindo o guarda-roupa para guardar a maquiagem.
--- Mas você se lembra do que o doutor disse: nada de exercício.
Luana guarda toda a maquiagem na gaveta e olha para a madrinha.
--- Dinda, nenhum médico vai proibir que seus clientes se exercitem. Muito pelo contrário. Ele só disse para a senhora não exagerar.
--- Hum. Sei. --- a madrinha fala, teimosa.
Luana caminha até ela e aperta suavemente as bochechas da madrinha.
--- Não discuta, dona Dolores, porque posso ser tão teimosa quanto a senhora.
Dolores ri, desistindo de discutir com Luana.
--- Ok. Está bem. Mas, para onde vamos amanhã?
--- Para um parque. Vamos aproveitar e respirar um pouco a natureza. A senhora precisa disso.
--- Está bem.
Luana pega sua bolsinha preta de mão que está em cima da cama.
--- Então, madrinha, eu já vou. Vou direto para a casa da Jéssica. Nina também deve estar lá.
Dolores a pega pelo braço, impedindo-a de sair.
--- Não, não, não, mocinha.
Ela olha para a madrinha, sem entender.
--- O que foi, madrinha?
--- Você não sai daqui sem primeiro arrumar essa bagunça. --- dizendo isso, Dolores caminha até a sala e se senta no sofá.

Luana olha para o quarto. Aquilo estava uma bagunça! Francamente!



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