quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

A NOIVA DO DRÁCULA - CAPÍTULO 14



     A Noiva do Drácula

CAPÍTULO 14

David acorda. Estava com a cabeça latejando.


Ele se senta na cama, colocando a mão na cabeça. Depois da noite anterior, tudo parecia rodar. Mas era sempre desse jeito que se sentia depois de fazer suas proezas em frente ao quadro de Luana. Ele ri. Sempre que fazia aquilo parecia que se sentia ainda mais íntimo dela. Na noite anterior sonhara que a via vestida com uma camisola branca e a derrubava na cama, fazendo amor com ela. Só de pensar naquilo David olha para sua parte de baixo. Estava incrivelmente “acordado”, por assim dizer. Estava pulsando, e cada vez mais forte. Nossa, tamanha era a vontade de agarrá-la e ouvi-la gemer no seu ouvido. Queria aquela mulher com todas as suas forças, com toda sua consciência, toda sua alma.
David faz um esforço para se levantar e nota que o quarto está um pouco escuro.
Que horas tem?
David dá uma olhada no relógio de parede. Eram 19:30!


--- Mas que merda é essa? --- pula da cama, pegando sua calça que largara na noite anterior, vestindo-a. --- Shartene. Miranda!
David desce as escadas correndo e depara com seus tios sendo servidos pelas criadas.
--- São 19:30 mesmo? --- pergunta, em pânico.
--- Oh, boa noite, David. --- Alan o cumprimenta. --- Dessa vez, você dormiu bem.


--- O que aconteceu? Por quê eu dormi tanto?
Ivan olha para as pessoas presentes na sala, depois olha para David. O que é, afinal?
--- Você acordou de manhã, David?
David estranha a pergunta. Por quê estava lhe perguntando aquilo?
--- Não, não me lembro de ter acordado de manhã. Por quê? --- David pergunta, segurando a calça para não cair.
Alan, Ivan e as criadas se olham com um olhar cúmplice. Mas, o que eles estavam escondendo?
--- O que é? --- David os encara. --- Vamos, digam. O que vocês estão escondendo? Por quê não me acordaram?
--- Ora, que absurdo, David. --- Alan se queixa. --- Você sempre acordou sozinho, nunca precisou que alguém o chamasse.
David olha para o vazio. Vai ver, estava cansado ao extremo. Talvez fosse isso.
--- Ah, sim. Talvez, eu esteja cansado.
David vira as costas para ele e anda em direção à escada, quando Ivan fala.
--- Ou, talvez, possa ser outra coisa. --- Ivan ri. --- Está indo muito rápido, David.
David vira e o encara, ainda em cima do primeiro degrau. 

 
--- Sobre o que você está falando?
--- David, estou falando sobre você estar virando um vampiro.
David dá um sorriso torto.
--- Ah, sim. Agora me conte uma novidade.
--- E o que é virar vampiro para você, David? Acha mesmo que não irá passar noites sem dormir, que não vai poder mais se expôr ao sol? Ou, até mesmo, beber sangue?
David o encara. Não, não podia ser verdade. Sabia que viraria um vampiro, mas estava tudo indo rápido demais!
--- E-Então... --- ele engole em seco, tentando raciocinar direito. --- Você quer dizer que eu estou virando um vampiro de vez? Que eu não vou mais poder dormir de dia?
--- Sim. É um fato.
--- Um fato que você não pode negar, David. --- Alan completa. --- É só isso, meninas. --- Alan dispensa Shartene e Miranda depois de tê-los servido com café.
David observa o olhar de pena que elas dirigem a ele. Droga. Era dino de pena, realmente. Ogo, logo se tornaria uma aberração, aí sim, nunca mais teria Luana. Ela nunca iria querer nada com uma aberração como ele.



--- Mas isso está errado. --- David diz, ainda segurando a calça. --- Eu dormi de noite.
--- Mas não conseguiu acordar de manhã, ou à tarde. Talvez, seja o início da troca. --- Ivan diz.
--- Troca de quê?
--- Do que você chama de normal. --- Alan responde. --- Você acha que é normal dormir à noite e ficar acordado de dia, como qualquer humano. Mas a verdade é essa, David: você é um vampiro. Está no seu sangue.
--- Que sangue? Achava que eu era um mestiço, não um vampiro completo. --- David diz, com acidez na voz. Estava cansado daquela vida. Nunca saberia se era um vampiro ou um humano. Não pertencia a nenhuma daquelas raças mas, de alguma forma, estava interligado com elas. Era uma aberração, tinha que reconhecer.
Alan nota o rancor em sua voz e levanta as sobrancelhas. Sabia que, quando seu tio mais novo fazia aquilo, era porque iria levar um sermão.
--- Você é um vampiro, de qualquer modo, David. E pare com essas gracinhas. Sabe muito bem que nunca apoiamos a Elite por ter lhe maltratado.
--- Dane-se. --- David rosna. --- Mas nunca fizeram nada.
--- E o que você queria que fizéssemos, David? --- Ivan pergunta. --- Que revidássemos?
David já estava cansado daquele papo. Ele vira as costas para seu tio e começa a subir a escada. Tinha uma festa para ir, e não queria perder tempo com eles.
--- David, estamos falando com você! --- Alan o chama.
--- Falem entre si. Ou com as paredes, que tal? --- David continua subindo as escadas, sem olhar para os tios. --- Vou para o meu quarto, e não quero mais uma palavra sobre esse assunto! --- David entra em seu quarto e bate a porta, maneirando na força. Não queria quebrar algo mais com sua força descomunal.
Será que era verdade? Será que já estava acontecendo? Tão cedo?!
Merda, merda, merda! A vontade que tinha era de quebrar algo, mas tinha que se acalmar. David respira fundo e se deixa cair na cama. Tinha que pensar direito. Não podia dar vazão as emoções descontroladas. Tinha que saber se controlar mais. Ele olha para o retrato sorridente de Luana. Se ela soubesse o que estava acontecendo com ele... Já tinha que se acostumar com o fato de nunca tê-la para si. Principalmente depois de ela saber que ele era uma aberração. 


Mas, não. Não! Jamais desistiria da mulher que amava. Isso, nunca.
David se levanta num pulo e abre o guarda-roupa. Só tinha roupas escuras. Que se dane, iria com qualquer uma. Iria à essa discoteca e iria vê-la. Quem sabe até, roubaria um beijo? David sorri com o pensamento. Ele pega uma blusa preta de manga longa, um cinto e uma cala jeans. Pronto. Agora, era só preciso pegar um tênis. Iria mais informal. Afinal, iria para uma discoteca, não trabalhar. Era hora do banho. David tira sua calça que, por sinal, já estava caindo, e entra no chuveiro, nu. Ele deixa a água cair sobre ele e sua mente viaja em Luana. Essa noite iria ser diferente. Eles estariam em um clima mais informal; poderiam dançar, conversar, beber, curtir. Quem sabe até descobriria o porque dela estar tão distante. E saberia, também, o nome desse cara. Tinha que saber. Iria estrangular, ou até matar, o infeliz que lhe tinha roubado o amor de sua vida. Mas, com Luana, tudo tinha que ser perfeito. Tinha que reconquistá-la pouco a pouco. Não podia assustá-la.


David sai do banho e leva as roupas para o quarto, jogando-as na cama. Queria se vestir em frente ao retrato de Luana. Queria ver o rosto sorridente dela enquanto colocava peça por peça. Seria interessante vê-la admirando-o enquanto se vestia. Mesmo que não fosse ela ao vivo e à cores. 


O ruim era ter que encarar os rostos assustados de Shartene e Miranda ao vê-lo nu, como aconteceu uma certa vez. As duas entraram sem bater na porta e depararam com David "brincando", por assim dizer. Foi muito embaraçador. O bom é que elas o viam como uma espécie de filho, talvez. E mesmo se não vissem, ele só tinha olhos para Luana, e para mais ninguém.
David termina de se arrumar e se olha no espelho. Até que estava dando para o gasto. Hoje iria desistir das coisas que o preocupava, como o fato de virar um vampiro, e curtiria a noite ao lado de sua amada.
David finaliza seu visual com um toque de perfume e fecha a porta do quarto, se certificando que não está nada fora de lugar.


--- É hoje. --- ele promete a si mesmo.
David desce a escada e vê que seus tios ainda estão sentados, conversando. 
Eles não têm nada melhor para fazer?
--- Ora, ora, ora... --- Ivan sorri, avaliando o sobrinho. --- Vai para onde, assim, todo arrumado?
--- Está bem bonito, David. --- Alan o elogia. --- Vai namorar?
David sorri para os tios.


--- Talvez.
David pega a chave de seu carro pendurada numa pequena estrutura de madeira em formato de casa, com cinco pequeninos ganchos. Aquilo só podia ser coisa de Shartene e Miranda. Elas que gostavam de qualquer coisa que parecesse bonitinha.
--- Vai para onde? --- Ivan pergunta.
Intrometido, como sempre. 
--- Para uma discoteca. Dançar um pouco. 
Alan sorri para ele.
--- Que bom que você está fazendo amigos, David. É bom ver você mais descontraído.
--- Ah, sim. Obrigado. Mas, não sou tão amigo deles, se é o que pensam. Gosto de ficar mais no meu canto.
--- Entendo. --- Alan diz. --- Mas todos nós, sejamos humanos ou vampiros, temos nossos próprios jeitos de ser. E você tem o seu. Mas, cuidado para que isso não afaste as pessoas de você.
David encara o vazio. Será? Mas que se dane. O ruim seria afastar Luana. E isso era o que ele mais temia. Ele volta a encarar Alan.
--- Não se preocupe. Sei me virar.
--- Está sabendo que seu tio Alan está namorando, David? --- Ivan menciona, sorrindo para Alan.
David olha para seu tio Alan.
--- Ah, sim. Ele já me disse.
--- Ela está louquinha por mim. --- Alan abre um sorriso convencido.


David ri. Nunca achou que algum dos seus tios fosse se apaixonar. Bem, já que estava apaixonado... bom para ele.
--- Que bom para você, Alan. Bem, agora vou ter que ir. Até mais tarde.
--- Amanhã à noite ela vai vir aqui, jantar conosco.
--- Ah, sim. Legal. Até mais tarde.
David se vira para sair.
--- Só não chegue tarde, David. Não vamos dormir enquanto você não chegar. --- Alan fala, brincando.
David sorri para ele.
--- Ah, sim. Ou, no caso, enquanto o sol não chegar.
Seus tios eram legais, algumas vezes. Gostava deles. Mas, tinha tanta coisa o aborrecendo na vida que, às vezes, nem se lembrava. David fecha a porta e caminha até seu Camaro preto. Era hora de se exibir com o carrão. Será que Luana gostava de homens com carros bonitos? Mas, tivera aquele carro desde os dezoito anos, e ela nunca reparara - não especificamente. Não. Luana não era nenhuma interesseira. Sua amada era apenas uma menina assustada e inocente que tinha um pouco de medo dele - o porque, ele não sabia. Mas, teria que saber do que ela tinha tanto medo. Iria conversar com ela. E hoje, era a noite perfeita. 


David sorri com o pensamento. Hoje, Luana não iria escapar.
Ele entra no carro e dirige com velocidade pelos portões do jardins da mansão. Tinha uma ideia. Iria buscá-la em casa. David sorri. Ela iria ficar um pouco assustada, claro, mas aceitaria ir com ele. Por quê não? Era bom ter esperança de vez em quando, apesar de já estar perdendo todas.
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David chega na rua onde Luana mora. Nossa, tinha até saudade daquele lugar. Afinal, já tinha deixado de ir lá depois de ter levado uns foras velados de Luana, devido ao medo irracional dela por ele. Estava com saudades até mesmo de Dona Dolores. Aquela senhora era um tanto protetora em relação à afilhada, e um pouco arisca também, mas era uma pessoa muito boa. David suspira. Será que sua mãe seria assim, se estivesse viva?
Ele bate na porta. Parece que não tem ninguém. Ele bate a segunda vez. Ninguém atende. Quando vai bater a terceira vez, Dolores abre a porta. O sorriso dela vai de orelha à orelha.



--- Oh, David!
Ele sorri para ela.
--- Dona Dolores. Tudo bem com a senhora?
Ela o abraça e ele responde o abraço com uma forte emoção. Aquela senhora tinha sido como uma espécie de tia para ele. Gostava muito dela.
--- Como a senhora está? --- pergunta.
Ela ainda sorri e o olha como se não o visse há anos.
--- Bem. --- responde, encantada. --- Meu Deus, menino. Você aqui! Quanto tempo! --- ela abre a porta, o convidando para entrar. --- Venha, entre.
David entra.
--- Dona Dolores, é muito bom revê-la, mas eu vim aqui para buscar a Luana.
Ela o olha, não entendendo.
--- Buscar? Para quê?
--- Ela não disse? É uma discoteca que a galera marcou de ir, hoje à noite.
Dolores se lembra.
--- Ah, sim. Ela disse que os colegas do trabalho a convidaram para ir. Mas não disse exatamente em que lugar seria.
--- Nem eu sei. Para falar a verdade, marcamos de nos encontrarmos na casa da Jéssica, uma menina que trabalha lá.
--- Ah, sim. Aceita um cafezinho?
--- Não, não, dona Dolores. Não vou me demorar. Só vim buscar a Luana. Ela está?
Dolores o olha com uma cara de pena. Não me diga que ela saiu com o babaca do noivo!
--- Ah... --- ela parece hesitar. Será que era aquilo mesmo? Será que ela foi se encontrar com o noivo? Só de imaginar, já lhe dava raiva. Calma, David. Hoje você vai ter que se controlar... --- Ela já saiu. Parece que foi para a casa da Jéssica.
--- Ela saiu daqui com algum homem? --- David pergunta, interessado. Estava começando a ficar com raiva.
--- Não. Foi sozinha. --- ela o olha curiosa. --- Você já sabe?
Ele a olha, sem entender.
--- Sei? Sei do quê?
--- Luana está noiva. Ela não te contou?
David sorri, mesmo lembrando do acontecimento amargo.


--- Ah, sim, contou. --- ele contrai a mandíbula, contrariado. Tinha que esquecer esse assunto, antes que surtasse. --- Mas eu já vou, dona Dolores. Eles devem estar me esperando lá. --- ele sorri, amargamente. --- Talvez nem me esperem. Não sabem que estou indo.
--- Você não falou para eles que iria?
--- Não avisei.
Dolores e David caminham até a porta.
--- Foi bom te ver, meu filho. Saiba que te tenho como um filho. Sempre que quiser vir, pode vir. As portas sempre estarão abertas para você. --- Ela o olha com o que parece ser pena. --- Apesar de Luana estar um pouco estranha.
--- Não querendo falar de mim? Quando a senhora fala de mim, ela desvia do assunto? --- David sorri amargamente. --- Sei como é.
--- Mas o que houve, meu filho, para vocês brigarem? O que você fez à ela?
Como David responderia àquela pergunta, se nem ao menos sabia a resposta? Há um ano Luana ficara estranha com ele, e não sabia o por que. Queria que a situação mudasse, queria saber o por que de ela ter ficado daquele jeito. Mas, hoje à noite na festa, ele saberia.
Ele suspira e dá um sorriso tranquilizador para Dolores.
--- Eu não sei, dona Dolores. --- ele toca no ombro dela, em um gesto afetivo. --- Mas saiba que eu nunca, nunca faria mal à sua sobrinha. Ela é tudo para mim.
Ela o olha, estupefata.
--- David, você é...
Sabia exatamente o que ela iria perguntar, mas era melhor esquecer aquilo, por enquanto. Afinal, não adiantaria nada contar.
--- Esquece isso, dona Dolores. --- ele sorri para ela. --- Já vou. ---- David se inclina e beija o rosto dela. --- Foi bom ver a senhora.
--- Também, meu filho. --- Dolores sorri para ele. --- Venha me visitar de vez em quando. --- ela abre a porta para ele.
David sorri.
--- Pode deixar. Até mais, dona Dolores.
--- Até mais, meu filho.
David entra em seu carro e o liga. Foi bom ter reencontrado uma das pessoas que mais o trataram bem na vida. Ele suspira pesado. Era bom o fato de Luana não ter ido com o noivo. Mas será que ela o encontraria na festa? Será que eles iriam demonstrar afeto público lá? David assobia pelos dentes, nervoso. Bem, quem sabe se ele quiser um olho roxo? Nem que Luana deixasse de falar com ele, não permitiria outro homem a agarrando - ainda por cima na frente de todo mundo. Iria direto para casa de Jéssica. Ainda bem que sabia o endereço daquela intrometida. Iria para lá, e Luana iria para a discoteca com ele, no seu carro. Ela era somente sua, e tinha que mostrar isso para todos.
 

Give in to me - Michael Jackson

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