A
Noiva do Drácula
CAPÍTULO
14
David
acorda. Estava com a cabeça latejando.
Ele
se senta na cama, colocando a mão na cabeça. Depois da noite
anterior, tudo parecia rodar. Mas era sempre desse jeito que se
sentia depois de fazer suas proezas em frente ao quadro de Luana. Ele
ri. Sempre que fazia aquilo parecia que se sentia ainda mais íntimo
dela. Na noite anterior sonhara que a via vestida com uma camisola
branca e a derrubava na cama, fazendo amor com ela. Só de pensar
naquilo David olha para sua parte de baixo. Estava incrivelmente
“acordado”, por assim dizer. Estava pulsando, e cada vez mais
forte. Nossa, tamanha era a vontade de agarrá-la e ouvi-la gemer no
seu ouvido. Queria aquela mulher com todas as suas forças, com toda
sua consciência, toda sua alma.
David
faz um esforço para se levantar e nota que o quarto está um pouco
escuro.
Que
horas tem?
David
dá uma olhada no relógio de parede. Eram 19:30!
---
Mas que merda é essa? --- pula da cama, pegando sua calça que
largara na noite anterior, vestindo-a. --- Shartene. Miranda!
David
desce as escadas correndo e depara com seus tios sendo servidos pelas
criadas.
---
São 19:30 mesmo? --- pergunta, em pânico.
---
Oh, boa noite, David. --- Alan o cumprimenta. --- Dessa vez, você
dormiu bem.
---
O que aconteceu? Por quê eu dormi tanto?
Ivan
olha para as pessoas presentes na sala, depois olha para David. O
que é, afinal?
---
Você acordou de manhã, David?
David
estranha a pergunta. Por quê estava lhe perguntando aquilo?
---
Não, não me lembro de ter acordado de manhã. Por quê? --- David
pergunta, segurando a calça para não cair.
Alan,
Ivan e as criadas se olham com um olhar cúmplice. Mas, o que eles
estavam escondendo?
---
O que é? --- David os encara. --- Vamos, digam. O que vocês estão
escondendo? Por quê não me acordaram?
---
Ora, que absurdo, David. --- Alan se queixa. --- Você sempre acordou
sozinho, nunca precisou que alguém o chamasse.
David
olha para o vazio. Vai ver, estava cansado ao extremo. Talvez fosse
isso.
---
Ah, sim. Talvez, eu esteja cansado.
David
vira as costas para ele e anda em direção à escada, quando Ivan
fala.
---
Ou, talvez, possa ser outra coisa. --- Ivan ri. --- Está indo muito
rápido, David.
David
vira e o encara, ainda em cima do primeiro degrau.
---
Sobre o que você está falando?
---
David, estou falando sobre você estar virando um vampiro.
David
dá um sorriso torto.
---
Ah, sim. Agora me conte uma novidade.
---
E o que é virar vampiro para você, David? Acha mesmo que não irá
passar noites sem dormir, que não vai poder mais se expôr ao sol?
Ou, até mesmo, beber sangue?
David
o encara. Não, não podia ser verdade. Sabia que viraria um vampiro,
mas estava tudo indo rápido demais!
---
E-Então... --- ele engole em seco, tentando raciocinar direito. ---
Você quer dizer que eu estou virando um vampiro de vez? Que eu não vou mais poder dormir de dia?
---
Sim. É um fato.
---
Um fato que você não pode negar, David. --- Alan completa. --- É
só isso, meninas. --- Alan dispensa Shartene e Miranda depois de
tê-los servido com café.
David
observa o olhar de pena que elas dirigem a ele. Droga. Era
dino de pena, realmente. Ogo, logo se tornaria uma aberração, aí
sim, nunca mais teria Luana. Ela nunca iria querer nada com uma
aberração como ele.
---
Mas isso está errado. --- David diz, ainda segurando a calça. ---
Eu dormi de noite.
---
Mas não conseguiu acordar de manhã, ou à tarde. Talvez, seja o
início da troca. --- Ivan diz.
---
Troca de quê?
---
Do que você chama de normal. --- Alan responde. --- Você acha que é
normal dormir à noite e ficar acordado de dia, como qualquer humano.
Mas a verdade é essa, David: você é um vampiro. Está no seu
sangue.
---
Que sangue? Achava que eu era um mestiço, não um vampiro completo.
--- David diz, com acidez na voz. Estava cansado daquela vida. Nunca
saberia se era um vampiro ou um humano. Não pertencia a nenhuma
daquelas raças mas, de alguma forma, estava interligado com elas.
Era uma aberração, tinha que reconhecer.
Alan
nota o rancor em sua voz e levanta as sobrancelhas. Sabia que, quando
seu tio mais novo fazia aquilo, era porque iria levar um sermão.
---
Você é um vampiro, de qualquer modo, David. E pare com essas
gracinhas. Sabe muito bem que nunca apoiamos a Elite por ter lhe
maltratado.
---
Dane-se. --- David rosna. --- Mas nunca fizeram nada.
---
E o que você queria que fizéssemos, David? --- Ivan pergunta. ---
Que revidássemos?
David
já estava cansado daquele papo. Ele vira as costas para seu tio e
começa a subir a escada. Tinha uma festa para ir, e não queria
perder tempo com eles.
---
David, estamos falando com você! --- Alan o chama.
---
Falem entre si. Ou com as paredes, que tal? --- David continua
subindo as escadas, sem olhar para os tios. --- Vou para o meu
quarto, e não quero mais uma palavra sobre esse assunto! --- David
entra em seu quarto e bate a porta, maneirando na força. Não queria
quebrar algo mais com sua força descomunal.
Será
que era verdade? Será que já estava acontecendo? Tão cedo?!
Merda,
merda, merda! A vontade que
tinha era de quebrar algo, mas tinha que se acalmar. David respira
fundo e se deixa cair na cama. Tinha que pensar direito. Não podia
dar vazão as emoções descontroladas. Tinha que saber se controlar
mais. Ele olha para o retrato sorridente de Luana. Se ela soubesse o
que estava acontecendo com ele... Já tinha que se acostumar com o
fato de nunca tê-la para si. Principalmente depois de ela saber que
ele era uma aberração.
Mas,
não. Não! Jamais desistiria da mulher que amava. Isso,
nunca.
David
se levanta num pulo e abre o guarda-roupa. Só tinha roupas escuras.
Que se dane, iria com qualquer uma. Iria à essa discoteca e iria
vê-la. Quem sabe até, roubaria um beijo? David sorri com o
pensamento. Ele pega uma blusa preta de manga longa, um cinto e uma
cala jeans. Pronto. Agora, era só preciso pegar um tênis. Iria mais
informal. Afinal, iria para uma discoteca, não trabalhar. Era hora
do banho. David tira sua calça que, por sinal, já estava caindo, e
entra no chuveiro, nu. Ele deixa a água cair sobre ele e sua mente
viaja em Luana. Essa noite iria ser diferente. Eles estariam em um
clima mais informal; poderiam dançar, conversar, beber, curtir. Quem
sabe até descobriria o porque dela estar tão distante. E saberia,
também, o nome desse cara. Tinha que saber. Iria estrangular, ou até
matar, o infeliz que lhe tinha roubado o amor de sua vida. Mas, com
Luana, tudo tinha que ser perfeito. Tinha que reconquistá-la pouco a
pouco. Não podia assustá-la.
David
sai do banho e leva as roupas para o quarto, jogando-as na cama.
Queria se vestir em frente ao retrato de Luana. Queria ver o rosto
sorridente dela enquanto colocava peça por peça. Seria interessante
vê-la admirando-o enquanto se vestia. Mesmo que não fosse ela ao
vivo e à cores.
O ruim era ter que encarar os rostos assustados de
Shartene e Miranda ao vê-lo nu, como aconteceu uma certa vez. As
duas entraram sem bater na porta e depararam com David "brincando",
por assim dizer. Foi muito embaraçador. O bom é que elas o viam
como uma espécie de filho, talvez. E mesmo se não vissem, ele só
tinha olhos para Luana, e para mais ninguém.
David
termina de se arrumar e se olha no espelho. Até que estava dando
para o gasto. Hoje iria desistir das coisas que o preocupava, como o
fato de virar um vampiro, e curtiria a noite ao lado de sua amada.
David
finaliza seu visual com um toque de perfume e fecha a porta do
quarto, se certificando que não está nada fora de lugar.
---
É hoje. --- ele promete a si mesmo.
David
desce a escada e vê que seus tios ainda estão sentados,
conversando.
Eles
não têm nada melhor para fazer?
---
Ora, ora, ora... --- Ivan sorri, avaliando o sobrinho. --- Vai
para onde, assim, todo arrumado?
---
Está bem bonito, David. --- Alan o elogia. --- Vai namorar?
David
sorri para os tios.
---
Talvez.
David
pega a chave de seu carro pendurada numa pequena estrutura de madeira
em formato de casa, com cinco pequeninos ganchos. Aquilo só podia
ser coisa de Shartene e Miranda. Elas que gostavam de qualquer coisa
que parecesse bonitinha.
---
Vai para onde? --- Ivan pergunta.
Intrometido,
como sempre.
---
Para uma discoteca. Dançar um pouco.
Alan
sorri para ele.
---
Que bom que você está fazendo amigos, David. É bom ver você mais
descontraído.
---
Ah, sim. Obrigado. Mas, não sou tão amigo deles, se é o que
pensam. Gosto de ficar mais no meu canto.
---
Entendo. --- Alan diz. --- Mas todos nós, sejamos humanos ou
vampiros, temos nossos próprios jeitos de ser. E você tem o seu.
Mas, cuidado para que isso não afaste as pessoas de você.
David
encara o vazio. Será? Mas que se dane. O ruim seria afastar Luana. E
isso era o que ele mais temia. Ele volta a encarar Alan.
---
Não se preocupe. Sei me virar.
---
Está sabendo que seu tio Alan está namorando, David? --- Ivan
menciona, sorrindo para Alan.
David
olha para seu tio Alan.
---
Ah, sim. Ele já me disse.
---
Ela está louquinha por mim. --- Alan abre um sorriso convencido.
David
ri. Nunca achou que algum dos seus tios fosse se apaixonar. Bem, já
que estava apaixonado... bom para ele.
---
Que bom para você, Alan. Bem, agora vou ter que ir. Até mais tarde.
---
Amanhã à noite ela vai vir aqui, jantar conosco.
---
Ah, sim. Legal. Até mais tarde.
David
se vira para sair.
---
Só não chegue tarde, David. Não vamos dormir enquanto você não
chegar. --- Alan fala, brincando.
David
sorri para ele.
---
Ah, sim. Ou, no caso, enquanto o sol não chegar.
Seus
tios eram legais, algumas vezes. Gostava deles. Mas, tinha tanta
coisa o aborrecendo na vida que, às vezes, nem se lembrava. David
fecha a porta e caminha até seu Camaro preto. Era hora de se exibir
com o carrão. Será que Luana gostava de homens com carros bonitos?
Mas, tivera aquele carro desde os dezoito anos, e ela nunca reparara
- não especificamente. Não. Luana não era nenhuma interesseira.
Sua amada era apenas uma menina assustada e inocente que tinha um
pouco de medo dele - o porque, ele não sabia. Mas, teria que saber
do que ela tinha tanto medo. Iria conversar com ela. E hoje, era a
noite perfeita.
David
sorri com o pensamento. Hoje, Luana não iria escapar.
Ele
entra no carro e dirige com velocidade pelos portões do jardins da
mansão. Tinha uma ideia. Iria buscá-la em casa. David sorri. Ela
iria ficar um pouco assustada, claro, mas aceitaria ir com ele. Por
quê não? Era bom ter esperança de vez em quando, apesar de já
estar perdendo todas.
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David
chega na rua onde Luana mora. Nossa, tinha até saudade daquele
lugar. Afinal, já tinha deixado de ir lá depois de ter levado uns
foras velados de Luana, devido ao medo irracional dela por ele.
Estava com saudades até mesmo de Dona Dolores. Aquela senhora era um
tanto protetora em relação à afilhada, e um pouco arisca também,
mas era uma pessoa muito boa. David suspira. Será que sua mãe seria
assim, se estivesse viva?
Ele
bate na porta. Parece que não tem ninguém. Ele bate a segunda vez.
Ninguém atende. Quando vai bater a terceira vez, Dolores abre a
porta. O sorriso dela vai de orelha à orelha.
---
Oh, David!
Ele
sorri para ela.
---
Dona Dolores. Tudo bem com a senhora?
Ela
o abraça e ele responde o abraço com uma forte emoção. Aquela
senhora tinha sido como uma espécie de tia para ele. Gostava muito
dela.
---
Como a senhora está? --- pergunta.
Ela
ainda sorri e o olha como se não o visse há anos.
---
Bem. --- responde, encantada. --- Meu Deus, menino. Você aqui!
Quanto tempo! --- ela abre a porta, o convidando para entrar. ---
Venha, entre.
David
entra.
---
Dona Dolores, é muito bom revê-la, mas eu vim aqui para buscar a
Luana.
Ela
o olha, não entendendo.
---
Buscar? Para quê?
---
Ela não disse? É uma discoteca que a galera marcou de ir, hoje à
noite.
Dolores
se lembra.
---
Ah, sim. Ela disse que os colegas do trabalho a convidaram para ir.
Mas não disse exatamente em que lugar seria.
---
Nem eu sei. Para falar a verdade, marcamos de nos encontrarmos na
casa da Jéssica, uma menina que trabalha lá.
---
Ah, sim. Aceita um cafezinho?
---
Não, não, dona Dolores. Não vou me demorar. Só vim buscar a
Luana. Ela está?
Dolores
o olha com uma cara de pena. Não me diga que ela saiu com o
babaca do noivo!
---
Ah... --- ela parece hesitar. Será que era aquilo mesmo? Será que
ela foi se encontrar com o noivo? Só de imaginar, já lhe dava
raiva. Calma, David. Hoje você vai ter que se controlar... ---
Ela já saiu. Parece que foi para a casa da Jéssica.
---
Ela saiu daqui com algum homem? --- David pergunta, interessado.
Estava começando a ficar com raiva.
---
Não. Foi sozinha. --- ela o olha curiosa. --- Você já sabe?
Ele
a olha, sem entender.
---
Sei? Sei do quê?
---
Luana está noiva. Ela não te contou?
David
sorri, mesmo lembrando do acontecimento amargo.
---
Ah, sim, contou. --- ele contrai a mandíbula, contrariado. Tinha que
esquecer esse assunto, antes que surtasse. --- Mas eu já vou, dona
Dolores. Eles devem estar me esperando lá. --- ele sorri,
amargamente. --- Talvez nem me esperem. Não sabem que estou indo.
---
Você não falou para eles que iria?
---
Não avisei.
Dolores
e David caminham até a porta.
---
Foi bom te ver, meu filho. Saiba que te tenho como um filho. Sempre
que quiser vir, pode vir. As portas sempre estarão abertas para
você. --- Ela o olha com o que parece ser pena. --- Apesar de Luana
estar um pouco estranha.
---
Não querendo falar de mim? Quando a senhora fala de mim, ela desvia
do assunto? --- David sorri amargamente. --- Sei como é.
---
Mas o que houve, meu filho, para vocês brigarem? O que você fez à
ela?
Como
David responderia àquela pergunta, se nem ao menos sabia a resposta?
Há um ano Luana ficara estranha com ele, e não sabia o por que.
Queria que a situação mudasse, queria saber o por que de ela ter
ficado daquele jeito. Mas, hoje à noite na festa, ele saberia.
Ele
suspira e dá um sorriso tranquilizador para Dolores.
---
Eu não sei, dona Dolores. --- ele toca no ombro dela, em um gesto
afetivo. --- Mas saiba que eu nunca, nunca faria mal à sua sobrinha.
Ela é tudo para mim.
Ela
o olha, estupefata.
---
David, você é...
Sabia
exatamente o que ela iria perguntar, mas era melhor esquecer aquilo,
por enquanto. Afinal, não adiantaria nada contar.
---
Esquece isso, dona Dolores. --- ele sorri para ela. --- Já vou. ----
David se inclina e beija o rosto dela. --- Foi bom ver a senhora.
---
Também, meu filho. --- Dolores sorri para ele. --- Venha me visitar
de vez em quando. --- ela abre a porta para ele.
David
sorri.
---
Pode deixar. Até mais, dona Dolores.
---
Até mais, meu filho.
David
entra em seu carro e o liga. Foi bom ter reencontrado uma das pessoas
que mais o trataram bem na vida. Ele suspira pesado. Era bom o fato
de Luana não ter ido com o noivo. Mas será que ela o encontraria na
festa? Será que eles iriam demonstrar afeto público lá? David
assobia pelos dentes, nervoso. Bem, quem sabe se ele quiser um
olho roxo? Nem que Luana deixasse de falar com ele, não
permitiria outro homem a agarrando - ainda por cima na frente de todo
mundo. Iria direto para casa de Jéssica. Ainda bem que sabia o
endereço daquela intrometida. Iria para lá, e Luana iria para a
discoteca com ele, no seu carro. Ela era somente sua, e tinha que
mostrar isso para todos.
Give in to me - Michael Jackson
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