quarta-feira, 12 de junho de 2019

A NOIVA DO DRÁCULA - CAPÍTULO 51


Após Luana ter se acalmado um pouco, Nina a afasta suavemente e olha preocupada para ela.

- Luana. Você está bem?

Luana olha mais para cima e nota que Jessica e Fred tambem a encaravam com preocupação.
O que havia acontecido com ela para ter chorado tanto daquela forma? Não se lembrava da última vez em que seu coração estivera tão apertado pela dor. Mas, dor de que? O que estava acontecendo?
Luana assente e levanta-se devagar.

- Estou bem - ela diz. - Me desculpem.

- Você não tem que pedir desculpas por nada - Jessica diz e pega as mãos de Luana. - Estamos preocupados com você, Luana. O que houve para você ficar assim?

Luana respira profundamente.

- Nada demais - responde, evitando os olhares dos amigos. - Coisa boba.

- Luana, pare de mentir - adverte Jessica. - Se fosse uma simples coisa boba, você não estaria assim. Olhe para você. Seus olhos estão inchados!

Nina olha para o relógio de ponteiro pendurado na parede.

- Já está na hora de irmos embora. Vamos para um lugar mais sossegado, aí você conta o que realmente está acontecendo, ok? - ela diz para Luana.

Luana assente.
Não havia muita coisa a fazer, a não ser concordar com eles.

- Sim - Luana anda até sua mesa e pega sua bolsa. - Vamos?

* * *

Luana toma um gole de sua cerveja e olha para o bar lotado.
Aquele era o mesmo bar que eles tinham ido antes. Olhar para aquilo novamente a fazia ter lembranças das primeiras emoções que passara ao lado de David. Estranhamente, podia sentir o cheiro do perfume dele impregnado ali: Tobacco Vanille. Ou era mais uma coisa de sua cabeça, afinal, David não estava ali.
Luana olha para o lado e encara o hall de entrada que levava para os banheiros masculino e feminino. Lembrava-se claramente de sua boca sendo assaltada impiedosamente por David, enquanto o cheiro dele invadia suas narinas, deixando-a loucamente perturbada e fora de órbita. Não se orgulhava nem um pouco do que fizera, principalmente por causa de Nina. Mas, não podia negar que havia gostado do ataque dele - e muito.
Uma mulher andou até a jukebox e pôs uma moeda, logo escolhendo a música que invadiu o ambiente: "Take my breath away", da Berlin.
Luana dá mais um gole em sua cerveja. Não fazia sentido estar pensando tanto em David, sendo que faltava pouco para que ela se casasse. Mas era inevitável; cada ambiente daquele lugar lembrava a ele, e sua mente não parava de enviar imagens do jovem.
Nina volta para a mesa com um prato grande de batatas fritas.
Apenas ela a tinha acompanhado até o bar, pois Jessica se sentira mal no meio do caminho, e teve que ser levada para casa por Fred. Luana tinha achado estranho aquele súbito enjôo de Jessica. Será que teria uma pequena surpresa à caminho?
Nina sorri gentilmente para ela e se senta ao lado.

- Lembro-me bem desse lugar - disse. - Fiquei com um pouco de raiva de você.

Luana a encara confusa.

- Alguma coisa me dizia que havia algo entre você e David acontecendo - ela sorri. - Só que eu não queria enxergar isso.

Luana a encara boquiaberta.

- E como você sabe?

Nina toma um gole de sua cerveja e depois pega uma batata.

- A forma inquieta como você olhava para ele, o olhar fixo dele apenas em você... - Nina revira os olhos. - Não é tão difícil de descobrir. Eu apenas não queria aceitar.

Luana suspira profundamente.

- Eu sinto muito.

- Não, não sinta - Nina sorri. - Isso é passado. Agora, me conte o que está havendo.

Luana engole em seco. Não conseguiria fugir daquele assunto.

- Eu não sei o que está havendo comigo.

Nina a encara.

- Como assim?

- David... - diz Luana. - Não consigo parar de pensar nele... Desculpa, Nina.

Nina balança a cabeça.

- Já disse para você parar de pedir desculpas. Você não tem culpa do que sente. Ninguém tem, Luana - Ela pega outra batata. - Anda, coma.

Luana assente e pega umas batatas, apesar de não estar com tanta fome. Seu estômago estava embrulhado.

- Eu tinha me apaixonado pelo David em pouco tempo em que ele trabalhou lá na editora - Nina volta a falar. - Mas não conseguia de forma alguma demonstrar o que sentia por ele, ou até mesmo falar para ele. - Nina ri divertida. Luana também sorri. - Mas, mesmo que eu tivesse esperança de um futuro com ele, já sabia que ele nunca notaria em mim. E, para falar a verdade, já percebia que ele olhava muito para você.

Luana olha para a cerveja no copo.

- Ah, é?

- Ah, sim. - Nina toma outro gole de cerveja. - Então, você ainda está com seu noivo? Ou notou que David é melhor, e quis terminar?

Luana engasga e ri ao mesmo tempo.

- Não poderia abandonar meu noivo, Nina - ela responde.

Nina ergue as sobrancelhas.

- E por que não? David ainda parece te amar, vocês têm uma boa interação, você chorou por causa dele... - Nina olha atentamente para Luana. - Tem certeza que quer embarcar de vez nesse seu relacionamento, quando está com tanta dúvida?

Luana suspira exasperada.

- Não é dúvida... É que... - Ela mexe nervosamente no cabelo. - Não posso fazer uma coisa dessas com meu noivo. Ele é tão gentil e maravilhoso comigo... E eu também não sei o que realmente sinto por David.

Nina assente pensativa.

- Hum... Então, seria pena?

Luana franze o cenho.

- O que?

- Seria pena, isso que você está sentindo? - ela pergunta. - Você tem estado tão estranha esses dias... Acho que você andou sabendo algumas coisas em relação ao David, e agora sente compaixão por ele. Certo?

Luana encara fixamente a amiga. Não era a toa que Nina era vista como o "cérebro" da equipe. Mas, não considerava estar apenas com pena de David. Sentia mais do que uma simples compaixão. Mas, também, não diria que estava caída no amor por ele. Não, não era isso.

- David passou por algumas coisas ruins antes de vir da Romênia.

- Romênia? - Nina pergunta surpresa.

- Sim - Luana responde. - Ele passou um pouco da infância lá. Se é que eu chamaria aquilo de infância.

- E o que ele passou? - Nina dá um gole na cerveja.

Luana suspira.

Apesar de já ter contado para as amigas que era noiva de um vampiro, no fundo sabia que elas não haviam acreditado. Teria que ter cuidado de falar apenas o necessário.

- Ele foi maltratado na infância por pessoas que o consideravam diferente - ela diz simplesmente. - Por anos a fio, mesmo que estivesse rodeado dos tios e das criadas, David sempre esteve sozinho. Sem seus pais ao seu lado, e sem nenhum amor.

Nina a olha em lamento.

- Mas, e os tios dele? Não o deram amor?

Luana se põe a pensar.

- Um pouco. Mas do jeito deles.

Nina suspira.

- Entendo - ela diz. - Acho que tudo isso tem influenciado para ele ficar assim. Como da última vez que o vi.

Luana franze o cenho.

- Que vez?

- Ele já tinha se demitido do trabalho. E, incrivelmente, aquele não parecia ser o David que eu conheci. - Nina balança a cabeça. - Ele estava calmo, mas tão acabado...

Luana bebe o resto da cerveja numa só golada.

- Nós conversamos... - continua Nina. - E, mesmo que eu continuasse insistindo para que ele ficasse, ele não queria. Sei lá, parecia que algo o impedia de estar perto dos outros, sabe? Inclusive de você. - Nina observa Luana ficar inquieta ao ouvir aquilo. - Ele te ama muito, Luana. Disso eu tenho certeza.

Luana arqueja agoniada.

- Mas, o que eu deveria fazer, Nina? - ela pergunta mal mantendo a própria voz. - Eu não sei o que posso fazer...

Nina sorri e limpa uma lágrima que cai do rosto de Luana.

- Ai, amiga... Isso só você pode decidir.

* * *

Na mansão, David está sentado em sua cama enquanto se alimenta do sangue de animal de dentro da bolsa.
Estava com muita sede e, mesmo que não gostasse daquilo, teria que se alimentar. O sangue de Luana estava fora de questão, embora soubesse que nenhum outro se comparava ao sabor magnífico.
Trataria de mudar dali em diante. Já estava mais que na hora de tomar um novo rumo para sua vida. Tentar fazer a diferença.

Ele termina de beber a décima bolsa de sangue e a joga num canto, junto com as outras, Logo Shartene e Miranda apareceriam e o serviriam novamente.

David olha para o quadro à sua frente.
Não conseguiria esquecê-la. Jamais. Entretanto, não queria mais forçar o seu amor. Agir como um monstro possesso só a afastaria de si, além de que daria ainda mais razão para toda a maldita Elite pensar o pior ao seu respeito.

David suspira.
Não sentia-se cansado, ou com ódio de tudo e de todos. Agora sentia um fio de esperança na vida. Desde que ouvira a história de seus pais, pensava seriamente em mudar. E, talvez, voltar para a Romênia.

Alguém bate à porta. Devia ser Shartene e Miranda.

- Já estou indo.

David se levanta da cama e abre a porta, observando com surpresa seus tios à sua frente.

- Alan. Ivan... O que vocês querem?

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