sábado, 15 de outubro de 2022

AOP (parte 1) - capítulo 17




Miguel não podia acreditar no que estava vendo.

Depois de ter fugido com Natália, permanecido meses em outra cidade para não ser pego, o cruel destino havia colocado mais uma vez os membros do Instituto em seu caminho.

Não, não era destino. Ele não acreditava nessas coisas. Houve vezes em que sentira uma sensação de estar sendo vigiado e perseguido e agora fazia total sentido. Não era para menos, depois do ato criminoso que cometera. Certamente, Álvaro e Edgar estavam ali com a polícia por perto e não demoraria muito para sair de casa direto para a prisão.

Miguel nada conseguiu dizer, pois o choque de vê-los à sua frente o deixou brevemente mudo.

— Olá, Miguel. Como vai a vida? — Álvaro indagou sorrindo. Um sorriso de alguém que sabia que havia vencido. — Acho que todos esses meses em que esteve fora, você deve estar mais relaxado agora, certo?

Miguel continuou a encará-los, surpreso. As palavras não lhe vinham à mente.

— Afinal, para ter feito o que fez, você deve ter ficado com muito ódio, não é? De ser demitido — Álvaro disse o provocando e adorando a sensação de ver o homem que mais desprezava sem falas e assustado como um rato.

— Seja breve, Álvaro — Edgar pediu. — Não precisamos dessa embromação.

Álvaro sorriu, mais para Miguel do que para Edgar.

— Não é embromação, Edgar. Apenas estou fazendo algumas perguntas a Miguel, mas parece que ele ficou mudo de vez — Álvaro continuou a provocar.

Miguel conseguiu voltar a si, apesar do choque ainda continuar. Choque e raiva do que estava acontecendo.

— O que vocês estão fazendo aqui? — Miguel questionou, a voz grave.

— O que mais estaríamos fazendo aqui? — Álvaro indagou. — Viemos recolher todos os tubos de ensaio e componentes químicos que você roubou do Instituto. E prendê-lo, é claro.

Miguel tentou se controlar para não avançar em cima de Álvaro. As coisas já estavam complicadas demais para ter que fazer outra estupidez.

— Não sei do que vocês estão falando — Falou tentando ao máximo ser cauteloso.

— Não se faça de cínico, Miguel! — Edgar bradou irritado.

Como Edgar havia aumentado o tom de voz, Natália apareceu e colocou-se à frente do marido, estranhando a aparição dos dois homens desconhecidos na frente de sua casa.

— Miguel? O que eles querem aqui? — Ela perguntou sem entender.

— Natália, fique fora disso — Miguel murmurou entre dentes.

Natália olhou confusa para o marido.

— O que?

— Saia daqui. Agora — ordenou, a voz um pouco dura.

Natália conhecia aquela breve faceta de Miguel. Sabia que era uma personalidade rude e irritadiça que o marido mostrava quando estava muito bravo.

Ela olhou para os dois homens do lado de fora.

Aqueles homens deviam ser membros do Instituto e com certeza estavam ali para provocar Miguel. Mas o que eles queriam?, ela pensou preocupada.

— O que vocês querem com o meu marido? Já não basta o que vocês fizeram a ele? — Perguntou irritada com aqueles dois.

— E o que foi que o seu marido disse que nós fizemos a ele, minha querida? — indagou Álvaro olhando de soslaio para Miguel.

— Bem, ele disse que vocês roubaram a pesquisa dele e o demitiram sem motivo algum — ela respondeu na defensiva.

— Lamento desapontá-la e ter de lhe dar essa dor de cabeça, visto que está grávida — disse Edgar. —, mas seu marido mentiu. Ele não foi demitido por qualquer bobagem, mas porque quebrou as regras do Instituto.

Natália os encarou confusa e Miguel permaneceu calado. Seu olhar era de puro ódio.

— E se quebrar as regras é demitido, é isso? — Natália questionou irritada. — Pensei que houvesse advertências.

— E existem — Edgar respondeu. — Mas Miguel quebrou inúmeras regras do Instituto, o que claramente inclui todos os tubos de ensaio e componentes químicos exclusivos que ele trouxe para cá. Creio que já os tenha visto.

Natália ficou em silêncio. De fato, Miguel havia levado vários acessórios do Instituto para casa. Mas aquilo não justificava uma demissão.

— E, irritado com a demissão — que não havia sido feita por justa causa, aliás —, seu marido provocou um incêndio que quase levou o Instituto inteiro à baixo — Edgar disse.

Os olhos de Natália se arquearam. Não. Miguel não pôde ter feito aquilo, seria impossível.

— Vocês não têm nenhuma prova! — Miguel exclamou furioso.

— Provas? — Edgar repeliu. — Não há impressões digitais nos disjuntores dos equipamentos de energia que causou o incêndio, mas há câmeras. E elas captaram imagens suas indo para aquela parte. Isso contando com o fato que você saiu furioso de lá por ter sido demitido. Seu olhar de raiva era quase igual a este que você tem agora — Disse Edgar sentindo-se um pouco intimidado.

— Mas isso é uma completa bobagem. Meu marido jamais faria esse tipo de coisa! — Natália bradou irritada. — Eu o conheço e ele não é assim!

Miguel pôs a mão sobre o ombro da esposa.

— Acalme-se, Natália, e vá para o quarto — Disse ele com a voz um pouco mais controlada. — Você não pode se aborrecer nesse estado.

Natália desvenciliou-se do marido, ainda encarando os dois homens à sua frente.

— Não — Ela insistiu determinada. — Eles estão te acusando de algo que você não fez, e isso eu não vou aturar! — Ela sustentou os olhares dos dois homens sem hesitar. — Escutem aqui, o meu marido não fez nada de errado, eu o conheço e sei que ele é uma boa pessoa. Já vocês, diferente dele, o perseguiam o tempo inteiro dentro daquele instituto e nunca aprovaram nenhuma das inúmeras pesquisas que ele criou. E agora que dá tudo certo, e o tamanho da minha barriga pode provar, vocês tiram a pesquisa que ele fez e o enxotam como se ele não fosse nada?

— O que o seu marido é para os outros, talvez não seja para a senhora — disse Edgar sem deixar se abalar. — Mas, sim, há provas, pois há imagens registradas nas câmeras de vigilância. Lamento ter que passar por essa situação, mas seu marido será acompanhado até a delegacia e todos os acessórios do Instituto serão confiscados e apreendidos.

Os olhos de Natália se arregalaram pelo desespero e ela estendeu os braços numa tentativa de proteger Miguel.

— Não. Vocês não vão levá-lo daqui! — Falou aflita.

Natália sentiu uma enorme vontade de chorar. Se Miguel chegasse a ser preso pelo que aqueles dois homens estavam o acusando, eles ficariam longe um do outro e Miguel poderia permanecer por anos atrás das grades.

Edgar ignorou a aflição de Natália e encarou Miguel duramente.

— Poderíamos evitar toda essa situação. Por sua culpa, Dr. Linsmeyer esteve internado por três meses no hospital dado a inalação de fumaça — Edgar acusou.

Miguel não demonstrou nenhum tipo de expressão, apenas seu olhar refletia todo o ódio que estava sentindo.

— Precisando da esposa grávida para defendê-lo — Álvaro sorriu de modo sarcástico para Miguel. — Típico de sujeitos como você.

Miguel o encarou pelo que pareceu um longo tempo.

— Eu juro por Deus... — Murmurou, a voz mortal. — Eu vou acabar com você!

O sorriso de Álvaro ampliou-se.

— Isso, me ameace. A sua situação já está bastante complicada e me ameaçando desse jeito vai agravar ainda mais — Álvaro provocou sem se abalar.

— Fora da minha casa! — Natália bradou. — Saiam daqui agora e não voltem mais!

Álvaro tomou a frente.

— Só sairemos daqui para levar o seu marido direto para a delegacia... — Álvaro foi interrompido por Edgar que pôs o braço na frente do colega para impedí-lo de continuar. Álvaro o encarou confuso. — Edgar?

— Tudo bem, sairemos — Edgar falou para Natália e olhou para Miguel. — Não o levaremos para a delegacia, apesar de você merecer pelo que fez. Mas a sua demissão será remetida para demissão por justa causa e nunca mais poderá trabalhar em qualquer instituto de ciências — e isso inclui tomarmos de volta todos os acessórios e componentes químicos que você roubou do Instituto.

Miguel não conseguia demonstrar qualquer expressão, mas algo dentro de si urrava de ódio e desespero, querendo quebrar tudo que encontrasse pelo caminho e uma enorme vontade de chorar.

— Não agora — Edgar continuou e fitou brevemente a barriga redonda de Natália. —, pois queremos evitar maiores problemas. Mas brevemente estaremos de volta para recolher todos.

Álvaro encarou o colega com surpresa e indignação. Era claro que Álvaro queria mais que aquilo que Edgar dissera. Ele queria a ruína total de Miguel.

Edgar ignorou o protesto silencioso do colega e virou-se para se retirar, mas antes olhou para Miguel por cima do ombro.

— Isso tudo poderia ter sido evitado, Miguel. Daqui para frente, comece a fazer as coisas corretamente, e não por raiva ou impulsividade — Disse e saiu.

Miguel nada disse e nada fez, a não ser encarar o maldito à sua frente.

— Isso não vai ficar assim, Miguel — Álvaro disse com um misto de satisfação, por Miguel ter perdido o que mais almejava, e raiva de Edgar por não tê-lo arrastado para a cadeia, que era o que ele merecia. — Você ainda pagará muito caro. E é melhor que você não tente esconder os acessórios do Instituto, pois, da próxima vez, viremos acompanhados pela polícia para confiscar tudo.

— Pelo amor de Deus, vá embora — Natália suplicou com a voz chorosa.

Álvaro a olhou de soslaio.

— Com licença — Pediu e também retirou-se.

Natália não perdeu tempo e fechou a porta, trancando-a logo em seguida. Ela voltou-se para Miguel e olhou com compaixão para o amado que parecia estar em transe.

— Miguel...

Miguel piscou algumas vezes, olhando para o vazio.

— Eu perdi... — Ele falou vagamente. — Eu perdi.

— Descanse um pouco, meu amor — Natália pediu e apoiou suas mãos nos ombros do amado, mas Miguel desvenciliou-se.

Ele a fitou. Seu olhar era vazio.

— Não me olhe com pena, Natália — Disse ele, a voz rouca. — Compaixão de você é a última coisa que quero.

Natália olhou atentamente para o rosto do marido e sentiu vontade de chorar.

Miguel não queria transparecer qualquer emoção, mas dava para notar a raiva e o sofrimento refletidos nos olhos dele. Ele estava perdido, sem saber o que fazer, o sentimento de perda o destroçando por dentro.

Ela engoliu em seco numa tentativa de controlar suas emoções. Miguel precisava ser consolado, não ele ter de consolá-la.

— Eu sei. Apenas descanse e esqueça o que aconteceu agora — Natália tentou confortá-lo. — Já fiz o almoço e daqui a pouco colocarei a sua comida, se você quiser.

— Tentar esquecer? — Ele olhou para ela. — Como eu vou esquecer isso, Natália?

Natália se pôs em silêncio. O que poderia dizer?

— Não diga o que você não sabe, por favor. — Miguel pôs a mão sobre a cabeça que estava doendo. — Aliás, você não sabe de muita coisa — disse sombrio.

Natália o fitou atentamente e algo dentro de si sentiu um pouco de temor.

Ela não acreditava em uma palavra sequer daqueles dois homens, mas uma pequena voz interior dizia-lhe que havia muito mais, não só naquela história da pesquisa e na demissão de Miguel, como também na própria vida dele. Coisas que ele fazia sem ela por perto, segredos que talvez ele nunca tenha lhe contado. E aquele olhar sombrio dele confirmava seu recente pensamento. Não duvidava da inocência do marido, mas aquilo era tão confuso e estranho. Miguel pareceu notar a confusão no olhar dela.

— Você não acredita em mim, não é? Disse tudo aquilo apenas da boca para fora — Miguel perguntou, encarando-a intensamente, mas o olhar vazio ainda permanecia. — Para me defender.

Natália fitou o marido, preocupada.

O corpo dele estava mole, ainda parado de frente para a porta. Era como se tivessem roubado a sua alma, sua razão de viver.

— Eu acredito em você — Ela disse de modo firme, ocultando a recente inquietação dentro de si. — Não acredito em uma palavra do que aqueles homens disseram, se é o que te preocupa. Afinal, por que eu acreditaria neles? Eu sei que eles só queriam te destruir, principalmente aquele mais alto.

Miguel assentiu vagamente.

Até mesmo Natália havia percebido o quanto Álvaro era um maldito desgraçado que só queria a sua ruína.

— Natália, vá comer — Ele ordenou saindo aos poucos de sua paralisia emocional. — E, por favor, não me chame.

Natália observou o marido dar passos lentos e vagos na direção do porão.

— O que você vai fazer? — Ela interrogou.

Miguel não parou.

— Aqueles malditos me disseram que eu nunca mais vou conseguir trabalhar em qualquer instituto de ciências. Bem, eu vou mostrar a eles que quem faz o meu futuro sou eu.

Natália nada pôde fazer a não ser ver o marido abrir a porta do porão e desaparecer lá dentro, a postura cabisbaixa.

Miguel não iria recolher os acessórios do Instituto, ele iria fazer mais pesquisas para continuar tentando ser um grande cientista, ignorando completamente as exigências daqueles dois outros homens.

Por um lado, sentia-se orgulhosa em vê-lo continuar determinado, apesar de tantas pressões; por outro, sua aflição crescia cada vez mais, pois algo lhe dizia que coisas ruins estavam para acontecer.


Um tempo se passou. Miguel continuava com seus experimentos, Álvaro e Edgar ainda não haviam aparecido, e Natália sentia-se mais sozinha do que nunca.

Desde que os dois cientistas haviam aparecido em sua casa, Natália teve de ver o marido trancar-se dentro do porão todos os dias. Miguel não parecia ter qualquer noção de horário para começar ou terminar o que tanto precisava. Algumas vezes, Natália o via trancar-se naquele lugar de manhã cedo e, em outras vezes, de madrugada. Ele mal se alimentava e nem mesmo tentava parar um pouco para dar atenção a ela, ou até mesmo descansar, que era o que ele precisava. Fazer amor? O corpo de Natália sentia tanta falta dele, de seus abraços, do corpo quente dele preenchendo o seu. Nem sequer um simples beijo ele lhe dava mais.

Natália sentia-se tão frustrada e triste por aquilo tudo que estava acontecendo, pois fazia parecer que a culpa do sofrimento de Miguel também era dela.

Em mais um daqueles dias torturantes, Natália estava sentada à mesa, a expressão cansada e pensativa. Viu Miguel ter mais uma das curtas saídas do porão e tratou de ser rápida, pois logo ele voltaria a se trancar naquele lugar, sem querer se alimentar ou sequer olhar para ela.

— Miguel! — Ela o chamou, a voz suplicante.

Miguel a fitou.

Natália sentiu o choro entalado na garganta ao olhar para o marido.

Ele estava muito magro, os olhos fundos e vazios, as roupas largas e surradas, o cabelo desarrumado. Miguel não se parecia em nada com o homem que sempre amou, mas apenas um fantasma dele, um morto-vivo.

— O que? — Ele perguntou, a voz grave e arrastada.

O que eles haviam feito com o seu marido?, Natália perguntou-se silenciosamente, os olhos marejados pela dor de vê-lo daquela maneira.

Ela levantou-se da cadeira e foi ao encontro do marido.

— Miguel — Ela o alcançou e olhou no fundo dos olhos que tanto amava, ou o que pareciam ser a sombra deles. — Miguel, pelo amor de Deus, pare com isso.

— Isso o que? — ele perguntou indiferente.

— Isso! — ela falou afoita. — Tudo isso que você está fazendo! Você só sabe se trancar naquele porão e idealizar suas pesquisas. Não come, não dorme, nem mesmo fica comigo!

Natália não pôde controlar a emoção. Lágrimas caíram de seus olhos, tamanho era o desespero de ver o marido daquela forma.

— Eu não aguento mais! Eu quero que você fique comigo, que faça amor comigo, que me dê atenção, que cuide de mim — disse, a voz tremida.

Miguel nem mesmo parecia se importar, a expressão fria e vazia; a casca de um homem.

— Quero que me conte os seus segredos, o que você sente. — Natália levou as mãos ao rosto que tanto amava. — Converse comigo, por favor.

Miguel continuou a encará-la, com a mesma expressão, e pegou as mãos dela, soltando-as de seu rosto.

— Eu estou bem — Ele disse. — Vai tudo ficar bem, confie em mim.

— Como você diz que "está tudo bem e tudo vai ficar bem" com você agindo dessa forma, Miguel? Você está fraco, não come nada, fica trancado naquele lugar o dia inteiro. — Natália suspirou frustrada. — Eu não aguento mais te ver assim.

Miguel também suspirou e fechou os olhos por um breve momento.

— Eu tenho que fazer isso — Ele insistiu. — Tenho que garantir um bom futuro para você e o nosso filho, e você sabe que essa é a profissão que eu sempre quis e sonhei. Não serei um perdedor, Natália. Nem mesmo deixarei que aqueles malditos ditem o meu futuro e o que devo ou não ser.

— Mas...

— Para algo dar certo, sacrifícios devem ser feitos — ele a interrompeu. — E não vou parar o que estou fazendo por causa de ninguém. Nem mesmo de você.

Sim, a casca de um homem. O homem parado à sua frente tinha o corpo de Miguel, mas sem a alma viva e alegre dele. Mais uma vez, ele estava se sacrificando por um instituto, por uma profissão que nada lhe dava em troca, pelo contrário; apenas o destruía cada vez mais.

— Está me dizendo que prefere essas pesquisas a mim e ao nosso filho? — Natália perguntou descrente e indignada.

Miguel suspirou impaciente.

— Eu não disse isso. — Ele deu as costas para ela, voltando na direção do porão. — Agora me deixe em paz. Eu sei o que estou fazendo.

— Não, você não sabe — Natália disse tentando enxugar as lágrimas. — Mas, no fundo, você sabe que todas essas pesquisas e insistência da sua parte estão acabando com você.

Miguel parou sem olhar para ela.

— Há muitas coisas contrárias acontecendo na minha vida, Natália. Espero que você também não seja mais uma a me contrariar.

Natália fitou as costas dele sem entender, vendo o marido mais uma vez desaparecer no cômodo escuro e trancar a porta. Contrariá-lo? Sobre o que ele estaria falando?

Como num gesto impulsivo, suas mãos foram direto à barriga enorme.

O bebê... Miguel ainda queria um filho homem e não havia mudado de ideia. Mas como ela poderia controlar aquilo? Não era ela quem determinava se a criança nasceria menino ou menina. Mas algo dentro dela começou a temer toda a situação. Miguel já estava arrasado demais com tantas coisas dando errado em sua vida. Ela conhecia o marido e sabia o quão frustrado e irritado ele podia ficar com coisas contrárias ao que planejara antes. Certamente, Miguel não ficaria satisfeito se a criança nascesse uma menina, o que talvez poderia causar uma possível separação?

Natália afastou o pensamento obscuro, achando ridícula toda aquela imaginação.

Ela não precisava exagerar, Miguel não faria nada demais. Ele estava frustrado, sim, e muito estressado com tudo o que estava acontecendo. Mas ela tinha a certeza de que ele era uma boa pessoa e jamais a abandonaria por uma bobagem como aquela ou por qualquer outro motivo.

Esse foi o pensamento final de Natália, embora estivesse com muito receio do que ainda estivesse por vir.

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