terça-feira, 28 de maio de 2019

A NOIVA DO DRÁCULA - CAPÍTULO 31





Ivan o encarou com total descrença.
– Ești nebună, Vlad? (Você está louco, Vlad?)
De certa forma, Ivan estava certo. O que, afinal, estava acontecendo com ele? Sentia um profundo sentimento de proteção em relação à Katherine, e seus laços com ela eram muito fortes. Mas nada explicava aquela raiva que estava sentindo.
Ele respirou fundo e soltou o braço de Ivan.
– Iertare. (Perdão.)
Ivan o encarou.
– De ce a acționat în acest fel? (Por que agiu dessa forma?)
Vlad o encarou friamente.
– Am văzut cum se uita la ea. (Vi como olhou para ela.)
– Și cred că o să-l iau de la tine? (E acha que vou tomá-la de você?) – Ivan perguntou em descrença.
Vlad contraiu a mandíbula.
– Nu putea ... Sau este? (Não seria capaz... Ou seria?)
– Nu, Vlad. (Não, Vlad.) – Ivan respondeu. – N-am luat nimic pentru fratele meu. Mai ales știind că este atașat la ceva atât de banal. (Jamais tomaria algo de meu irmão. Principalmente sabendo que ele é apegado a algo tão banal.)
– Cum îndrăznești să vorbești ca ea? (Como ousa falar assim dela?) – Vlad rosnou.
– Eu nu spun. Și da, ceea ce simțiți. (Não me refiro a ela. E, sim, ao que você está sentindo.) – Ivan disse, fazendo Vlad encará-lo com desconfiança. – Acest sentiment uman pe deplin. (Esse sentimento totalmente humano.)
– Ce vrei să spui? (A que se refere?)         
– Știu că ești îndrăgostit de ea, Vlad. Acesta este un fapt. (Sei que está apaixonado por ela, Vlad. Isso é um fato.)
Vlad ergueu as sobrancelhas, encarando seu irmão mais velho como se ele fosse louco.
– Ce spui? (O que está dizendo?) – Disse rápido. – Nu mă simt aceste lucruri. (Não sinto essas coisas.)
– Într-adevăr, nu am fost să se simtă. Dar, se pare că, te simți. (Realmente, não éramos para sentir. Mas, pelo visto, você sente.)                                     
– Nu spune prostii. (Não diga tolices.) – Vlad desviou o olhar.
– Ar fi o prostie dacă nu ai avea acest sentiment de proprietate asupra ei. (Seria tolice se você não tivesse esse sentimento de posse sobre ela.)
Vlad voltou a olhá-lo.                                                  
– Posse. Așa cum. (Posse. Apenas.)
– Spune-i cum vrei. Dar, cred că ești mai uman decât un vampir. (Chame como quiser. Mas acho que você está mais para humano do que para um vampiro.)
Vlad bufou com descrença. Era total tolice aquilo que Ivan estava dizendo. Ou ele só estava dizendo aquilo para tentar enganá-lo.
Tinha notado bem o olhar de admiração de Ivan por Katherine. Com certeza ele a queria, mas logo o colocaria em seu lugar.
– Spune ce vrei. Dar, oricum, Ivan, ea mea. (Diga o que quiser. Mas de qualquer forma, Ivan, ela é minha.)
Ivan balançou a cabeça em sinal de derrota.
– Știu, Vlad. Pur și simplu nu mai încerca să mă vadă ca o amenințare, acum doar l-au ajutat.(Eu sei, Vlad. Apenas pare de tentar me ver como uma ameaça, pois agora pouco lhe ajudei. )
– Și eu sunt recunoscător. (E sou grato.)
Ivan suspirou.                                               
– Bine. O să te las în pace. Dar, nu întârzie, sau tatăl nostru va urma ta. (Tudo bem. Vou deixá-los a sós. Mas não demore, ou nosso pai irá atrás de você.)
– Ți-am spus ce trebuie să facă Shartene și Miranda. (Já disse para vocês o que Shartene e Miranda devem fazer.) – a expressão de Vlad suavizou. – Não se preocupe. Logo estarei lá.
Ivan assentiu e partiu em direção ao palácio.

* * *

– Vlad já estava desconfiando de mim. – Ivan diz para Luana. – Ele achava, de alguma maneira, que eu pudesse tomar Katherine.
– E a desconfiança parou por ali? – ela pergunta.
Ivan suspira.
– Bem, era o que eu pensava.
Luana se inclina um pouco para a frente.
– Você se apaixonou por ela?
Ivan demora a responder.
– Naquela época não tinha percebido.
Luana fica em silêncio. Quem diria, o tio de David foi apaixonado pela mãe dele.
– Entendo. – Luana diz. – E por que se apaixonou por ela?
Ivan olha para o vazio, procurando por alguma resposta.
– Eu ainda não havia me apaixonado por ela naquela época. – Ele diz. – Mas, se quiser saber... Ela era completamente linda – não só no exterior. Era morena e bela como você. Seus cabelos eram negros e enormes. – ele sorri. – Tecnicamente, acho David mais parecido com ela.
– E isso não te afetou? Ver a mulher que amava com outro?
– Já disse, Luana. Eu não era apaixonado por ela naquele meio tempo. Só fui perceber o que sentia depois... E, mesmo assim, não queria ficar como meu irmão. Além do que, temia muito meu pai e a Elite.
Luana assente e suspira.
Aquela história lhe lembrava muito o que estava acontecendo entre David, Alan e ela. Porém, diferente de Ivan, David parecia não se conformar. E pelas evidências, ele era bem parecido com o pai.
– Ele voltou a desconfiar nas outras vezes?
Ivan voltou a se mexer na cadeira, desconfortável.
– Desde aquele dia, Vlad não parecia mais o mesmo, Luana. Ele estava completamente obcecado por ela. – Ivan mexe em sua xícara e vê que o café não está mais quente. – Ah, não. Shartene, Miranda!
As criadas aparecem rapidamente na sala.
– Levem nossas xícaras. O café esfriou.
– Ouí, milorde. – Shartene assente e pega a xícara de Vlad que está em cima da mesa de centro.
– Com sua licença, milady.
Miranda aponta para a xícara que está na mão de Luana.
– Oh, sim. – Luana assente. – Obrigada.
Shartene e Miranda voltam a ir para a cozinha, deixando novamente Ivan e Luana a sós.
– Ivan. – Luana volta a falar. – Diga-me. Como ele era?
– Ele, quem? Vlad?
– Sim.
Ivan franze o cenho.
– É um pouco estranho dizer que ele era igual ao David.
– Por que?
– Bem... – Ivan mexe no queixo. – Vlad era tão intenso quanto David. Mas era muito mais humorado, e parecia querer conquistar tudo e todos com seu belo charme. – ele sorri.
– Então, ele era o oposto de David. – ela diz secamente.
– Não é bem assim. – Ivan diz. – Se for pra comparar tudo que David viveu com o que Vlad viveu, poderemos até entender por que David é assim. Vlad já nasceu como um vampiro, não lamentou a morte de alguém querido – pelo menos, não antes de Katherine. Além do que, nunca fora rejeitado por ninguém.
Luana sustenta o olhar intenso de Ivan. Sabia exatamente ao que ele estava se referindo. E agora estava tendo provas de todo o tormento pelo qual David havia passado. E, por mais que doesse, queria saber mais da história dele.
– Entendo. – Ela desvia o olhar rapidamente. – E como vocês fizeram para seu pai não descobrir que Vlad estava com Katherine?
– O plano de Vlad deu certo. Shartene e Miranda fizeram como eu havia dito, e papai nem havia reparado sua ausência. Depois, ele voltou e passou o resto da noite até a manhã lá no palácio. Acho que ele havia fugido para o casebre de madrugada no dia seguinte.
Luana sorri.
– Ele a amava mesmo, não é?
– Ele dizia que não, mas eu tinha certeza que sim. Principalmente por causa do que havia acontecido três meses depois.
– E o que era?
Ivan a olha fixamente.
– Katherine estava grávida.

* * *

Vlad entrou no quarto onde Katherine ficava segurando duas rosas que ele acabara de pegar no campo e as colocou em cima da mesa, onde tinha o lanche que ele pedira para Shartene e Miranda colocarem mais cedo. Ele a viu deitada com uma mão apoiada na barriga e os cabelos espalhados sobre a cama, e sorriu.
Fizeram-se três meses desde que Ivan dissera que ele estava apaixonado por Katherine, e naquele momento sabia que não era mentira. Não tinha mais como continuar negando o que sentia por ela, pois só de vê-la perdia o fôlego. Não, aquilo não era somente um sentimento de posse ou de proteção; era amor. Ainda não entendia por que estava sentindo um sentimento tão humano, mas não queria mais lutar contra.
Ele caminhou até a cama dossel, e se abaixou perante aquela linda visão.
Sua beleza era pura, como algo angelical, e sua respiração era rasa. Katherine, com toda certeza, não era uma mulher comum.
Ela abriu os olhos lentamente e virou a cabeça, vendo Vlad ajoelhado, olhando para ela como um falcão. Ela sorriu para ele.
– Alo. (Olá.)
Ele também sorriu.
– Alo. (Olá.)        
Katherine sentou-se na cama.
– Este acum? (Chegou agora?)
– Da. (Sim.) – ele disse. – Am adus ceva pentru tine. (Trouxe algo para você.)
– Ce este? (O que é?) – ela perguntou com a voz doce.
Vlad levantou-se e caminhou até a mesa, pegando uma bandeja de prata que continham um bolo de cenoura, um suco de laranja, e as duas rosas vermelhas que ele havia pego. Ele apoiou a bandeja nas pernas dela.
– Multumesc, Vlad. (Obrigada, Vlad.) – Ela sorriu agradecida. – Nu ar trebui să fie ușor pentru tine de a avea întotdeauna să meargă la oraș obține alimente pentru mine. (Não deve ser fácil para você sempre ter que ir até a cidade buscar mantimentos para mim. )
Vlad sentou-se perto dela na cama.
– Nu este nevoie să-i mulțumesc. Eu fac acest lucru pentru tine, și încă mai doresc să facă mai mult. (Não precisa agradecer. Faço isso por você, e ainda quero fazer muito mais.)
– Tot ce cer? (Qualquer coisa que eu pedir?) – ela mordeu um pedaço de bolo.
– Chiar nu cereți. (Até mesmo o que não pedir.) – ele disse olhando enfeitiçado para ela. – Voi face orice pentru tine, Katherine. (Faço qualquer coisa por você, Katherine.)
Ela sorriu e bebeu o suco.
– Ma bucur ca ai amintit de trandafiri. (Fico feliz que tenha lembrado das rosas.)         
Vlad olhou para as lindas rosas vermelhas que Katherine havia colocado em cima da cama.
– Este imposibil să nu-și amintească. Știu că te iubesc trandafiri. (Não tem como não lembrar. Sei que você ama rosas.) – Ele acariciou o lindo cabelo de Katherine. – Voi avea Shartene și Miranda aduce mai multă mâncare pentru tine. (Vou pedir para Shartene e Miranda trazerem mais comida para você.)
– Nu este nevoie, Vlad. (Não precisa, Vlad.) – Katherine diz terminando sua refeição. – Sunt deja mulțumit. (Já estou satisfeita.)
Vlad pegou a bandeja de prata e voltou a colocar na mesa. Ele foi até onde Katherine estava e viu que ela mexia nas rosas, fungando o cheiro delas levemente. Ele a olhou completamente admirado. Ela mais parecia um anjo, uma deusa de tão bela e inocente. Era digna de uma pintura artística.
– Ești frumoasă, știi? (Você é linda, sabia?) – Ele disse com a voz rouca de desejo.
Katherine o olhou encantada e deixou as rosas na cama, indo até ele.           
– Mulțumire. (Agradeço.) – Ela disse suavemente e o olhou sedutoramente.
Vlad não agüentou ficar mais um centímetro sem tocá-la. Ele a agarrou pela cintura e a beijou loucamente, provando o gosto maravilhoso daqueles lindos lábios que nunca se cansaria de provar.

* * *

Vlad passou a mão na testa, limpando o resíduo de tinta que havia ali. Sua calça e sua blusa desabotoada também estavam cobertos de tinta, mas não se incomodava. Estava adorando ver Katherine coberta por apenas um lençol branco e segurando as lindas rosas, e posando para o quadro que ele estava pintando. Ela estava ainda mais linda e parecia alegre e saciada.
Vlad terminou sua pintura e admirou o retrato que estava idêntico a Katherine.
– Terminat. (Terminei.)
– Pot să văd? (Posso ver?) – ela sorriu.
– Bineînțeles. (Claro.) – ele a beijou.
Katherine olhou bem seu retrato naquele quadro e ficou encantada. Ela o olhou com espanto.
– Cum de ai învățat să picteze așa? (Como aprendeu a pintar assim?)
– Se afișează numeroși pictori. (Vendo inúmeros pintores.) – ele deu de ombros. – Am învățat uitam. Mai precis, am învățat de la un om pe nume Aurel. Ei bine, el a fost un vampir. Era picturi de familie. Dar unii oameni l-au omorât în ​​1858. (Aprendi vendo. Mais precisamente, aprendi com um homem chamado Aurel. Bem, ele também era um vampiro. Fazia pinturas da família. Mas alguns humanos o mataram em 1858.)
– 1858? – Katherine o encarou com espanto. – Sunteți foarte vechi. (Você é bem antigo.)
Vlad achou graça.
– Sunt nemuritor, frumoasa meã. (Sou imortal, minha bela.)
Ela continuou encarando-o, totalmente fascinada. Katherine conseguia ser ainda mais linda que a pintura que havia feito dela. Mas Vlad notou que havia algo errado. Katherine ficou triste de repente, como se lembrasse de algo ruim. Qualquer coisa que fosse, faria de tudo para protegê-la.
– Katherine? – Ele pegou seu queixo. – Spune-mi ce sa întâmplat cu tine să fii trist asa. (Diga-me o que houve para você estar triste assim.)
Ela o olhou melancólica. Podia ver bem lágrimas se formando nos olhos tristes dela, e aquilo o desarmou por completo. Por que Katherine estava daquele jeito? Estaria ela querendo voltar para seu lar e esquecer tudo que viveram? Se fosse, estaria perdido, pois não mais se imaginava sem ela.
– Ce sa întâmplat, Katherine? Vă rugăm să presupunem că totuși doriți să fie cu mine. (O que houve, Katherine? Por favor, diga que ainda quer ficar comigo.) – Sua voz era de quase desespero.
– Nu, am... (Não, eu...) – Katherine hesitou. – Am vrut să stau cu tine pentru totdeauna, dar ... (Eu queria ficar para sempre com você, mas...)
– Dar ce? (Mas o quê?) – ele perguntou mal disfarçando o nervosismo.
– Dar eu nu sunt un vampir. (Mas eu não sou uma vampira.) – uma lágrima caiu no rosto dela. – Si nu putem fi niciodată împreună, Vlad. (E nunca poderemos ficar juntos, Vlad.)
Vlad sentiu como se não existisse mais chão. O que Katherine disse era verdade, e aquilo o fez ficar perdido. Infelizmente, ele ainda não sabia como transformar alguém em vampiro, apesar de ter um pequeno conhecimento. Talvez, nem chegasse a descobrir  –  o que seria sua ruína, pois Katherine acabaria envelhecendo e morrendo. Não. Não poderia se imaginar sem ela nunca.
– Shh... – Ele a silenciou. – Nu știu cum a face tu deveni un vampir, dar încă mai au timp. (Não sei como faço você virar vampira, mais ainda temos tempo.) – Vlad sorriu tentando esconder toda sua agonia. – Nu fi asa, frumoasa mea. (Não fique assim, minha bela.)
Katherine o olhou hesitante.
– Avem timp de până la sosirea pe altcineva? (Temos tempo até para a chegada de outro alguém?)
Vlad franziu o cenho e a olhou confuso.
– Ce? Altcineva? (O que? Outro alguém?)
Katherine respirou fundo e o olhou, temerosa.
– Iartă-mă, Vlad. (Perdoe-me, Vlad.)                   
– Iertător? (Perdoar?) – ele perguntou ainda sem entender. – Iertându de ce? (Perdoar por que?)
Katherine abaixou a cabeça e voltou a olhá-lo.
– Pentru că sunt gravidă. (Porque estou grávida.)

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