terça-feira, 11 de junho de 2019

A NOIVA DO DRÁCULA - CAPÍTULO 33



Katherine ficou atônita com a imagem a sua frente. Aquele homem parecia ser muito perigoso e seus olhos revelavam pura maldade. Certamente, ele era pai de Vlad. Não tinha a menor dúvida.

– Ce faci tu aici? (O que quer aqui?) – Katherine conseguiu dizer, mesmo com a garganta apertada.

– Ce am aici? (O que quero aqui?) – Damian bufou em descrença. – Acesta îmi aparține, uman tău dezgustător. (Isso aqui pertence a mim, sua humana asquerosa.)

Katherine continuou perplexa com Damian a sua frente, e principalmente por ele tê-la chamado por algo tão odioso. Ele empurrou a porta assustando Katherine que cambaleou para trás.
Damian adentrou o pequeno recinto e olhou ferosmente para ela.

– Hai, spune! (Vamos, diga!) – Ele rosnou.

Katherine se arrepiou ao ouvi-lo ralhar. Ele transpirava ódio e desprezo, bem diferente de Vlad. Até mesmo Ivan e Alan souberam ser bem mais gentis que aquela criatura imponente a sua frente. Estava tão acostumada com o amor e carinho que Vlad lhe oferecia que naquele momento estava assustada com o que poderia acontecer. Damian olhou mais para baixo, notando o tamanho de sua barriga.

– Nu cred. (Não acredito.) – Ele disse enojado. – Vlad a făcut acest loc un den pentru femeile de rasa ei. Și, în plus, ea a rămas însărcinată. (Vlad fez desse lugar um covil para mulheres de sua raça. E, além do mais, lhe engravidou. )

Damian chegou mais perto de Katherine, que se afastou rapidamente.

– Curând am, un distins membru al Elite, fie rușine în acest fel. (Logo eu, um membro ilustre da Elite, ser envergonhado dessa forma.) – Sua voz era baixa e mortal.

Katherine engoliu em seco e o olhou, temerosa.

– Scuzați-mă, domnule. (Perdoe-me, senhor.)

– Nu cer iertare, murdară lui. (Não me peça perdão, sua imunda.) – sua voz era de puro desprezo. – Prejudiciul este deja făcut. Cu toate acestea, vă asigur, Vlad si acest lucru este dezgustător care trăiește în tine va regreta. Nu se va odihni până când nu distruge. (O mal já está feito. Porém, garanto que você, Vlad e esse ser nojento que vive dentro de você, irão se arrepender. Não vou descansar até destruir vocês.)

Katherine pôs a mão sobre a barriga num gesto de proteção. Jamais imaginaria seu filho sendo destruído; seu instinto de mãe faria o possível para defendê-lo de qualquer mal. Entretanto, o que poderia fazer contra um vampiro tão poderoso? Ainda mais um que a odiava e desprezava tão fortemente.

– Nu vorbi, domnule. (Não fale isso, senhor.) – Ela disse temerosa. – Fiul meu, nu. Și, de asemenea, Vlad nu. Vă rog. (Meu filho, não. E Vlad, também, não. Por favor.) – ela disse com a voz chorosa.

  – Nu mă rog nimic, murdară. (Não me implore nada, sua imunda.) – Damian cuspiu todo seu desprezo e deu mais um passo a frente.

Katherine voltou a se afastar rapidamente e se chocou com uma das colunas que sustentavam a cama dossel. Ela estava com muito medo de Damian, pois não havia nada que pudesse fazer para defender a si mesmo e a seu filho. Queria muito que Vlad estivesse perto dela para protegê-la, mas morria de medo do que o pai dele poderia fazer.
Uma lágrima caiu de seu olho. Nunca sentira tanto medo em sua vida. Contudo, para sua sorte, Vlad adentrou rapidamente o quarto e arregalou os olhos ao ver seu pai. Mais lágrimas caíram de seus olhos, mas naquele momento foram de alívio, pois Vlad estava lá para salvá-la.
Damian notou a presença do filho.

– Tata! Vă rugăm să nu fac nimic pentru a-l! (Papai! Por favor, não faça nada a ela!) – Vlad disse com a voz tensa e apavorada.

– Nu face nimic pentru ea? (Não fazer nada a ela?) – Damian rosnou. – O să o ucid cu această aberație ea poartă. Și apoi o să te omor. (Eu vou matá-la junto com essa aberração que ela carrega. E, depois, matarei você.)

Damian se adiantou a liberar seus dentes caninos e avançou na direção de Katherine, que se encolhia de medo, porém Vlad foi mais rápido, agarrando seu pai pelas costas e o jogou para o outro lado do quarto. Obviamente, seu pai era muito mais forte que ele, mas a ânsia de proteger Katherine era muito mais forte que qualquer coisa.
Vlad ficou na frente de Katherine para protegê-la.

– Nu contează ce faci pentru mine, tată. Dar nu lăsa să faci nimic pentru ea. (Não importa o que fará comigo, papai. Mas, não deixarei que faça nada a ela.)

Apesar de querer defender Katherine com todas as suas forças, tinha muito medo do que Damian poderia fazer. Damian era muito mais forte e poderoso que ele, e sabia que acabaria perdendo aquela batalha. Porém, de nenhuma forma, deixaria de proteger a mulher que amava. Damian caminhou na direção de Vlad e lhe deu uma forte bofetada, fazendo descer sangue de sua boca.

– Ești o rușine! (Você é uma vergonha!) – Damian disse com um ódio crescente, enquanto Vlad enxugava o sangue que escorria pelo canto de sua boca. – I-am spus de mai multe ori să nu se implice cu aceste femei umane! Dar niciodată nu m-ai ascultat! (Eu lhe disse várias vezes para não se envolver com essas mulheres humanas! Mas você nunca me obedeceu!)

– Vlad...

Katherine tentou ampará-lo, mas ele tirou sua mão.

– Înapoi, Katherine. (Para trás, Katherine.) – Ela obedeceu. – Îl cunosc pe tatăl meu. Dar eu nu pot să se desprindă de Katherine. Știu ce mi-ai spus, și îmi pare rău pentru tine nu se supune, dar voi continua cu el. Mai ales acum că ea poartă copilul meu. (Sei disso, meu pai. Mas, não posso ficar longe de Katherine. Sei o que me disse, e lamento por lhe desobedecer, mas continuarei com ela. Principalmente agora, que ela está carregando um filho meu.)

– Un fiu ... (Um filho...) – Damian disse enojado. – Impregnată un om, și pierde luciul complet imaginea mea înainte de Elite. (Engravidou uma humana, e isso manchará completamente minha imagem perante a Elite.) – Damian contraiu a mandíbula. – Dar vei plăti pentru asta, Vlad. Tu, ea și al naibii de ea creează. (Mas você irá pagar por isso, Vlad. Você, ela e sua maldita cria.)

Damian caminhou até a porta.

– Tata! (Papai!) – Vlad o chamou. – Unde te duci? (Onde você vai?)

Damian não olhou para o filho.

– Voi merge la capital pentru a se întâlni cu unii membri ai Elite. Si eu înveselească astfel încât să nu observe ura mă simt. Dar eu vă spun, aici și acum, să fii atent, Vlad. (Irei para a capital me encontrar com alguns membros da Elite. E torço para que eles não notem o ódio que estou sentindo. Porém, digo a você, aqui e agora, para tomar cuidado, Vlad.) – Damian o encarou mortalmente por cima do ombro. – Pentru înapoi în două zile, iar eu voi ucide cu acest copil. (Pois, voltarei daqui a dois dias, e a matarei junto com essa criança.)

Dito aquilo, Damian saiu do quarto, fazendo Vlad respirar mais aliviado. Ele sabia que Damian acabaria descobrindo, mais cedo ou mais tarde. Entretanto, estava com muito medo do que pudesse acontecer com Katherine. Se ele não chegasse naquele momento, ela já estaria morta pelas mãos de Damian. Tinha certeza que ele a destruiria sem nenhuma piedade, pois seu pai não possuía sentimentos como ele. Damian era frio, calculista e totalmente impiedoso, mas, de alguma forma, via as palavras dele como uma última chance. Uma segunda e última chance de fugir com Katherine de lá antes que fosse tarde demais.

– Vlad. – Katherine saiu de trás dele e o abraçou fortemente, que também retribuiu o abraço. – Iartă-mă. (Perdoe-me.)

Vlad conseguiu sorrir, apesar de sentir Katherine chorando em seu ombro.

– Te cer iertare pentru toți. Oprește-te. (Você pede perdão para tudo. Pare com isso.)

– Pentru mine acest lucru se întâmplă. (Por minha causa isso está acontecendo.) – ela disse em meio aos soluços.

Vlad a afastou e olhou em seus olhos safira.

– Nu spune asta. Cel mai mare vinovat mi-a fost. Am folosit-o, și folosite alții înainte. Dar eu nu regret nici un pic să îl ai cunoscut. Esti salvarea mea, Katherine. (Não diga isso. O maior culpado fui eu. Eu a usei, assim como usei outras antes de você. Porém, não me arrependo nem um pouco de tê-la conhecido. Você é minha salvação, Katherine.) – ele enxugou as lágrimas que insistiam em descer no rosto dela. – Cel mai bun lucru care mi sa întâmplat. (A melhor coisa que me aconteceu.)

Katherine enxugou suas lágrimas e voltou a abraçá-lo.

– Sunt atât de speriată, Vlad. (Estou com tanto medo, Vlad.)

– Știu. (Eu sei.) – Vlad a aconchegou em seus braços.

Ele respirou pesadamente. Dali a dois dias Damian voltaria com sede de destruí-los, e teria que pensar em algo que pudesse fazer para proteger Katherine e o bebê. Não se perdoaria se algo acontecesse a eles.
Vlad pegou Katherine nos braços sem muito esforço e a pousou na cama. Ele também sentou-se junto a ela, e acariciou a barriga protuberante.

– El nu te va răni. Nu voi lăsa. (Ele não vai te machucar. Eu não vou deixar.) – Ele olhou com carinho para a enorme barriga, depois para ela. – Tu și l-am protejat. Iar acest copil va fi mult mai iubit. (Protegerei você e ele. E essa criança será muito amada.)

Katherine o olhou surpresa, e Vlad sorriu.

– M-ai învățat ce dragoste, Katherine. El mi-a arătat cât de minunat, și mă simt foarte recunoscător pentru asta. (Você me ensinou o que é o amor, Katherine. Me mostrou o quão maravilhoso é, e me sinto muito grato por isso.) – Ele sorriu para ela e acariciou o rosto feminino. – Te iubesc, Katherine. (Eu te amo, Katherine.)

Uma lágrima surgiu em um dos olhos dela.

– Oh, nu, frumoasa mea. Nu plânge. (Oh, não, minha bela. Não chore.)

– Te iubesc, Vlad. (Eu também amo você, Vlad.) – Katherine suspirou. – Dar eu încă mai au frică. Ce vom face? (Mas ainda tenho medo. O que faremos?)

Vlad levantou-se da cama e estendeu a mão para ela.

– Vino cu mine. (Venha comigo.)

Katherine estranhou seu gesto.

– Unde? (Para onde?)

Iremos para o palácio. Você ficará escondida em meu quarto.

– N-ar fi mai periculos? (Isso não seria ainda mais perigoso?)

Katherine lhe deu a mão e Vlad a puxou para si.

– Tata știe că ești aici. De unde știa, eu nu știu. (Meu pai sabe que você fica aqui. Como ele soube, eu não sei.) – Vlad emburrou a cara ao passar por sua cabeça que seu irmão mais velho havia contado tudo. – Dar ți-am spus că o va proteja. Mâine vom fugi de aici. Moș Crăciun va sosi în două zile și nu am găsit mai mult. Acolo Shartene și Miranda avea grijă peste tine, și frații mei să mă ajute să o protejeze. Totul se va rezolva. (Mas eu disse a você que vou protegê-la. Amanhã mesmo fugiremos daqui. Papai chegará daqui a dois dias e não nos encontrará mais. Lá Shartene e Miranda cuidarão mais de você, e meus irmãos me ajudarão a protegê-la. Tudo vai dar certo.)

Katherine beijou o rosto de Vlad.

– Am încredere în tine. (Eu confio em você.)

– Știu. (Eu sei.)

Vlad disse e a beijou com paixão, acariciando todas as formas do corpo de Katherine e sentindo o quanto ela parecia mais curvilínea e frágil. E, por mais que ele a consolasse dizendo que tudo daria certo, ainda temia muito o que estava para acontecer. Damian era mais perigoso do que um dia pensara, e naquele instante podia sentir o quanto. Mas não se deixaria levar pelo medo. Protegeria Katherine e o bebê acima de tudo, mesmo que tivesse que morrer enfrentando Damian. Além do que, estava com um mal pressentimento do que ainda estava por vir.

* * *

– Vlad a levou para nossa casa naquela noite. – Ivan diz. – Parecia convicto do que estava fazendo. E bem desconfiado em relação a mim.

– Por que? – Luana pergunta.

– Ele desconfia que tinha sido eu a contar para papai onde Katherine ficava. Foi difícil ter de convencê-lo do contrário. – Ivan faz uma pausa numa reflexão. – Para falar a verdade, nunca soube como meu pai descobriu o esconderijo de Vlad.

– Aquilo deve ter sido horrível para eles.

– Sim, foi. Vlad estava tentando ser forte para amparar a Katherine, mas eu podia ver o quanto aquilo estava mexendo com ele. – Ivan engole em seco e olha para o vazio. – Ele estava tenso. Parecia sentir o que ainda estava para acontecer.

Luana encara Ivan. Ele estava com a expressão pesada e parecia pensar em algo muito ruim. E agora poderia saber o verdadeiro início da história de David.

– Por favor, conte para mim.

Ivan olha hesitante para Luana, mas o celular dela toca no mesmo instante dentro da bolsa.
Luana tem um breve susto e abre sua bolsa, pegando o celular.

– Desculpe. – Ela diz para Ivan. – Alô.

– Onde você está, Luana?

Era Dolores. Luana torce a cara, contrariada. Sua madrinha lhe daria umas boas broncas quando ela chegasse em casa, mas naquele momento pouco se importava com as broncas.

– Estou... – Ela se ajeita desconfortável no sofá. – Estou na casa do meu noivo, madrinha.

– Seu noivo? – Dolores fala nervosa. – Não me lembro de ter criado uma menina tão despudorada que dorme na casa do noivo.

Luana revira os olhos. Sua madrinha, às vezes, podia ser muito exagerada.

– Não vou dormir aqui, madrinha. Aliás, ele nem está aqui. Estou falando com o irmão dele.

– Ah, sim. E o irmão dele sabe que já vai dar uma hora da manhã? – Dolores diz um pouco mais alterada. – Porque, que eu saiba, isso não é hora de uma menina decente estar na rua.

Luana cerra os olhos tentando manter paciência. A vontade que tinha era de dizer à madrinha que já era uma mulher, mas prefere ficar calada. Em casa resolveria tudo. No dia seguinte, obviamente.

– Entendi, madrinha. Me desculpe. – Diz simplesmente.

– Venha logo, Luana. – Dolores diz um pouco mais calma. – Você me mata de preocupação, menina!

– Tudo bem, madrinha. Já estou indo. E me desculpe por preocupá-la.

– Amanhã conversamos sobre isso. Agora venha logo.

Luana desliga o telefone e sorri sem graça para Ivan.

– Aposto que os gritos dela foram até aí.

Ivan sorri.

– Um pouco.

Luana se levanta do sofá carregando sua bolsa. Ivan também se levanta para acompanhá-la.

– Perdoe-me, Luana. Não sabia que era tão tarde. Até entendo a preocupação de sua madrinha.

– Tudo bem. Eu também não sabia que já estava tarde. – ela sorri. – Mas agradeço por ter me contado até aqui.

Ivan guia Luana até a porta de saída, indo para o jardim. Luana o acompanha, cabisbaixa. Por mais que estivesse tarde, queria muito saber da história de David, queria saber o que lhe atormentava. E, por mais que aquela fosse a história de David, havia tomado certa empatia por Vlad e Katherine. Eles pareciam se amar demais, e seria certo que eles dois seriam muito felizes, além de serem ótimos pais. Contudo, o destino podia ser bem cruel.
Luana olha para a lua que brilhava no céu. Mal podia esperar a luz dela para o dia seguinte, pois queria saber a continuação daquela triste história de uma vê por todas. Sabia, com toda a certeza, que não teria uma boa noite de sono de tanto pensar naquilo. Já estava começando a ficar agoniada. E, por mais que parecesse loucura, estava com uma louca vontade de ver seu amigo tão perturbado.

– Entre, Luana.

Luana levanta a cabeça e nota que Ivan segura a porta aberta de um carro muito bonito.

– Vai me levar para casa?

– Sim, claro. Já está bem tarde para você sair por aí, sozinha.

Luana assente e entra no carro, enquanto Ivan fecha a porta e dá a volta para entrar por outro lado.

– Obrigada, Ivan. – Luana agradece quando Ivan já está dentro do carro, girando a chave na ignição.

Ele sorri para ela.

– Não precisa agradecer.

* * *

David gira o carro na direção de sua casa, mas para quando vê o carro de Ivan saindo. Ele nota que Ivan estava com alguém no banco do carona que parecia ser muito igual a Luana.
O que Luana está fazendo aqui a essa hora?
Estava bem intrigado sobre o que ela estaria fazendo com Ivan. Conhecendo seu tio, sabia que ele tinha contado algo para Luana. Mas, o que ele teria contado para ela?
Em vez de entrar nos jardins da mansão, David gira o volante para seguir o carro de Ivan. Não queria saber apenas o que ele teria contado para ela, mas também queria vê-la. Tinha assustado ela mais cedo, sabia disso, mas, ainda assim, não conseguia ficar longe. Não conseguia ficar longe de Luana, mesmo a vendo se afastando cada vez mais. Contudo, dessa vez, não erraria.


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