Luana abriu seus olhos lentamente, estava escuro. A luz da lua dava um toque de claridade em seu quarto.
Ela levantou da cama, afastando o lençol, e caminhou até a janela, admirando aquele lindo luar que brilhava o céu noturno e perguntando-se se seu amado estaria fazendo o mesmo.
Luana suspirou e pôde ver seu reflexo refletido no espelho, ficando surpresa com o que via: estava vestida com um longo vestido branco que ia até seus pés e tinha longas mangas; seus cabelos castanhos ondulados estavam soltos e desciam até abaixo de seus seios; sua boca, que sempre coberta por batons claros, estava pintada com uma cor forte que a lembrava sangue.
Luana arqueou as sobrancelhas ao lembrar que era desse jeito que as mulheres virgens ficavam antes de entregar-se a Vlad. E, por mais incrível que parecesse, ela estava igual.
Mas, por que estava daquele jeito? Estaria vestida para entregar-se ao seu amante?
Luana virou-se e arquejou surpresa ao deparar com Alan, seu noivo, à sua frente. Ele estava lindo com suas costumeiras roupas escuras e mechas do cabelo caindo por seu rosto. Luana sorriu ao perceber o quanto era sortuda por ser noiva de um homem tão lindo e perfeito como Alan – ele era completo.
Contudo, por algo que ainda não sabia, todo aquele sentimento que já sentira por ele já não era tão forte quanto antes. Sentia como se alguma parte sua estivesse faltando, mesmo que o homem por quem se apaixonara fosse a própria reencarnação da perfeição.
Alan segurou-lhe gentilmente o queixo, fazendo-a olhar para ele.
– Está linda. Sabia?
Luana sorriu como sempre fazia quando estava com ele.
– Obrigada – ela disse num fio de voz para não acordar Dolores. – O que está fazendo aqui? Como entrou?
Alan sorriu misterioso.
– Isso não importa, meu amor. Só queria ver você. – ele acariciou-lhe a face. – Sentir você. Ficar com você o tempo que for. – ele disse olhando em seus olhos.
Luana sentiu um arrepio percorrer seu corpo com o olhar de Alan. Ele nunca a havia olhado daquela forma tão ardente e apaixonada, e seus olhos pareciam ser ainda mais intensos e azuis que antes. Porém, apesar da súbita mudança que vira nele, ela sorriu por poder sentir a nítida paixão que ele tanto mantinha sob controle.
– Eu o amo – ela sussurrou apaixonada.
Alan pôs um dedo sobre os lábios de cor vinho.
– Não fale nada. – Ele balançou a cabeça e sorriu. – Não falaremos mais nada. Apenas sentir, tudo bem? Eu só quero sentir você, minha deusa – ele sussurrou de forma apaixonada. – Só sentir você, e mais nada.
Minha deusa?
Luana achou estranho aquela forma como Alan a chamara, mas desistiu de pensar em qualquer coisa a partir do instante em que ele colou seus lábios nos dela.
Alan a carregou em seus braços e a deitou sobre a cama de solteiro, beijando lenta, mas apaixonadamente, seus lábios e seu pescoço.
Luana estava um tanto temerosa elo que poderia acontecer, mas tratou-se em não pensar em nada negativo. Sabia o que Alan queria, e daria a ele. Deixaria ele a tomar para si, assim como Vlad tomou sua amada Katherine. Mas, o que não deixaria de maneira alguma, eram seus piores medos e preocupações tomarem conta de sua mente. Não naquela noite.
Alan os cobriu com o lençol e montou-se sobre ela, olhando intensamente em seus olhos.
– Eu te amo, Luana.
Dizendo isso, ele a beijou com intensidade, como nunca havia beijado antes, saboreando seus gemidos e suspiros. Luana suspirou deliciada como Alan estava sendo tão apaixonado. E, sem perceber, flagrou-se abrindo-se mais para ele, para sentir de uma vez por todas todo o seu desejo.
Alan a preencheu com fúria, fazendo-a arquejar de prazer, enquanto guiava os dentes caninos até o lindo pescoço pulsante. Luana mordeu seu ombro para tentar agüentar como ele a preenchia das duas formas mais intensas.
Ele continuou a preenchê-la com fúria e desejo intenso, enquanto devorava seu pescoço, que agora cobria os lençóis de sangue.
Luana o abraçou com todas as suas forças, enquanto ele avançava sobre ela num ritmo implacável, e bebia seu líquido vermelho como um louco faminto.
– Ah, Luana...
Ela acariciou os cabelos sedosos dele. Nunca ouvira Alan a chamando pelo nome, mas agora ele soava tão bem na voz de seu noivo.
– Você não tem idéia... – ele disse arfante. – de quanto tempo esperei para fazer isso com você.
Luana fechou os olhos, saboreando seu desejo e suas palavras.
– Nenhum outro sangue tem um gosto tão maravilhoso quanto o seu. – Ele suspirou. – Você me deixa louco, minha deusa. Você é minha. Só minha, e de mais ninguém.
Luana abriu seus olhos, um pouco aturdida com aquelas palavras. Alan estava falando de um modo que não era dele. Não apenas falando, como agindo.
Ela retirou as mãos que acariciavam os cabelos negros e macios, e sentiu seu coração parar na hora em que o sujeito levantou a cabeça para olhar para ela, com a boca coberta de sangue.
Aquele, definitivamente, não era Alan. Era David.
* * *
Luana acorda subitamente, sentando-se na cama. Seu quarto estava vazio, e já parecia ser de manhã. A porta do quarto se abre e Dolores entra.
– Bom dia, mocinha.
Luana a olhou sem entender. Seu rosto estava pálido, e ela passa o olhar por todo o seu quarto, mas David já não estava mais lá. Luana levanta rapidamente da cama e corre até o espelho.
Dolores a olha confusa.
– Está louca, menina? – Dolores fala estranhando o comportamento de sua afilhada.
Luana se ajoelha em frente ao grande espelho do guarda-roupa e vê que no lado esquerdo de seu pescoço não tinha nada, estava normal.
Mas... Como?
Luana continua tateando seu pescoço, sem acreditar no que está vendo, quando sua madrinha a encara pelo espelho.
– O que houve, menina?
– Alguém... – Luana engole em seco. – me mordeu. Bem aqui.
Dolores chega perto do cabelo da afilhada, afastando os cachos para trás.
– Nenhum bicho mordeu você. Não tem marca nenhuma aí. Vai ver você teve um pesadelo. Pela forma como se levantou.
Luana encara sua madrinha.
– Mas foi... tão real.
– Alguns pesadelos também podem ser muitos reais. – Dolores abre a porta para sair. – Mas, trate logo de se arrumar, mocinha. Porque, antes de você sair para trabalhar, me contará por que está voltando tão tarde para casa.
Luana assente para Dolores, vendo-a sair do quarto, para depois voltar a encarar o espelho.
Então, era tudo um sonho...
* * *
– Está muito frio, gente. Acho que não vou querer sair hoje – Jessica diz, espremendo-se sobre o casaco.
Já era quase a hora de encerrar o trabalho, e Fred tinha combinado de todos se reunirem num bar para curtirem um pouco, como quase sempre faziam depois do expediente.
– Ah, meu amor. Logo hoje que meu amigo irá reservar uma mesa para a gente? – Fred diz à sua namorada. – É difícil reservar uma mesa lá.
– Mas está muito frio – ela insiste.
Luana termina de arrumar sua mesa de trabalho.
– Acho que Jessica tem razão. Está muito frio. Mas, de qualquer forma, não poderei ir mesmo.
Luana dá de ombros.
– Por que? – Nina pergunta.
Luana sorri para a amiga.
– Tenho algo a resolver.
Nina também sorri.
– Com o noivo vampiro? – sussurra brincando.
– Shh! – Luana faz um gesto para Nina manter-se calada por causa de Fred, quando o celular toca. – Com licença.
– Alô.
– Olá, Luana. Sou eu, Ivan.
Luana afasta-se um pouco de seus amigos e volta a falar no telefone.
– Ivan? – Ela sorri aliviada. – Olá. Logo estarei aí.
– Não. Não faça isso.
Luana franze o cenho.
– O que houve?
– David aprontou mais uma.
Luana fica muda e, inconscientemente, leva a mão ao lado esquerdo do pescoço.
– Ah, é?
– Sim. – Ivan suspira. – Ontem David saiu para caçar, sem que nós o víssemos, e atacou duas mulheres. Mas apenas uma foi mordida por ele. A outra foi salva por Alan, que chegou na hora.
– Alan estava com ele?
– Pelo que ele me contou, chegou depois. – Ivan faz uma pausa antes de prosseguir. – David quase dilacerou o corpo da vítima. Alan me disse que ela está passando por uma cirurgia.
– Meu Deus... – Luana põe a mão à boca.
– Ele levou as duas para o hospital, e suplicou a elas para não contar a ninguém. Mas alguma coisa me diz que elas vão contar. – Ivan suspira pesadamente. – Vão saber sobre nossa verdadeira identidade, Luana.
– Não se preocupe, ninguém vai saber. Afinal, quem acreditaria?
– Suas amigas.
Luana arregala os olhos. Como Ivan sabia que ela havia contado o segredo de Alan para Jessica e Nina?
– Como... – ela engole em seco. – Como sabe que...
– Não sou bobo, Luana. Tenho centenas de anos de experiência. Você é uma menina jovem, ingênua, e tem amigas. Com certeza contaria qualquer segredo seu para elas.
Luana volta a engolir em seco.
Claro que nem tudo o que acontecia em sua vida ela contava para seus amigos, mas grande parte. E, infelizmente, não poderia mentir para Ivan.
– Me desculpe.
– Não precisa se desculpar. Só não venha hoje. David está aqui, e não quero que ele a veja, senão, não poderá se controlar.
– Alan está aí?
– Sim. E também quero evitar uma briga dos dois por sua causa. Mas, não se preocupe. Poderá vir quando David não estiver.
– Sim. Mas, se ele não estiver, é porque estará caçando. Não acha que é melhor mantê-lo preso?
Ivan respira cansado.
– Não é assim tão fácil, Luana. Mas, verei com Alan o que poderemos fazer.
– Tudo bem – Luana diz com a voz rouca.
– Fique bem, Luana.
– Vocês também. E cuidem de David.
– Sim. – Ivan desliga.
E diga para Alan que eu o amo.
Alguma coisa em sua cabeça lhe dizia para falar aquilo, mas, por alguma razão, não conseguiu.
David não descansaria mais. Seu amigo não dormia, não se comportava mais como um ser humano normal. Ele estava preso num maldito destino ao qual não escolhera ter. E, por mais selvagem que ele pudesse estar, ver que ele se afundava cada vez mais naquela escuridão a fazia sofrer demais.
Uma pequena lágrima cai do rosto de Luana, mas ela a enxuga rapidamente.
– Nossa, Luana. O que houve com você?
Luana vê Nina andando em sua direção com o rosto assustado. Nina devia tê-la visto chorando.
– Não é nada. Estou bem.
Jessica e Fred também a encaram com espanto, assim como Nina. O que houve com eles?
– Luana. – Jessica a encara. – Você está sangrando.
Luana ergue as sobrancelhas, surpresa, e olha para o sangue que desce de seu pescoço, manchando o casaco.
* * *
Alan continua andando pela sala.
– O que ela disse? – Ele pergunta a Ivan.
– Queria vir para cá, para saber o resto da história. Falei que David apresenta muito perigo. – Ivan bebe um gole de café. – Ela parece ser muito apegada a ele.
– Sim. – Alan assente. – Eu sei.
Ivan olha para o irmão mais novo.
– E isso te incomoda, não é?
Alan suspira e volta a se sentar no sofá.
– Não exatamente. Bem, eu sei que David foi amigo dela durante esses anos, mas ela precisa entender que agora ele não é mais o mesmo. Ele pode chegar a matá-la.
– Sei disso. – Ivan afirma. – Mas, mesmo que ela tente parecer indiferente, sei que ela se importa muito com ele.
Alan sorri.
– Sim. Até demais. – Alan também bebe um gole de café de sua xícara e prossegue. – Ivan, às vezes dá a entender que Bela Lua não sente por mim isso tudo que ela pensa. Parece que ela tenta sentir algo por mim, quando, na verdade, está direcionado à outra pessoa.
– E essa pessoa seria David?
– Bem possível.
Ivan cruza uma perna sobre a outra e apóia a xícara na mesinha ao lado.
– Não creio muito. Se ela realmente sentisse algo por David além da amizade, estaria com ele.
Alan meneia a cabeça.
– Medo, Ivan. Bela Lua tem medo dele. Acho que foi exatamente esse medo dela que a impediu de tentar se aproximar dele. É isso o que eu acho.
Ivan assente e olha para Alan.
– Mas, e você. Sente algo por ela? Algo um pouco parecido com o que nosso irmão sentiu?
Alan o olhou de soslaio e pôs-se a pensar.
– Posso ser sincero, Ivan? Não sei. Não sei se sinto algo realmente a mais por Bela Lua.
* * *
David bate a traseira da cabeça na parede.
Seu quarto estava arrumado, o que incluía a cama intacta, e as paredes e os chãos limpos. Os outros móveis já não estavam mais lá. Seus tios deviam pensar que ele estivesse ficando louco, assim como sempre quiseram. Malditos.
David abraça os joelhos junto ao corpo e olha novamente para a cama com lençóis limpos.
Por que, afinal, tinha uma cama, sendo que não conseguia mais dormir? Tentava de todas as formas descansar, mas “descanso” era uma palavra que não mais sabia. E, mesmo agora, sentia-se sozinho e atormentado, como num poço sem fundo. Somente queria que todo aquele sofrimento acabasse, mas em vão. Nunca iria acabar. Viveria para sempre com o fato de ser um vampiro mestiço imundo, odiado por sua própria família e a maldita Elite. Odiava a todos, menos Luana. Nunca a odiaria, mesmo que ela fizesse de tudo para se manter longe dele.
David sorri e apóia a cabeça na parede.
Menos na noite anterior, verdade. Ela estava tão linda que, realmente, parecia uma deusa. E, finalmente, pôde provar o sabor do sangue de sua amada. Era tão delicioso que sabia que ficaria viciado nele tanto quanto era nela. Não queria mais saber de nenhum outro sabor, somente o de Luana.
Sim...
De uma vez por todas, Luana seria sua.

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