A noite estava ficando boa.
Conde Maldevan tinha se mostrado mais acessível do que eles pensaram. Ele era um vampiro da idade do pai deles, um pouco acima do peso e estatura mediana. Seus cabelos brancos estavam amarrados e batiam em sua cintura.
- Atunci Alan (Então, Alan) - Moldovan disse segurando sua taça. - Înțeleg că v-ați dedicat să vă alăturați grupului nostru. (Soube que você tem se dedicado para entrar em nosso grupo.)
Alan sorriu para o Conde.
- Cred că fratele meu mi-a spus asta. (Creio que meu irmão lhe disse isso) - ele disse olhando para Ivan, que estava ao seu lado.
O Conde negou.
- Nu. (Não) - ele respondeu. - Gaspian mi-a spus (Gaspian me disse.) - Moldovan dirigiu-se a Ivan. - Și tu, Ivan. Deși simt că vă relaxați mai mult de ceilalți. (E você também, Ivan. Embora sinto que você se reclusa mais dos outros.)
Ivan limitou-se a sorrir, não querendo levar aquele assunto adiante.
- Nu sunt așa izolat. Săptămâna trecută am mers cu Alan la o întâlnire cu alți membri. (Não estou tão recluso assim. Semana passada fui com Alan para uma reunião com outros membros.)
O Conde franziu o cenho.
- A fost o întâlnire? (Houve uma reunião?)
- Da, milorde. (Sim, milorde) - Alan respondeu. - Am avut o întâlnire cu privire la interzicerea sângelui. (Tivemos uma reunião sobre a proibição do sangue.)
Moldovan arqueou as sobrancelhas, conseguindo entender.
- Ah, văd. Despre interdicția de a bea sânge uman. (Ah, entendo. Sobre a proibição de beber sangue humano.) - Moldovan fez uma careta para o sangue em sua taça. - Am simțit că gustul nu era de cea mai bună calitate. Și toate astea din cauza acestui Vlad. (Bem que eu senti que esse gosto não era da melhor qualidade. E tudo isso por causa do tal Vlad.)
Ele percebeu Ivan e Alan se entreolharem com algum tipo de remorso. Ele assentiu, entendendo.
- Vlad este fratele tău, nu-i așa? (Vlad é o irmão de vocês, certo?)
Alan preferiu não responder, olhando para o lado. Ivan suspirou profundamente antes de dizer:
- Da, milorde. Noi trei suntem copii ai Domnului Damian. (Sim, milorde. Nós três somos filhos de Lorde Damian.)
Eles permaneceram um tenso minuto em silêncio. Conde Moldovan riu alto.
- Haideți. Din cauza lui nu mai putem vâna oameni pentru mâncare (Ora essa. Por causa dele que não podemos mais caçar humanos para nos alimentarmos) - ele disse balançando a bebida em sua taça. - Este o mare șansă; nu numai pentru voi, ci pentru noi toți. Cererea de slujitori va cădea, de asemenea, așa cum ar trebui să știe. (É um grande azar; não somente para vocês, mas para todos nós. A demanda de criados também vai abaixar, como devem saber.) - Moldovan deu um gole em sua taça. - Nu e așa de rău. Pur și simplu nu este la fel de bună calitate ca și cealaltă. Dar acum vreau să spun. (Não é tão ruim. Apenas não é de tão boa qualidade, como o outro. Mas agora falo sério.) - Ele encarou os dois irmãos. - Nu vreau să te simți remușcată de fratele tău. Nu ești de vină. (Não quero que sintam remorso pelo que seu irmão fez. Vocês não têm culpa.)
- Știm că nu e vina noastră, milorde. (Sabemos que não temos culpa, milorde) - Ivan disse. - Dar este încă un pic dificil să ne ocupăm de această situație jenantă. (Mas ainda é um pouco difícil termos que lidar com toda essa situação constrangedora.)
Moldovan assentiu refletindo.
- Da, văd. Mai ales când ești însărcinat să ai grijă de un mongrel murdar. (Sim, entendo. Principalmente quando vocês são encarregados de cuidar de um mestiço imundo.) - Ele sorri. - Trebuie să fie o karma, așa cum spun slujitorii mei. (Deve ser um carma, como dizem meus criados.)
Ivan assentiu brevemente, apesar de querer algo. Mas o que poderia dizer? Mesmo aquele menino sendo filho de Katherine, não podia negar que ele nunca passaria de um mestiço com um futuro perigoso o aguardando.
- Care-i numele? (Qual o nome dele?) - perguntou Moldovan.
Alan continuou olhando fixamente para sua esquerda. Parecia procurar por algo.
- Numele lui este David, milorde. (O nome dele é David, milorde) - Ivan respondeu.
- Oh, da. (Oh, sim.)
- Ivan, băiatul a dispărut (Ivan, o menino sumiu) - Alan disse de repente.
Ivan o encarou assustado.
- Cum adică a dispărut? (Como assim, ele sumiu?) - Ivan olhou para a mesma direção que Alan estava olhando e notou que a cadeira que David estivera sentado antes estava vazia. - I-am spus să rămână acolo! (Eu disse para que ele ficasse lá!)
- Nu fi nervos, Ivan. (Não fique nervoso, Ivan) - Moldovan disse. - Curând va apărea. (Logo ele vai aparecer.)
Ivan não quis contra-argumentar. Ele sabia que teria de se preocupar, visto que David era uma criança mestiça na festa onde todos eram vampiros puros - exceto os criados. Nenhum deles tolerada um vampiro mestiço, e sempre os tratava como algo pior que lixo. Principalmente, se fossem membros mais importantes da Elite. David, onde quer que estivesse, estaria correndo perigo.
Ivan balançou a cabeça, tentando afastar os maus pensamentos. Talvez, fosse tudo coisa de sua cabeça. Apenas esperaria o menino chegar e lhe dar uma boa bronca.
* * *
David continuou segurando firmemente a mão de Iliana. Ele olhou para trás, sem saber o que estava acontecendo. Seus tios haviam sumido e as pessoas o olhavam de modo estranho.
- Unde mergem, doamnă Iliana? (Onde vamos, Madame Iliana?) - ele perguntou tentando acompanhar os passos dela.
Ela olhou para David e sorriu gentilmente.
- Te duc să te hrănești, micuțule. Nu ai spus că ți-e foame? (Estou te levando para se alimentar, pequenino. Você não disse que estava com fome?)
David apoiou a mão na barriga que ainda roncava. Ele fez que sim.
- Da, sunt. (Sim, estou) - respondeu.
- Mare, draga mea. (Ótimo, meu querido.)
Iliana levou o menino para um canto do salão até um canto do salão, onde dois criados já a aguardavam. O homem sorriu maliciosamente para ela, que retribuiu o sorriso. A outra criada olhou com curiosidade para o menino.
Iliana abaixou-se um pouco para falar com o menino.
- David, acestea sunt Ștefan și Amelia. Îți vor da mâncarea. (David, estes são Stephen e Amélia. Eles vão dar seu alimento.)
Amélia os encarou em confusão.
- Este asta ... pentru el? (Aquilo… é para ele?) - ela perguntou em descrença.
Iliana levantou-se e olhou firmemente para a criada.
- Da, Amelia. (Sim, Amélia) - respondeu. - Du-te și ajută-l pe Stephen să-l aducă. (Vá e ajude Stephen a trazer.)
David olhou curioso para Iliana. Seria um lanche bem gostoso.
- Dar ... e doar un copil! (Mas… ele é apenas uma criança!) - Amélia protestou.
- Mergeți chiar acum, Amelia (Vá agora mesmo, Amélia) - Iliana disse mortalmente. - Sau nu vei dura în seara asta. (Ou você não passará desta noite.)
Stephen agarrou o braço de Amélia, puxando-a para perto.
- Nu te lupta cu doamna Iliana, Amelia (Não discuta com Madame Iliana, Amélia) - ele disse mais baixo para que o menino não ouvisse. - Nu vrei să faci asta. Vino aici. (Você não vai querer fazer isso. Venha.)
Amélia, por fim, desistiu de protestar. Temia muito o que pudesse acontecer se continuasse a insistir em não fazer o que eles tinham em mente. Mas aquele menino não merecia isso. O que eles estavam fazendo era cruel. Ela olhou mais uma vez para o menino, que a olhava de volta com seus olhos inocentes, e se virou para seguir Stephen até outro cômodo.
David olhou mais uma vez para Iliana, que mantinha o olhar fixo nos criados.
- O să vă aducă o gustare gustoasă? (Eles vão trazer um lanche bem gostoso?)
Iliana sorriu e olhou para o menino.
- Da, David. Și vă va plăcea foarte mult. (Sim, David. E você vai gostar muito.)
Tudo ocorreu muito rápido. David não conseguiu lembrar como tudo havia acontecido. A mesma mulher que o havia tratado bem poucas horas antes, agora o jogará com força no chão. David a encarou assustado, sem saber o que dizer. Por que ela estava fazendo aquilo?
Antes que pudesse dizer alguma coisa, os criados já estavam postos diante de Iliana, que pegou o balde cheio com um líquido vermelho escuro das mãos de Stephen e jogou todo o líquido em David, que ficou sem reação.
- Nu vrei mâncare, mongrel murdar? (Você não queria alimento, mestiço imundo?) - Iliana disse a ele com um grande sorriso no rosto. - Luați mâncarea! Îți place acum? (Tome seu alimento! Está gostando agora?)
David olhou para os lados e percebeu que eles já não eram os únicos a olhar para ele, mas uma grande multidão havia se formado ao seu redor; uns rindo incontrolavelmente, outros o encarando com repúdio.
Ele tentou tirar aquele líquido pegajoso de suas roupas e de seu rosto e cabelo, mas era inútil. O cheiro de sangue estava impregnado nele.
Por que todos estavam rindo, em vez de ajudá-lo? Que mal ele fizera para que todos o tratassem daquela maneira? A vontade que sentia de chorar era imensa, mas até isso estava sendo difícil naquele momento.
Ele permaneceu no mesmo lugar, tremendo, e encharcado de sangue, enquanto todos no salão riam às suas custas, até mesmo duas pessoas que ele tanto gostava: seus tios.

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