Ivan limitou-se apenas a sorrir. O que mais poderia fazer? Ele é Alan queriam tentar mostrar para Conde Moldovan que poderiam, sim, estarem incluídos em seu círculo. Aquilo não podia ser uma coisa boa para David, mas, talvez, fosse apenas uma brincadeira por parte dos criados. Contudo, algo lhe dizia que aquela cena horrível tinha sido traumatizante para o menino.
Ver David encarando, sem piscar e tremendo, a todos que riam dele, estava começando a aflorar seu lado protetor. Aquilo já estava indo longe demais. Ele deu um passo à frente, mas Alan segurou seu braço.
- Nu, Ivan. Știu ce încerci să faci. (Não, Ivan. Sei o que está tentando fazer.)
Ivan encarou seu irmão.
- Nu este corect ce fac cu ea. (Não é justo o que estão fazendo com ele) - Ivan disse baixo.
- Știu asta, dar ce putem face? (Eu sei disso, mas o que podemos fazer?) - Alan disse entre dentes. - Dacă încercăm să-l protejăm, contele Moldovan va observa. (Se tentarmos protegê-lo, Conde Moldovan perceberá.) - Alan fez um gesto de cabeça para Moldovan, que ria sem parar logo ao lado. - Poate chiar taie relațiile cu noi. (E, talvez, até corte relações conosco.)
Ivan o encarou incrédulo.
- Nepotul nostru trece prin această umilință și singurul lucru care contează pentru dvs. este reputația noastră față de Elite? (Nosso sobrinho está passando por essa humilhação, e a única coisa que te importa é a nossa reputação perante a Elite?)
- Nu așa (Não é bem assim) - Alan tentou se explicar. - Îmi pasă de băiat, dar știu că dacă încercăm să-l protejăm, întreaga Elite va veni împotriva noastră. Asta vrei? (Me importo com o menino, mas sei que, se tentarmos protegê-lo, toda a Elite virá contra nós. É isso que você quer?)
Ivan se pôs a pensar.
- Nu, nu cred. (Não, não quero.) - Ele voltou a olhar para o menino, que tentava se pôr de pé. - Dar este nedrept ceea ce fac ei pentru el. (Mas é injusto o que estão fazendo com ele.)
Alan engoliu em seco, observando a cena humilhante.
- Da, știu. (Sim, eu sei) - ele disse. - Dar pentru moment, nu vom putea face nimic. (Mas, por enquanto, não vamos poder fazer nada.)
* * *
As pessoas começaram a se dispersar aos poucos. A graça parecia ter acabado para elas, mas Iliana ainda encarava o menino todo sujo de sangue, embora sua expressão tivesse mudado de sarcástica para odiosa.
Iliana tinha sido uma camponesa que trabalhara arduamente para a família principal, e morava apenas com seu pai num pequeno casebre, perto do palácio. Seu pai morreu quando ela tinha completado dezessete anos, deixando-a como criada permanente da família que ela nem imagina ser de vampiros.
Desde que havia descoberto suas reais identidades, Iliana os viu de uma forma ainda mais encantadora. Para todos, eles podiam ser cruéis e sadistas, mas não para ela.
Iliana manteve-se totalmente íntegra à família por longos anos, tendo sua fidelidade notada por Conde Moldovan, que a transformou em vampira bem no auge de sua meia idade. Desde então, sua lealdade à família havia aumentado drasticamente, tratando os outros criados como inferiores e odiando a tudo que a própria Elite odiava, esquecendo-se totalmente de sua origem.
- Ridică-te, fratele tău murdar! (Levante-se, seu fedelho imundo!) - ela cuspiu as palavras com repugnância ao encarar mortalmente o indefeso menino cabisbaixo.
David, mais uma vez, tentou levantar-se, mas algo o impedia. Não que suas pernas não funcionassem, mas sentia que toda aquela humilhação tomava conta de qualquer iniciativa que pudesse ter.
Uma única lágrima caiu de seus olhos.
Ver seus próprios tios rindo dele junto com todos que estavam lá era, no mínimo, cruel.
Amélia sentiu seus olhos inundarem pelas lágrimas ao ver pelo que o pobre menino estava passando. Muitos deles já tinham voltado para o salão, mas alguns ainda o estavam encarando com repúdio e cochichando entre si. Tivera a iniciativa de salvar aquele inocente menino de uma humilhação cruel, mas fora impedida por dois que pensavam da mesma maneira que todos lá presente. E, infelizmente, tivera que presenciar uma das piores cenas que já tinha visto em sua vida. Aquele menino não merecia o que estavam fazendo com ele.
Tomando coragem, ela deu um passo à frente, mas, antes que pudesse fazer algo mais, Iliana deu a ordem ao outro criado:
- Ștefan. Ieșiți acel mugur murdar din palat chiar acum. (Stephen. Tire esse mestiço imundo do palácio agora mesmo.)
Stephen assentiu.
- Da, doamnă Iliana. (Sim, madame Iliana.)
Amélia observou horrorizada Stephen puxar a mão do menino, praticamente o arrastando dali a passos largos.
Ela olhou para Iliana, que a encarava.
- Tu (Você) - Iliana apontou para ela. - Curățați-l. (Limpe tudo isso.)
Amélia assentiu brevemente e pegou o balde que estava jogado no chão.
- Da, doamnă. (Sim, madame.)
- Și nu uitați să vă puneți în locul vostru. Acest băiat nu merită protejat. (E não se esqueça de se pôr em seu lugar. Esse menino não vale a pena ser protegido.)
Amélia deu uma última olhada para a governanta.
Ela já estava completamente corrompida pelos desejos sórdidos da Elite. Mas, ela tinha razão. Nada daquilo valia a pena.
Amélia desapareceu no corredor, e Iliana suspirou de satisfação. Uma vampira se pôs ao seu lado.
- Milady. - Iliana fez um gesto em reverência.
A vampira sorriu.
- Am venit să te salut. Ai făcut o treabă bună punând omul murdar în locul lui. (Vim cumprimentá-la. Fez um ótimo trabalho colocando aquele imundo em seu devido lugar.)
Iliana sorriu satisfeita.
- Mulțumesc, milady. (Agradeço, milady) - ela disse. - Era cel mai puțin meritat. (Era o mínimo que ele merecia.)
- Da. (Sim) - a outra assentiu. - Este o rușine să ai o jumătate de rasă în jur. Chiar mai mult fiind fiul cui este. (É uma vergonha termos um mestiço por perto. Ainda mais sendo filho de quem é.)
* * *
Stephen levou o menino até a saída dos fundos, segurando com repugnância o terno sujo de sangue, e o enxotou para fora. David caiu sem jeito em cima do monte de neve que cobria o chão.
- Pleacă, jumătate de rasă! (Vá embora, mestiço!) - Stephen bradou. - Și nu îndrăzni să intri aici din nou! (E não se atreva a entrar novamente aqui!)
David ouviu a porta bater com força. Ele se apoiou nos braços frágeis e olhou encantado para os flocos de neve que caíam no chão. Só tinha visto nevar uma vez onde morava, mas nunca pode sair de sua casa para admirar de perto, ou sentir a maciez da neve embaixo de si. Era algo bom.
Mas, mesmo que pudesse sentir aquela diferente sensação, seu coração estava esmagado. A tristeza que o invadia era quase sem fim pelo que estava acontecendo. Nem mesmo seus tios deixaram de rir dele ao vê-lo naquele constrangimento. Por que aquilo estava acontecendo?
Uma lágrima cai de seu olho.
Ele só queria entender que mal havia feito para que todos o tratassem tão mal. Ele não havia sido um bom menino?
O único que realmente mostrara ser seu amigo fora Irwin, mas ele teve que ir embora.
Mais lágrimas caíram de seus olhos.
Agora entendia. Nem mesmo seu pai e sua mãe queriam ficar ao seu lado, partindo num rumo sem fim para longe dele. Todos o ignoravam e o odiavam. Mas, por quê?
Sem obter resposta alguma para seus pensamentos, David desabou sobre a neve e pôs-se a chorar.
* * *
- Scuzați-mă, milady? (Perdão, milady?)
A vampira e a criada se surpreenderam ao notar um homem alto que se pôs atrás delas.
A Lady sorriu formalmente.
- Oh, Ivan, am dreptate? (Oh. Ivan, estou certa?)
Ele assentiu polidamente.
- Da, milady. (Sim, milady.)
- Ivan! - Alan andou a passos largos para alcançá-lo. Conde Moldovan veio logo atrás dele.
- Cu licenta ta. (Com vossa licença.) - Iliana lhes fez uma reverência e saiu em direção à cozinha, olhando desafiadora para Amélia, que estava limpando o chão.
Ivan olhou para algumas marcas de sangue que estavam no chão, e esforçou-se o suficiente para não dizer nenhuma bobagem.
- Milady. Știi unde au luat băiatul care era aici? (Milady. Sabe para onde levaram o menino que estava aqui?)
- Oh! - a Lady pôs a mão na boca com surpresa. - Nu-mi spune că cel murdar este al tău? (Não me diga que aquele imundo é algo seu?)
- E nepotul meu, doamna mea. (Ele é meu sobrinho, milady.)
Alan encarou Ivan.
Seu irmão mais velho parecia tenso, incapaz de frear-se. Quis ignorar o que havia acontecido com David, mas até para ele aquilo tinha sido algo cruel, principalmente para Ivan, que costumava ser mais sensível ao que acontecia ao menino.
Ivan até que tentará se manter paciente, mas agora parecia disposto a enfrentar quem quer que fosse, para o bem de David. Então, Alan teve que seguí-lo imediatamente, para que pudesse impedí-lo de agir por impulso. Porque, mesmo que quisesse proteger o menino, eram apenas eles dois contra muitos. Não havia nada que pudessem fazer, por isso tinham que agir com o mínimo de cautela.
- Ivan, să-l luăm pe David și să plecăm de aici. (Ivan, vamos pegar David e sair daqui) - Alan disse firmemente. - Nu putem face nimic dincolo de asta, fratele meu. (Não há nada que possamos fazer além disso, meu irmão.)
A Lady riu.
- Deci tu ești frații faimosului Vlad și unchii din chestia aia? Moldovan, trebuie să știi cum să-ți alegi cel mai bine prieteniile. "Então, vocês são os irmãos do famoso Vlad, e tios daquela coisa? Moldovan, você tem que saber escolher melhor suas amizades.)
Moldovan não retribuiu o sorriso.
- Taci, Luiza. Sunt unul dintre proprietarii acestui palat, și cu care fac prieteni sau nu, nu vă privește. (Cale-se, Luíza. Sou um dos donos desse palácio, e com quem faço ou não amizades, não te diz respeito.)
O sorriso de Luíza vacilou.
- Da, da. Văd. (Oh, sim. Entendo.) - Ela olhou para os dois irmãos. - Cred că îi vei da și o decorare, nu? (Creio que vai lhes dar uma condecoração também, certo?)
- Nu vreau decorarea (Não quero condecoração alguma) - disse Ivan firme. - Singurul lucru pe care îl vreau este să știu unde este nepotul meu. (A única coisa que quero é saber onde meu sobrinho está.)
Luíza suspirou entediada.
- Un servitor la luat afară (Um criado o levou para fora) - Ela apontou o corredor que levava à saída dos fundos.
Alan observou Ivan partir com rapidez para fora do palácio. Nunca o vira tão desesperado desde que seu pai descobrira o esconderijo de Katherine. Sonhara com uma condecoração, mas era melhor eles irem embora dali. Ainda mais naquele momento, que soubera que a maldição de Vlad ainda recaía sobre eles.
Conde Moldovan e Alan seguiram Ivan até a saída dos fundos, deparando com a visão do corpo pequeno e frágil de David estirado sobre a neve.
Alan franziu o cenho, horrorizado com a cena. Como eles puderam?
- David!
Ivan correu em disparada até o menino, levantando com cuidado seu corpo. O corpo do menino estava todo sujo de sangue, com muita neve na parte da frente, e em todo o seu rosto.
David conseguiu abrir lentamente seus olhos, vendo um borrão à sua frente que lhe lembrava um de seus tios.
- Ivan… - ele disse fraco, e logo depois tudo desapareceu na escuridão.
Ivan segurou o corpo do menino contra si, tirando de seu rosto e um pouco de sua roupa toda a neve, embora o sangue ainda permanecesse.
Ele olhou para a palma de sua mão já toda manchada de sangue.
Como pudera deixar aquilo acontecer com seu próprio sobrinho? Desde o nascimento de David, Ivan não soubera como lidar com aquela criança, por conta de tudo que havia acontecido. Mas, no fundo, ele sabia que Katherine e Vlad estavam presentes nele em cada olhar e em cada sorriso. Mesmo sendo um mestiço, David era uma criança pura e inocente, e não merecia o que fizeram a ele. E agora, Ivan pôde sentir algo ruim entalado em sua garganta, como um remorso, por não tê-lo defendido antes.
- Ivan! - Alan chegou um pouco mais perto e olhou para David, se assustando com o rosto do menino. - E bine, nu-i așa? (Ele está bem, não é?)
Ivan permaneceu calado, segurando David em seus braços. Alan engoliu em seco.
- Ivan? - Ele olhou de David para Ivan. - Nu-mi spune asta... (Não me diga que…)
Ivan não respondeu, passando a mão pelo rosto infantil.
- Ivan, a murit? (Ivan, ele morreu?) - Alan perguntou, com o tom de voz mais alterado. - Răspundeți-mi! (Por favor, me responda!)
- Calmează-te, Alan. (Acalme-se, Alan) - disse Moldovan com o rosto impassível. - Schimbarea dvs. nu va schimba nimic. (Alterar-se não mudará nada.)
Alan olhou do Conde para o irmão, que segurava seu sobrinho nos braços.
- Ivan… - ele insistiu mais uma vez.
Ivan deu um longo suspiro, como se quisesse retirar todo mal que estivesse dentro de si.
- Nu. (Não) - ele disse por fim. - David nu a murit. (David não morreu.) - Ele levantou-se, carregando a criança cuidadosamente. - Să plecăm de aici. (Vamos embora daqui.)
Alan fechou os olhos, respirando aliviado por saber que David estava vivo. Apesar de o menino ser filho de quem era, não podia negar que já havia se acostumado a ele.
- Vrei să pleci acum? (Vocês irão embora agora?) - Moldovan perguntou.
Ao ver que Ivan mal os encarava, Alan decidiu responder ao Conde.
- Da, stăpâne. Sper că înțelegi. (Sim, milorde. Espero que entenda.)
Moldovan assentiu lentamente.
- Da, înțeleg. (Sim, eu entendo) - ele disse. - Se pare că acest copil este foarte important pentru tine. (Parece que essa criança é muito importante para vocês) - ele refletiu, não obtendo nenhuma resposta dos dois. - E în regulă. Ne întâlnim din nou. (Tudo bem. Nos encontramos uma outra vez.)
Alan deu um sorriso amarelo para o conde.
- Da, milorde. (Sim, milorde.)
Conde Moldovan assentiu e adentrou o palácio.
Alan olhou aliviado para o menino e acariciou seus cabelos.
- Ce noapte groaznică, David. (Que noite terrível, hein, David.)
- Da. (Sim) - Ivan concordou. - Nu mă voi întoarce niciodată aici. Și nu voi lăsa niciodată pe David la nici unul dintre ei. (Nunca mais voltarei aqui. E nunca mais deixarei David perto de qualquer um deles.)
Alan assentiu lamentavelmente.
- Da. (Sim) - ele respirou profundamente. - Așa cum Vlad a spus odată: Elite-ul este putred. (Como Vlad já disse uma vez: a Elite é podre.)
* * *
Um mês depois…
Não eram todos os dias que eles se mantinham acordados pela manhã para cuidar de David. Shartene e Miranda podiam fazer o serviço sozinhas, mas desde o incidente no baile, Ivan tem se mostrado mais preocupado e atencioso em relação ao menino, mesmo que de uma maneira sutil.
Contudo, mesmo que se esforçasse ao máximo para agradá-lo, David tinha mudado de uma criança doce e divertida para uma criança séria e quieta demais. Ele mais parecia uma mini cópia de Damian com seu humor sombrio, inclusive na intensidade de seu olhar.
Algo em Ivan sabia que David mudara drasticamente seu comportamento pelo que havia acontecido com ele. Desde então, nenhum deles manteve contato com nenhum membro da Elite e não foram visitados por nenhum deles, nem por Gaspian. Teria a honra dele a sido quebrada naquele mesmo dia por alguns terem descoberto sua relação com Vlad?
Ivan balançou a cabeça, querendo esquecer aquilo.
Ele continuou tentando manter sua atenção na leitura do jornal, mas percebeu que David não estava brincando com os carrinhos largados à sua frente.
Realmente, o menino estava agindo de um modo muito estranho. Por algumas noites, havia notado alguém vagando pelos corredores da mansão, mas sempre o via na cama depois. Aquilo o tinha afetado tanto que temia que David pudesse piorar com o trauma que teve.
Alan largou o jornal que estava lendo no braço da poltrona.
- David.
O menino olhou para o lado, ainda de costas.
- Da? (Sim?)
- Vrei ceva să mănânci? (Você quer algo para comer?)
David voltou a atenção para os carrinhos à sua frente, embora não estivesse brincando com eles.
- Nu. (Não) - respondeu. - Mulțumesc. (Obrigado.)
Ivan também largou o jornal de lado e olhou seriamente para Alan, que também o encarou com preocupação.
- David. Ești bine? (David. Você está bem?) - Ivan perguntou com empatia.
Após um momento, David fez que sim.
Ivan continuou a olhar preocupado para o menino. David era tão novo, mas já estava sofrendo muito para sua idade.
Ambos foram interrompidos por uma forte batida na porta. Alan levantou-se para atender e pôs-se a ficar surpreso ao ver Gaspian de pé à sua frente. O que ele queria?
Alan olhou intrigado para Ivan e abriu a porta para que o lorde pudesse entrar.
- Scuzați-mă (Com licença) - Gaspian disse com a voz tensa, seu olhar pairando em David que o encarou amedrontado.
O menino rapidamente levantou-se de seu canto, tropeçando ao correr para o corredor.
- David! - Alan o chamou.
- Cred că mai bine să nu ascult ce am de spus. (Acho melhor ele não ouvir o que eu tenho a dizer) - disse Gaspian. - Deși într-o zi va trebui să-i spuneți întregului adevăr. (Apesar de que, algum dia, vocês terão que dizer toda a verdade a ele.)
Ivan levantou-se.
- Da. (Sim) - disse. - Pur și simplu culegem curajul să spunem asta. De ce ar trebui să vizităm, Lord Gaspian? (Apenas estamos reunindo coragem para dizê-lo. A que devemos a visita, Lorde Gaspian?)
- Voi fi foarte scurt. Și încercați să nu le includeți în altă nenorocire. (Serei muito breve. E tentar não incluí-los em outra desgraça.)
Alan o encarou sem entender.
- Despre ce vorbești? (Do que está falando?)
- Fratele tău sa întors. (O irmão de vocês voltou) - Gaspian disse, fazendo Alan e Ivan arregalarem os olhos com espanto. - Numai el a ucis majoritatea slujitorilor, inclusiv pe Ștefan și pe Iliana. El nu a ucis pe unii membri ai Elitei deoarece mulți au fugit. Iar cei câțiva care s-au confruntat cu asta, inclusiv cu mine, au fost răniți. (E sozinho matou boa parte dos criados, incluindo Stephen e Iliana. Ele só não matou alguns membros da Elite porque muitos fugiram. E os poucos que o enfrentaram, incluindo eu, fomos feridos.) - Gaspian pousou a mão em seu abdômen coberto pela roupa.
Alan e Ivan permaneceram em silêncio, sem saber o que dizer para o lorde. Mais uma vez, suas vidas se tornariam um inferno por causa de Vlad.
- Trebuie să-ți imaginezi ce urmează, nu? (Vocês já devem imaginar do que ele está atrás, não é?) - Gaspian perguntou, notando a resposta nos olhares dos irmãos. - Da, mi-a spus că e după băiat. (Sim. Ele mesmo me disse que estava atrás do menino.)
Ivan tomou força para falar.
- Nu credeam că se întoarce. (Não imaginava que ele fosse voltar.)
- Dar sa întors, din păcate. (Mas, infelizmente, voltou) - Gaspian disse com a voz ainda muito tensa. - Nu am văzut niciodată atât de multă ură în ochii cuiva, așa cum am văzut în el. Și pentru prima dată, în toată viața mea, m-am simțit slab. (Jamais vi tanto ódio no olhar de alguém como vi no dele. E pela primeira vez, em toda minha existência, me senti fraco.)
Alan fechou os olhos em angústia e caminhou pela sala.
- E după băiat. Și după cum știți, va fi chiar mai mult un dezastru dacă o jumătate de rasă are orice fel de contact cu un renegat, un vampir plin de ură ca Vlad. Ar putea să-și folosească propriul fiu ca pe o armă împotriva noastră. (Ele está atrás do menino. E como vocês devem saber, será um desastre ainda maior que um mestiço tenha qualquer tipo de contato com um vampiro renegado e cheio de ódio como Vlad. É bem capaz de ele usar o próprio filho como arma contra nós.)
Ivan desabou sobre a poltrona e apoiou a cabeça na mão, desapontado com tudo o que acontecera e com tudo que estava prestes a acontecer. Ele olhou envergonhado para Gaspian.
Mesmo que Lorde Gaspian e Conde Moldovan não os considerassem desonrados pelos feitos de Vlad, sabia que sua família seria manchada pela vergonha e pela desonra para sempre.
- Ce sugerați să facem? (O que o senhor sugere que façamos?)
- Pleacă. (Vão embora) - Gaspian disse, surpreendendo-os. - Pleacă de aici, pentru binele tău și pentru copil. (Vão embora para longe daqui, para o seu próprio bem e o da criança.)
Alan olhou com tristeza para Ivan.
- Nu vă faceți griji, nu este un exil. Dar cred că doar atunci nu va merge după tine. Nu fac asta pentru băiat, ci pentru toată Elite și pentru supraviețuirea noastră. (Não se preocupem, isso não é um exílio. Mas acredito que somente assim ele não irá atrás de vocês. Não faço isso pelo menino, mas por todos da Elite e por nossa sobrevivência.)
Ivan assentiu e levantou-se.
- Bine. (Pode deixar) - disse e engoliu em seco. - Plecăm astăzi. (Iremos embora hoje mesmo.)
* * *
Ivan cruza as mãos à frente de seu corpo.
- Escolhemos o Brasil para morar, pois é bem distante da Romênia, além de ser um país pacífico. Desde então, nunca mais vimos qualquer membro da Elite, embora soube que Vlad ainda continuou procurando seu filho por mais de dez anos. - Ivan sorri. - Ele nunca desistiu de David. E, por mais que David soubesse de toda a verdade, nunca lhe contamos que seu pai está vivo. E ainda temo que ele saiba.
Luana assente com tristeza.
- Não será necessário, Ivan.
Ivan e Luana olharam para cima e vêem Alan descer as escadas. Ele anda para perto de Luana, sorrindo para ela, recebendo um sorriso triste como resposta.
- Do que está falando, Alan? - Ivan pergunta.
Alan suspira profundamente.
- Nosso sobrinho estava ali em cima - ele disse. - E ouviu tudo.

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