domingo, 2 de fevereiro de 2020

Eternidade - capítulo 3





Aline ria contente, cavalgando em seu cavalo, Daniel atrás dela segurando a guia corretamente.
Ouvir a risada contagiosa da garota que amava o fazia sorrir também e, e certa forma, estar no paraíso.
- Isso é tão bom! - Disse ela levantando os braços e sentindo o ar fresco tocando sua face.
Daniel achegou-se mais à frente, perto do ouvido dela.
- Eu sabia que você iria gostar - disse ele.
Ao sopé de um monte em frente à um pôr do sol esplendoroso, Daniel puxou a guia do animal, fazendo pará-lo e desceu, logo estendendo os braços para que Aline fosse ajudada a descer.
Os pés dela mal haviam tocado o chão quando Daniel parou e a olhou intensamente, ela ainda em seus braços. O vento tocou seus cabelos enquanto ambos trocavam olhares apaixonados com partes de seus rostos iluminados pelo brilho do entardecer.
Ambos eram adolescentes e quase nada sabiam da vida ou do futuro. Mas naquele instante souberam que seu amor era maior que tudo e nada jamais os separariam.
Eles nada disseram. Apenas sustentaram olhares intensos e, ainda com ela suspensa em seus braços, Daniel mostrou todo o amor que sentia num beijo apaixonado.


Johnata sorriu alegre montado no cavalo Pompeu enquanto seu pai o acompanhava, segurando a guia do animal. Daniel sorriu contagiado pela alegria do filho.
- E aí, está gostando? - Perguntou ao menino.
Johnata olhou para o pai.
- É muito bom andar a cavalo, papai.
Daniel tomou cuidado para segurar o bracinho do filho. Não queria que ele caísse.
- Sim, é bom demais - Disse Daniel fechando os olhos ao sentir o vento no rosto. - Uma das melhores coisas que existem.
- Eu aprendi a andar direitinho - Disse o menino alegre.
Daniel achou graça.
- Calma aí, rapazinho, você ainda é muito pequeno e tem um longo tempo pela frente até, de fato, começar a aprender de verdade.
- Com quantos anos você acha que eu vou aprender? - perguntou o menino.
Daniel se pôs a pensar.
- Bem, eu aprendi com doze, treze anos. Talvez você aprenda com quarenta - brincou sorrindo.
Johnata fez cara feia.
- Quarenta? - o menino perguntou alarmado. - Isso é muito tempo - reclamou sendo alvo de risadas do pai. - Papai!
- Tudo bem - Daniel falou forçando seriedade. - Talvez você aprenda andar a cavalo com a mesma idade que eu aprendi. Tudo vai depender de você.
- Eu vou treinar todos os dias! - Disse o menino em determinação.
Daniel olhou para o filho.
- Todos os dias? Esqueceu que você tem aula?
- Talvez eu possa andar com ele quando o sol já estiver indo embora. Por favor, papai - o menino pediu.
Daniel suspirou.
- Vamos ver isso até lá. Por enquanto, vamos colocar Pompeu de volta no canto dele, pois o sol já está ficando forte. E nós temos que almoçar.
O menino sorriu e se abaixou para abraçar o pescoço do cavalo.
Daniel tomou um breve susto, preparando-se para protegê-lo caso o menino caísse, mas notou que estava tudo bem e que Pompeu havia gostado da criança.
Daniel sorriu com o gesto bonito e inocente do filho.


O tempo não havia passado rápido ou devagar demais, mas normalmente.
Daniel e Johnata haviam almoçado, cuidado da horta do rancho e feito as mesmas coisas que incluíam tarefas, entretenimentos e compras num mercado próximo de casa.
Não havia qualquer tipo de tecnologia para entreter pai ou filho, mas eles gostavam daquela vida pacata.
À noite, após jantarem e tomarem seus banhos, Daniel, estava deitado em sua cama, pensativo, a cabeça apoiada no braço sobre o travesseiro. Johnata estava deitado acima do corpo do pai. O menino tinha sua própria cama e dormia sozinho, mas às vezes gostava de estar junto do pai. Daniel também gostava.
- Papai - Chamou o menino.
- Hum...?
- Como era a mamãe?
Daniel se pôs a pensar por um breve instante.
- A mulher mais linda, tanto por dentro quanto por fora.
- Por dentro? - estranhou o menino.
- Ela era uma pessoa bondosa, altruísta, sincera - explicou Daniel. - Ter qualidades boas é ser bonito por dentro.
O menino olhou para o pai.
- Eu sou bonito por dentro? - indagou.
Daniel sorriu e passou a mão pelo cabelo despenteado do menino por conta do vento do ventilador.
- Você é muito bonito, por dentro e por fora.
- Obrigado - agradeceu a criança. - Acho que puxei a você.
Daniel achou graça.
- Obrigado. Você puxou a mamãe também - ele disse ao filho.
- O que eu tenho dela? - o menino perguntou curioso.
Daniel inclinou a cabeça, analisando o rostinho do filho.
- Bem, algumas coisas. Seu sorriso é idêntico ao dela.
O menino sorriu e voltou a deitar no peito do pai.
- Eu queria ter conhecido a mamãe.
Daniel engoliu em seco e olhou para o teto. Ele podia sentir o choro entalado na garganta.
Não se lembrava da primeira vez que Johnata havia dito aquilo antes, mas desde aquele momento sentia-se mal e incapaz de fazer qualquer coisa.
Aline havia ido embora por uma razão importante e era exatamente essa razão que os impossibilitavam de ficarem juntos e dela conhecer o filho. É mesmo que eles pudessem estar juntos, onde a encontraria?
- Eu também queria muito que você a conhecesse - Disse Daniel, a voz rouca.
- Ela aprendeu andar a cavalo com quantos anos, papai? - Johnata perguntou.
- Éramos adolescentes. Ela tinha quinze anos - Daniel respondeu.
- Antes de a gente voltar a ver a mamãe, vou aprender a andar no Pompeu para mostrar a ela - disse a criança.
Os olhos de Daniel ficaram marejados, mas ele piscou para espantar as lágrimas.
- Sim, e você vai conseguir - ele disse e beijou o topo da cabeça do menino.
- Papai - Johnata voltou a chamar, a voz sonolenta.
- Diga.
- Eu adorei aprender andar a cavalo.
Daniel sorriu e aconchegou o menino mais junto a seu corpo, cobrindo ambos com o lençol.
- Fico feliz que você tenha gostado, meu filho. Agora vamos dormir.
- Boa noite, papai - disse o menino aconchegando-se a Daniel.
Daniel abraçou o filho e sorriu.
- Boa noite, meu anjo.

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