domingo, 2 de fevereiro de 2020

Eternidade - capítulo 4




Dessa vez, Johnata não acordara tarde e Daniel o levou para a escola. Não havia prometido nada, mas talvez iria continuar o treinando para aprender andar a cavalo.
Daniel continuou a caminhar tranquilamente enquanto seu braço balançava de um lado para o outro por causa que Johnata cantarolava e pulava para lá e para cá.
Ele sorriu para o filho.
Diferente de boa parte dos pais que conhecia, Daniel não se irritava com brincadeiras como a que o menino estava fazendo, tampouco era impaciente com ele. Ele gostava de cuidar do filho, brincar, contar segredos e pensamentos. Johnata não era só seu filho, mas seu amigo, exatamente como a mãe dele.
Johnata não era muito fã de escolas, matérias e todos aqueles aparatos. Mas ele nada tinha a se queixar dos professores e dos amiguinhos da sala de aula. O menino parecia gostar de todos e as pessoas da escola também gostavam dele.
A mulher ajeitou o cabelo para trás da orelha, como num gesto de charme.
É comum algumas mulheres ajeitarem mechas de seus cabelos para trás da orelha ou por cima do ombro quando estão ou são interessadas em alguém. A mulher bonita era interessada em Daniel há muitos anos, desde que ele era adolescente, mas desde aquela época ele não demonstrava interesse em outras mulheres, pois vivia um lindo amor de verão com uma bela moça. Aliás, ela não era a única na fila; havia várias outras jovens mulheres interessadas nele. Daniel nunca fora galanteador, mas era difícil alguma jovem mulher de vinte e poucos anos de idade - fosse moradora ou turista - não se apaixonar por ele. Não era apenas por sua aparência, mas também por seu jeito de ser.
- Fico me perguntando por que ele faltou ontem - Disse outra jovem a ela, vendo Daniel chegar com o filho saltitando.
- Verdade - falou a mais nova. - Talvez teve que fazer outra coisa.
Daniel passou por algumas pessoas antes de agachar-se perante o filho e dar-lhe um beijo de despedida no rosto.
- Ele é tão cuidadoso com o filho, não é? - Perguntou a mulher mais velha.
- Sim. Ele é tão jovem e já é pai - disse a mais nova. - E é tão responsável com o menino... Parece que ele nasceu para isso.
A mulher mais velha tirou os olhos de Daniel e os pousou na mulher mais jovem.
- Mas sobre o que me pergunto mesmo é por que a esposa dele o abandonou.
A mulher mais jovem meneou a cabeça ainda com os olhos fixos em Daniel.
- Ela não era esposa dele, apenas um romance de verão - respondeu. - Todo o verão ela aparecia aqui com a família, não se lembra? - A mulher mais jovem suspirou. - Eles eram tão apaixonados que duvido muito ele querer voltar a se apaixonar por outra pessoa.
- Infelizmente - falou a mais velha. - E acredito que o amor dele por ela nunca vai acabar.
Daniel caminhou pelo lado contrário da escola, sorrindo e acenando para o filho que estava de mão dada com uma das professoras.
Ele iria fazer as tarefas e casa, alimentar os animais e almoçar antes de cochilar um pouco para depois buscar Johnata na escola. Ele não se lembrava de estar com tanto sono, mas isso era normal em sua situação. Cuidar de um filho não era fácil, mesmo que o menino não fosse do tipo que desse muito trabalho.


O vento soprava o cabelo de Daniel.
Ele havia acabado de dar comida para os animais e ajeitando a cerca do curral, quando viu o tão conhecido carro prata à frente, como em todos os outros verões.
Ele sorriu contente. Era ela. Era o seu amor.
Daniel nem mesmo conferiu se seu trabalho estava correto e correu na direção do carro. A porta de trás do carro abriu-se e dele surgiu Aline, o amor de sua vida, quase tropeçando no meio do caminho ao também correr pelo campo em sua direção.
O carro seguiu seu trajeto costumeiro e o casal encontrou-se finalmente, Aline pulando em seu colo, o rosto todo radiando felicidade.
Daniel beijou seu rosto, seu cabelo, sua boca e Aline recebia o carinho com satisfação, o coração batendo forte.
- Eu senti tanto a sua falta! - Ela disse e o beijou com sofreguidão.
Daniel sorriu e acariciou-lhe os cabelos que balançavam com o vento.
- Eu também - disse ele. - Passar um ano longe de você é completamente sufocante.
O sol começou a abaixar no céu, dando uma cor alaranjada ao horizonte quando o casal apaixonado depositava todo o seu amor e saudade no beijo que deram.
Daniel e Aline se conheceram três anos antes e desde então não conseguiram mais ficar longe um do outro, apesar de terem que suportar um intervalo de um ano até poderem se ver, pois os pais e Aline moravam longe. Mas mesmo que os pais dela fizessem planos de passar as férias longe, sempre acabavam desistindo no final, pois sabiam que a filha amava Daniel e queria estar com ele, mesmo que por pouco tempo.
Aline não dormia com Daniel  é claro. Mas um ano antes ela decidiu entregar-se a ele, pois o amava mais que tudo e queria demonstrar esse sentimento além das palavras. Seus pais não sabia, ela não havia contado a ninguém. E Natália mal esperava completar a maioridade para tomar a decisão definitiva de ficar com o homem que amava.
Mesmo se recusando, Natália quebrou o beijo e aconchegou-se mais ao abraço do seu amor e olhou sorrindo para ele.
- Isso vai acabar, Daniel - Disse ela ainda com fortes batimentos cardíacos pela emoção de voltar a vê-lo. - Quando eu completar a maioridade, vou ficar aqui com você. Eu prometo.
- Eu mal posso esperar por esse dia - Daniel disse e sorriu, voltando a tomar a boca de sua amada num beijo apaixonado.


Daniel acordou um pouco suado. Olhou para o relógio de cabeceira e notou que faltavam dez minutos para buscar Johnata na escola. Pelo visto, havia cochilado bastante.
Levantou-se e foi lavar o rosto, preparando-se para sair e buscar o menino.
Ele tinha sonhado com Aline mais uma vez. Como sempre, desde o dia em que a conhecera.
Ele ouvira falar sobre amor à primeira vista, mas jamais acreditou, seria uma bobagem. Mas não era. Desde que vira Aline em sua frente nas primeiras férias e verão que ela havia passado com a família na casa de campo, sentiu que aquela emoção dentro de si era amor. E ela também sentira o mesmo.
Pensar que Aline o havia prometido que eles finalmente ficariam juntos quando ela completasse a maioridade, para algum tempo depois ela ir embora para nunca mais voltar, o machucada demais. Por que o destino teve que ser bondoso a colocando em sua vida para, logo depois, tirá-la à força?
Daniel continuou seu caminho até a escola, tentando afastar os sentimentos negativos de sua mente.
Na entrada da escola estavam alunos saindo e pais ou responsáveis esperando para pegar os seus e levá-los para casa. Johnata avistou o pai e sorriu, correndo até ele. Daniel pegou o filho no colo e beijou-lhe o topo da cabeça.
- E então, como foi? - Perguntou ao filho.
- Foi legal - respondeu a criança. - Hoje pintamos as bandeiras.
- Bandeiras? De países?
- Sim - Johnata assentiu. - E também aprendemos palavras difíceis.
- Ah, é? Então, quando chegarmos em casa, você me dirá quais palavras aprendeu.
Johnata assentiu.
- Tudo bem - O menino concordou.
Daniel ergueu-se ainda sorrindo e, como em qualquer momento normal, seus olhos voltaram-se ao longe, onde estavam os adultos e as crianças. Seu sorriso se esvaiu e seus olhos se arquearam quando ele avistou Fábio, o motorista da família de Aline, entre a multidão.

Nenhum comentário:

Postar um comentário