Daniel estacou por um momento, sem saber o que dizer ou sequer pensar.
Era como se por todo o tempo as linhas que os conectavam estivessem distantes uma da outra, para agora que existia uma esperança de se conectarem novamente, elas se separasse ainda mais.
Sua esperança em voltar a ver Aline perdurara em sua mente e em seu coração. Mas como poderia sustentar essa esperança com a revelação de Fábio?
Ao ver Daniel calado e surpreso com o que havia dito, Fábio decidiu quebrar aquele silêncio que pairava entre eles.
- Acredito que a senhorita Aline deve ter dito a você que a família estava passando por dificuldades.
Daniel assentiu.
- Sim, ela disse - respondeu vagamente. - Por essa razão, fez o que fez.
Fábio ajeitou-se desconfortável no banco.
- Eu realmente gostava de trabalhar para eles, mas tive que ser demitido e não os vejo há anos. Não sei onde moram, o que fazem. - Deu de ombros. - Perdemos total contato.
Daniel assentiu, a mente vaga.
Fábio notou a tristeza refletida no rosto do jovem rapaz e lamentou toda aquela situação. Daniel ainda a amava muito e queria vê-la novamente, apesar do que acontecera. Aline estava vivendo uma nova vida, ou era o que parecia, mas Daniel parecia não se importar com os problemas que os cercavam e os impedia de ficarem juntos.
Fábio suspirou triste por aquela situação. Os únicos sons que podiam se ouvir era de algumas pessoas conversando e das crianças brincando nos brinquedos do parquinho. O pequeno Johnata brincava alegre e sorridente com seus amiguinhos.
Fábio tentou mudar de assunto, visto que Daniel parecia estar triste e pensativo.
- Seu filho é uma criança muito alegre - comentou.
Daniel ergueu a cabeça e olhou para o filho. Ele esboçou um leve sorriso.
- Sim, ele é - concordou
- Olhando bem, ele parece ser uma miniatura sua - Fábio disse e olhou para o jovem ao seu lado. - Claro, com algumas exceções.
Daniel assentiu.
- As exceções são da mãe, ele tem algumas coisas parecidas com ela. Principalmente o sorriso.
Fábio voltou a olhar para o menino.
- Sim, o sorriso é muito parecido - concordou.
Eles permaneceram em mais um breve silêncio, o vento tocando seus rostos.
Fábio olhou para Daniel que permanecia pensativo, sem fala.
- Você ainda a ama muito, não é? - Fábio perguntou.
Os olhos de Daniel ficaram marejados e só com aquilo Fábio já não precisou de resposta.
- Ela é tudo pra mim - Daniel respondeu, a voz embargada. - Ela e o meu filho.
Fábio assentiu e olhou para o menino.
- Johnata nem mesmo deve se lembrar do rosto da mãe, não é?
Daniel fez que não.
- Não, ele era recém-nascido ainda - respondeu. - Tinha apenas poucos meses.
Fábio olhou do menino para o pai e suspirou profundamente.
- Você gostaria de voltar a vê-la?
Daniel olhou para ele.
- Com toda a certeza - Daniel respondeu, embora não houvesse firmeza em sua voz. A chama da esperança dentro de si estava apagada.
Fábio assentiu pensativo.
Fazer o que pensava em fazer não seria fácil, mas tentaria, pelo amor que Daniel sentiu e ainda sentia por Aline.
Ele havia visto os dois se apaixonarem, terem encontros, estarem juntos nas poucas férias que passavam. Era como se fosse cúmplice de um amor que nunca acabaria. Infelizmente, Fábio havia presenciado os dois amantes se apaixonarem, deixando restar uma pequena lembrança do amor que tiveram, e nada pôde fazer para consolar sua jovem patroa a não ser dar um lenço para que ela pudesse enxugar as lágrimas. Havia sido cúmplice de um amor e cúmplice de um término doloroso e se sentira um inútil por não poder fazer nada para ajudar. Mas agora seria a sua chance de ajudar aqueles dois, de alguma forma. Mesmo que Aline estivesse tendo outra vida em outro lugar distante, Fábio podia confiar que o amor dela por Daniel não havia acabado.
- Peça alguns dias de férias para o menino - Ele disse a Daniel.
Daniel o encarou sem entender.
- O que?
- Vou levar você e o seu filho para encontrá-la.
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