domingo, 2 de fevereiro de 2020

Eternidade - capítulo 7




- Você faria isso mesmo? - Perguntou Daniel, o coração se enchendo de esperança.

- Vai ser complicado... Mas tentarei encontrá-los de alguma forma. É um dever que tenho para com vocês.

Daniel o encarou sem entender.

- Dever?

- Eu praticamente fui o responsável por juntar você e a senhorita Aline. Eu a via sentir-se melhor e mais feliz com o romance que vocês tinham e torcia para que o relacionamento de vocês perdurasse. - Fábio deu de ombros. - No final, acabei vendo tudo terminar de forma drástica e me senti mal por não ter feito nada. Afinal, o que eu poderia fazer? Mas agora sinto que posso fazer algo, entende?

Daniel assentiu agradecendo por ter alguém como Fábio por perto.

- Agradeço muito - Disse Daniel. - Você não sabe o quanto. 

Fábio sorriu para o jovem rapaz e levantou-se. Daniel também levantou-se em seguida.

- Não precisa agradecer. Apenas apronte algumas coisas suas e do menino e, claro, um bom dinheiro, pois a viagem será longa - Fábio disse. - Amanhã estarei ocupado, mas creio que seja melhor para você adiantar algumas coisas em relação à escola do seu filho. A não ser que você o deixe com alguém.

Daniel fez que não.

- Não, ele irá comigo - disse. - Quero que ele conheça a mãe.

Fábio assentiu.

- Tudo bem, então. - Ele estendeu a mão a Daniel e apertou em cumprimento formal. - Depois de amanhã, te encontrarei aqui neste banco, neste mesmo horário da tarde.

Daniel sorriu. Seu coração estava radiando alegria pela expectativa de voltar a encontrar seu amor.

- Estarei aqui. Obrigado pelo que está fazendo por mim e meu filho, Fábio.

- Já disse, não precisa agradecer. Até mais. E dê um abraço em seu filho por mim.

Dizendo isso, Fábio se afastou ao longe e Daniel o viu desaparecer.

O destino parecia estar brincando com suas esperanças e expectativas ao ligar a linha que o unia a Aline, para depois separar, e agora ligar novamente. Ele esperava muito que dessa vez, de fato, conseguisse finalmente encontrá-la, mesmo que por um breve momento já que agora ela tinha uma nova vida.

Ele carregou a mochila de Johnata e chamou o menino que agora brincava com apenas duas crianças, já que as outras haviam ido embora.

- Vamos embora - Daniel disse ao filho.

- Está bem. - Johnata desceu do brinquedo e despediu-se dos amiguinhos.


No gramado que dava para ver montes enormes com o pôr-do-sol ao fundo, Daniel e Johnata estavam sentados apreciando a tranquilidade da paisagem enquanto Pompeu pastava não muito longe.

- Filho, quero que prepare parte de suas coisas antes de irmos dormir - Daniel disse ao filho. - Depois de amanhã iremos viajar.

O menino olhou interessado para o pai.

- Viajar? - perguntou curioso. - Para onde?

Daniel deu de ombros.

- Eu não sei - respondeu ao filho. - Mas terei que conversar com seus professores sobre as faltas que você terá na escola a partir de depois de amanhã.

O menino ainda não parecia entender.

- Eu vou faltar a escola? - perguntou. - Mas para onde a gente vai? Você não me respondeu.

- Fábio, o homem que você conheceu hoje, disse que nos levará até onde sua mãe está.

O rosto da criança iluminou-se de alegria.

- A gente vai ver a mamãe?

Daniel sorriu e olhou para o filho.

- Eu torço por isso, meu filho.

- Mas aonde a mamãe está? - o menino perguntou esperançoso.

Daniel meneou a cabeça, pensativo.

- Nem ele mesmo sabe - respondeu. - A família de sua mãe estava com dificuldades financeiras e teve que demiti-lo. Por isso, ele perdeu contato com todos.

- Mas como vamos encontrar a mamãe?

- Procurando-a - Daniel respondeu. - Fábio sabe de alguns lugares por onde ela passou e morou, alguns conhecidos dela. Talvez assim podemos pegar algumas informações e finalmente encontrar a sua mãe.

O menino olhou para o pai, os pequenos olhos brilhando de alegria e de esperança.

- Eu vou poder conhecer a mamãe...

O sorriso de Daniel se ampliou.

Não estava contente apenas por suas próprias expectativas, mas também por ver a felicidade do filho em querer ver Aline pela primeira vez.

- Mas... - Johnata olhou para a pradaria e o pôr-do-sol ao longe. - E se a gente não conseguir ver a mamãe?

O coração de Daniel pareceu parar por um instante, mas ele tratou e ignorar o sentimento negativo.

- Johnata, olhe para mim - Ele pediu.

Johnata olhou para o pai.

No fundo daqueles olhos esperançosos havia uma ponta de tristeza. Daniel sentiu-se mal ao ver o filho daquela forma.

Ele se achegou mais perto da criança.

- Ei - Daniel murmurou. - Não importa o que aconteça, nós vamos encontrar a sua mãe. Eu não conseguiria fazer isso sozinho, pois a sua mãe e eu ficávamos apenas aqui; eu não conhecia mais nada relacionado a ela, a não ser a família. Fábio voltou e creio que foi Deus quem o colocou em nossa vida para nós ajudar a encontrar sua mãe. E agora eu te prometo, meu filho, que vamos encontrá-la - Daniel disse sem titubear, olhando firmemente para o menino. - Você vai encontrar a sua mãe. E isso é uma promessa.

Johnata sorriu, os olhos voltando a fatiar alegria.

- Eu acredito, papai.

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