Fábio olhou para Daniel e deixou que ele falasse.
— Acabamos de falar ao seu filho. Viemos aqui para obtermos informações sobre uma pessoa — Daniel explicou para a senhora.
— Eles estão atrás da menina Aline, mamãe — Luciano falou.
— A senhora a conheceu? — Daniel indagou.
Dalva assentiu.
— Sim, eu era cozinheira da família muito antes de meu filho assumir o meu lugar — ela respondeu. — Meu filho e eu vimos aqueles meninos nascerem, ela e o irmão. Qual era mesmo o nome dele?
— Lucas, mamãe — Luciano respondeu.
— Ah, sim, Lucas — Dalva lembrou-se. — Mas, e você? De onde a conhece? — A senhora perguntou a Daniel.
Daniel ponderou por um momento.
— Posso contar para a senhora e o seu filho em algum momento mais adequado.
O menino, dentre as quatro crianças, puxou levemente a calça que Luciano vestia.
— Quem é ele? — A criança perguntou olhando curioso para Johnata.
Luciano também olhou para Johnata, mas Dalva foi mais rápida antes de ele responder.
— Eu mal havia notado está criança em seu colo. — Dalva disse a Daniel. — É seu filho?
Daniel assentiu.
— Sim — ele respondeu e Johnata despertou aos poucos. Daniel olhou para o filho. — Olá, dorminhoco.
Johnata bocejou aninhado nos braços do pai.
— Papai, que horas tem?
— Já está quase anoitecendo — Daniel respondeu. — Se dormir mais, não conseguirá dormir à noite.
Johnata coçou os pequenos olhos.
— Não estou mais com tanto sono. — Johnata fitou o homem, a senhora e as crianças olhando para ele. Haviam crianças, pensou contente. — Olá. — Acenou de modo tímido.
As outras crianças também acenaram de modo ainda mais tímido e Luciano sorriu.
— Estava muito cansado, não estava? — Ele perguntou ao menino.
Johnata assentiu e rapidamente saiu do colo de seu pai para sentar-se ao lado no sofá. Daniel achou graça, pois ele já sabia o motivo para Johnata estar agindo de tal modo.
— Demorou muito — O menino reclamou. — Parecia que a viagem nunca iria acabar.
Mas ela não acabaria ainda, Daniel pensou. Não enquanto eles não encontrassem Aline, o que teria de ser feito em uma semana, pois Johnata teria que voltar para a escola.
— Você vomitou? — Perguntou uma menina que aparentava ser a mais velha das crianças.
— Não — Johnata respondeu meneando a cabeça. — Mas senti vontade.
— Então vamos fazer assim: — Luciano levantou-se da poltrona. — crianças, vão para os quartos guardar os materiais e trocar de roupa; mamãe, vá fazer um café bem gostoso enquanto eu faço os bolinhos.
— Não precisa se incomodar — Daniel adiantou-se sem jeito.
— Sempre faço algo gostoso para o lanche — Luciano disse. — E também vocês devem estar com fome depois de toda essa viagem.
Daniel notou Johnata concordar com os olhos brilhando.
As outras crianças correram alegres e serelepes na direção do corredor que dava para outros cômodos. Dalva olhou para Johnata.
— Quer vir nos ajudar? — A senhora convidou o menino.
Johnata sorriu de orelha a orelha e fitou o pai, pedindo o consentimento. Daniel sorriu e assentiu.
— Pode ir — Ele permitiu e observou o filho dar a mão à Dalva, os dois indo juntos para a cozinha.
— Obrigado pela água. — Fábio estendeu o copo vazio para Luciano que o pegou.
— Querem mais água? — Luciano perguntou aos outros dois homens. Fábio fez que não.
Daniel também estendeu seu copo vazio para Luciano.
— Estou satisfeito, muito obrigado — disse Daniel. — Só Johnata que ainda não bebeu.
— Aproveitando que vou fazer os boinhos, darei um pouco de água para ele. — Luciano pegou a jarra e os copos. — Qualquer coisa que vocês quiserem, não hesitem em pedir.
— Não queremos nada por enquanto — Daniel falou e fitou Fábio que concordou. — Só peço para que, por favor, não o deixe perto de alguma faca ou fogo.
— Mas é claro! Aqui as crianças não mexem com essas coisas — Luciano assegurou. — Pode deixar, seu filho ficará bem. Não demoro!
Fábio observou Luciano desaparecer rumo à cozinha e rapidamente sentou-se ao lado de Daniel.
— Temos dois "problemas" — Comentou.
— Quais? — Daniel perguntou.
— O primeiro é que eles não responderam se sabem ou não onde a senhorita Aline ou a família devem estar.
— Compreensível. — Daniel assentiu pensativo. — Mas acabamos de chegar e tivemos uma pequena distração. Espero que eles não demorem muito para responder. Mas qual seria o outro "problema"?
Fábio olhou para o céu alaranjado através de uma das janelas.
— Já vai anoitecer e teremos que ficar aqui, você sabe. Por mim, não tem nenhum problema, mas talvez você esteja com pressa.
Daniel olhou para o céu alaranjado, olhou na direção da cozinha onde se podia ouvir risos de crianças e voltou sua atenção a Paulo.
— Bem, não podemos fazer muita coisa à respeito — Daniel falou. — Ou nos hospedamos hoje aqui ou em alguma outra pousada que tenha por perto.
— Tudo bem — Fábio concordou.
— E, Fábio, por favor, não conte a eles sobre eu e Aline — Daniel pediu. — Não quero ficar falando sobre detalhes da minha vida para todas as pessoas que formos obter informações.
Fábio assentiu.
— Sim, claro. Ainda porque não é tão necessário — concordou.
— Vamos sair daqui amanhã de manhã cedo, assim como fizemos na casa de dona Maria — Daniel continuou. — E se eles não souberem nos informar o que precisamos saber, vamos direto para a casa da amiga de Aline.
— Sim. — Fábio assentiu concordando. — Vamos perder o menor tempo possível.
— Papai, olhe!
Ouviu-se a voz de Johnata quando ele apareceu alegre e sorridente na sala, as mãos estendidas e cobertas por algo que parecia ser massa.
Luciano apareceu em seguida, sendo seguido pelas outras crianças.
— Ele está aprendendo a amassar e misturar a massa — O homem disse para Daniel que olhava apreciativo. — É claro que está com as mãos todas grudadas, mas logo ele aprende.
As outras crianças sorriram, um pouco mais tímidas na frente dos outros adultos.
Daniel sorriu para o filho.
— Mais uma coisa a aprender, hein? — Comentou com seu coração se enchendo de orgulho de seu menininho.
Johnata arqueou as sobrancelhas ao lembrar-se sobre a que o pai se referia. O menino olhou para Luciano e aos novos amiguinhos.
— Ah! Sabiam que eu estou aprendendo a andar a cavalo também?
Luciano e as crianças o fitaram surpresos, mas as crianças com um pouco de descrença e desconfiança.
— Verdade? — Luciano perguntou segurando a tigela onde continha a maior quantidade de massa. — Vocês moram numa fazenda?
— Um pequeno rancho — Daniel respondeu. — Eu o estou ensinando a andar a cavalo.
— Papai tem três lá em casa! — Disse o pequeno e animado Johnata para as outras crianças que agora pareciam acreditar.
— Também tem um pônei? — Perguntou uma outra criança.
Daniel sorriu para a pequena menina.
— Não tem um pônei, mas Johnata está aprendendo a andar no cavalo mais novo — ele respondeu à garotinha.
— Eu quero também — A menina pediu com um olhar suplicante para Luciano. Pela semelhança, devia ser filha dele.
Luciano e os outros sorriram.
— Minha filha, até papai conseguir dinheiro para comprar um pônei ou um cavalo, você já vai ter crescido — Luciano disse para a menina. — Tio Daniel deve ser rico.
Daniel sorriu em escárnio.
— Não, nunca fui — disse o jovem rapaz. — A maior parte do que tenho no rancho é herdada pelos meus pais e dos antepassados antes dele que, por sinal, também não eram ricos. Aliás, o cavalo que Johnata está aprendendo a andar foi resgatado das ruas quando era filhote.
— O nome dele é Pompeu — Johnata disse para os novos amiguinhos.
— Nome bonito, "Pompeu" — Luciano falou. — Mas agora vamos voltar à cozinha para a massa ser finalizada e podermos fazer os bolinhos.
As crianças obedeceram e Johnata ficou brincando com a pouca quantidade de massa grudenta nas mãos.
— Depois veremos se você aprendeu mesmo a fazer massa de bolinhos — Daniel brincou com o filho.
Johnata esboçou um grande sorriso e correu para junto de Luciano e das outras crianças. Daniel observou o filho ir e olhou para o seu lado direito do sofá; Fábio não estava ali. Não o vira se levantar. Ele estava do lado de fora falando ao telefone; devia ser com a mulher e o filho.
Daniel sorriu admirado. Fábio parecia amar muito a família, ainda que não pudessem ficar completamente juntos por enquanto. E, assim como Fábio, Daniel sentia-se frustrado e incapacitado por não ter Aline ao seu lado como mulher e mãe. Ele não queria se precipitar e apressar as coisas, mas o desespero por vê-la e dizer a ela o quanto a amava e o quanto sentia sua falta o consumia por inteiro.
Mas trataria de descansar um pouco e interagir com aquela família que parecia ser bem animada, deixaria a ansiedade para o dia seguinte. Johnata estava gostando do lugar e das pessoas e aquilo podia lhe satisfazer por enquanto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário