domingo, 19 de julho de 2020

Eternidade - capítulo 25




Então, Daniel — Luciano falou enquanto pegava mais algumas batatas-fritas. — Como foi ser pai solteiro para você?

Daniel esperou por um breve momento, pensativo, antes de responder.

— Um pouco complicado, pois eu não tinha experiência e nem mesmo sabia como cuidar de um bebê. Mas, aos poucos, fui melhorando e tentei me aperfeiçoar cada vez mais, mesmo cometendo alguns erros bobos, como dar leite quente de vaca para o meu filho beber. — Ele sorriu com a lembrança.

— Deu lente quente para ele? — Dalva inquiriu sorrindo.

— Eu não sabia regular a temperatura — Daniel respondeu e o seu sorriso acanhado ampliou-se. — Depois que eu fui aprender a medir a temperatura do líquido em minha própria pele, e inclusive que leite de vaca não é o essencial para bebês recém-nascidos.

— Essas coisas acontecem — Luciano disse, ainda que estivesse rindo do relato de Daniel. — Eu não cuidei de dois bebês sozinho, pois eu ainda estava com a mãe deles, e logo depois de nosso divórcio, tive a ajuda da mamãe e da minha irmã que já havia tido uma filha antes de nascer a minha primeira menina. Não foi fácil, mas aos poucos me acostumei, e até hoje acho que cuidar dos meus dois filhos, mais as minhas duas sobrinhas, é uma das melhores coisas para mim. Mas é claro que comigo foi e é mais fácil, diferente de sua experiência.

Daniel assentiu e serviu-se mais uma vez do aperitivo.

— O meu lado não é tão difícil assim — Daniel disse após um breve momento. — Quando Johnata ainda era um bebê, eu me sentia perdido, sem saber o que fazer, mas hoje em dia é muito fácil cuidar dele. Ainda porque, recentemente, o meu filho começou a manifestar o desejo de se cuidar sozinho, em vez de ter a minha ajuda. — Daniel sorriu. — Ele diz que já é um homem.

— Um "homem"? — Dalva exclamou descrente e os três riram. — Então foi por isso que ele saiu rápido do seu colo quando nos conhecemos ontem.

— Agora ele não quer mais que eu dê banho nele, que eu o carregue no colo, que eu dê comida na boca dele — Daniel continuou ainda sorrindo. — Johnata se acha crescido demais.

— Um menino precoce — Dalva disse e deu um gole em sua bebida.

— Exatamente — Daniel concordou. — Mas acho que eu também era assim quando criança, autossuficiente. Porém, acho que ele é mais.

— É comum isso ocorrer com algumas crianças. — Luciano encheu mais um pouco o seu copo e o copo e Daniel. — Mas isso não quer dizer que o seu filho não precisa de você. Pelo contrário, ele é uma criança muito nova, e também te ama demais. Qualquer um percebe que ele é louco por você.

Daniel assentiu sorrindo e deu um gole na cerveja.

— Com quem ele é mais parecido, com você ou com a menina Aline? Me refiro ao jeito, claro — Luciano perguntou. — Em questão de aparência, ele é praticamente idêntico a você.

Luciano sentiu o cotovelo de Dalva avançar contra a sua costela. Ele gemeu de dor e encarou a mãe sem entender.

— Mamãe? — questionou confuso enquanto apoiava a mão onde estava doendo.

Dalva o fitou em censura.

— Não fique falando sobre a menina Aline — Dalva o repreendeu. — Daniel ficará triste.

Daniel sorriu achando graça da situação e apoiou o copo na mesa.

— Tudo bem, não precisa se preocupar. Johnata tem muito da mãe dele e muito de mim. É difícil explicar — Daniel respondeu e deu de ombros. — Às vezes, ele é mais realista como eu, e mais sonhador como a mãe.

— Verdade — Luciano concordou. — A menina Aline era muito sonhadora. Em certos momentos, parecia que ela estava completamente fora deste mundo.

Daniel sorriu, pensativo.

— Está se sentindo bem, Daniel? — Dalva indagou num tom de preocupação.

Daniel a fitou.

— Claro que sim, dona Dalva. — Daniel esboçou um sorriso tranquilo. — Não estou triste, se é o que está pensando. Apenas fiquei pensativo, perguntando-me como Aline devia ser além do que eu já ouvi sobre ela. Saber que ela era tão querida por vocês e por outras pessoas, assim como o meu filho está sendo, me faz bem.

Eles permaneceram em silêncio por um breve minuto. Johnata apareceu correndo e pulou no colo do pai.

— Opa! — Daniel olhou surpreso para o filho. — O que houve?

— Nada — Johnata respondeu sorrindo, embora a sua respiração estivesse um pouco acelerada, e beijou o rosto do pai. Daniel também sorriu e o beijou de volta, aconchegando mais o corpo do filho em seu colo.

As outras crianças também estavam agitadas e alegres como Johnata, e corriam saltitantes, sendo seguidas por Fábio.

— Eu as trouxe para lançarem um pouco — Fábio disse enquanto as crianças se sentavam. — Afinal, saco vazio não pára em pé.

— Está certo — Luciano concordou e olhou para as crianças. — Divertiram-se?

— Foi legal — respondeu a filha, animada. — Fomos no carrossel. Tinham cavalinhos, e acho que tinham também dois carrinhos — a menina disse como se estivesse contando em pensamento. 

— Tinham quatro — respondeu a menina mais nova.

— Agora vão lanchar um pouco antes de voltarem a brincar — Dalva disse para as crianças.

— Oba, batata-frita — um outro menino falou com água na boca.

— Quer que eu vá comprar mais refrigerante para eles? — Fábio perguntou.

Luciano fitou o amigo e assentiu.

— Sim, por favor. — Luciano pegou a carteira do bolso e tirou uma nota, estendendo-a para Fábio. — Compre duas garrafas de refrigerante para eles. O seu já acabou, mamãe? — Luciano perguntou para Dalva.

— Está quase no final — Dalva respondeu olhando para a pequena garrafa com pouco refrigerante. Olhou para o filho. — Se o meu acabar rápido, eu bebo junto com eles.

— Sabia que você está no colo do papai? — Daniel sussurrou para Johnata. — E eu achando que você já era um homem crescido... — disse brincando.

Johnata olhou surpreso para o pai e também sorriu.

— Ah, é. Me esqueci — o menino disse como se tivesse sido flagrado.

— Tio Fábio, eu posso ir contigo? — A menina mais velha perguntou enquanto comia mais uma batata. — Eu quero trocar o ingresso do minhocão.

Fábio a fitou, surpreso.

— Você não gosta? — ele perguntou.

A menina fez que não.

— Ela nunca gostou, desde quando foi à primeira vez — Luciano respondeu. — Mas a questão importante é se eles vão trocar.

— Acho que sim, afinal, todos os brinquedos grandes têm o mesmo preço, com exceção de algumas outras brincadeiras que têm pelas barracas — Fábio respondeu e deu a mão para a menina segurar. — Venha. Vamos ver se eles trocam este ingresso. É só o ingresso do minhocão que você quer trocar?

A menina assentiu e deu a mão para Fábio.

— Sim — ela respondeu. — Eu quero trocar pela barca.

— Eu também quero trocar, mas pela roda gigante. — Johnata disse e olhou para o pai. — Posso ir com o Fábio, papai?

— Mas você vai sozinho na roda gigante? — Daniel indagou preocupado.

— É seguro — Johnata assegurou. — Ou você vai querer ir comigo?

— Acho que vou querer ir com você, sim — Daniel respondeu pegando a carteira do bolso. — Aqui. — Ele estendeu uma nota para Johnata. — Compre mais um ingresso para a roda gigante.

— Está bem — Johnata disse sorridente e retirou-se do colo do pai, também segurando a mão de Fábio. 

— Já voltamos — Fábio avisou para os adultos e as crianças que voltaram a comer e conversar.

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