domingo, 9 de agosto de 2020

Eternidade - capítulo 27



Daniel teve muitas tarefas naquele dia: limpou todas as baias do estábulo, cuidou das pelagens dos cavalos e levou mais fenos para eles; pegou parte da colheita do mês e vendeu para fazendeiros próximos e na feira no centro do vilarejo; agora concertava a nova porteira de entrada que havia soltado por estar mal pregada.

Ele suspirou, cansado, e fez um pouco mais de força para erguer um dos portões para que pudesse pregar o canto da madeira. Aquele seria um trabalho para dois homens, mas Daniel era o único ali e teria de se virar sozinho.

Mesmo fazendo uma tarefa não muito fácil, e já bem cansado por ter feito os afazeres de outrora, Daniel finalizou a sua tarefa e testou uma das porteiras para ver se estava funcionando, e suspirou aliviado por ter conseguido.

Como se sentisse que estava sendo observado, Daniel olhou para cima e as pupilas de seus olhos dilataram ao perceber que Aline estava em cima de um pequeno monte próximo, olhando para ele.

Ela era a mulher mais linda, parada ali com seus cabelos balançando ao vento; mais parecia ser a imagem de algo inalcançável, um presente especial entregue diretamente por Deus.

Após um breve momento de troca intensa de olhares, Aline sorriu e ergueu uma mão, fazendo um gesto de "olá". Daniel também sorriu e largou as suas ferramentas no chão, indo ao encontro dela, que também ía de encontro a ele; ambos completamente ansiosos para se tocarem, cheios de saudade após um ano sem se verem.

Mas agora seria diferente, Daniel pensou completamente feliz enquanto alcançava a sua linda mulher. Aline já havia completado a maioridade e havia retornado para ficar com ele, definitivamente dessa vez. Ambos estariam juntos para sempre na fazenda de Daniel, e nada mais agora poderia afastá-los.

A despedida havia sido feita e as crianças choraram por causa de Johnata, já sentindo a falta dele. Ninguém pareceu triste, mas felizes pela continuação da viagem longa que Fábio, Daniel e Johnata teriam que fazer; todos estavam contentes e sentiram-se bem por se verem e terem passado um tempo juntos, exceto as crianças que não paravam de chorar, sendo confortadas pelo amiguinho a quem elas aprenderam a se acostumar e sentirem tanto carinho. Em mais uma casa, Johnata havia sido a pessoa que mais encantou uma família e que choraram por sua ausência, Daniel pensou sorrindo.

Já pela estrada, seguindo rumo à um ponto importante, Fábio dirigia a uma velocidade até um pouco mais alta para que o trajeto fosse mais rápido e que eles pudessem logo encontrar o que tanto queriam. Daniel havia tirado um pequeno pedaço de papel dobrado do bolso que Luciano havia lhe entregado no dia anterior. O que estava escrito naquele papel poderia ser um endereço como qualquer outro, mas era o nome e o número daquele lugar descritos naquele pedaço de papel que faria ele e o seu filho encontrarem Aline, e dessa vez, Daniel tinha certeza.

A ansiedade dentro de si gritava de desespero para reencontrá-la, saber onde ela estava, se estava bem. Mas Daniel não mais sentia-se mal como antes, não após ter conhecido pessoas tão queridas que trouxeram o seu lado mais extrovertido para fora, que lhe ajudaram a ter mais força para continuar seguindo em frente.

Aline devia adorá-los, exatamente como eles a adoravam. Daniel sorriu somente em imaginar uma pequena e extrovertida Aline fazendo bagunça pela casa com o seu irmão mais novo, e dando dores de cabeça para a família e para os funcionários da casa. E mesmo com as suas peripécias, eles não deixaram de ter um afeto tão grande por ela. Mas, afinal, como não teriam? Assim como Fábio dissera, Daniel podia ver e sentir um pouco de cada um dos dois irmãos, Aline e Lucas, dentro de Johnata.

Daniel olhou para o filho que olhava para os lugares passando rapidamente pela janela. Johnata pareceu notar o olhar do pai sobre si e sorriu para ele. Daniel retribuiu o sorriso.

A vida dos dois mudaria muito dali para frente.

— Veja, Daniel, veja! — Aline o chamou com um enorme sorriso enfeitando o belo rosto.

Daniel terminou de secar o cabelo e olhou na direção de Aline. Ele sorriu.

Aline estava dando banho no filho deles na banheira, e o bebê batia os braços e as pernas na água, dando gostosas risadas de alegria, olhando para a mamãe. Aline, sorrindo para o filho, tornou a olhar para Daniel.

— Ele se debate contra a água a todo momento — ela disse achando graça. — Parece até que está aprendendo a nadar.

Daniel agachou-se ao lado dela e acariciou o pouco cabelo que o seu filho tinha.

— Ele é muito esperto. — Daniel pegou o sabão enquanto Aline segurava o bebê que continuava brincando e gargalhando. — Você não é muito esperto? — ele perguntou fazendo uma voz mais afinada para o filho.

A criança deu um soluço de alegria e espirrou água na direção do pai. Daniel olhou para a parte molhada de sua blusa e fitou o bebê.

— É sério mesmo que você vai fazer eu tomar banho de novo? — Perguntou sendo alvo de risada de mãe e filho.

— Ele tem muita energia — Aline disse passando um pouco d'água pelo rosto sensível do bebê. Ela fitou Daniel. — Quer ficar no meu lugar?

Daniel olhou para Aline e para o bebê que não parava de se mexer nos braços molhados da mãe.

— Vai dar no mesmo — Daniel respondeu, rindo do jeito inquieto do filho. Ele continuou a ensaboar os bracinhos do bebê. — Sabe, já se passou uma semana desde que o nosso filho nasceu, e nós continuamos a chamá-lo de "bebê".

— Ou "filho" — Aline completou e os dois riram.

— Qual nome você daria a ele? — Daniel perguntou para sua mulher enquanto ensaboava a barriga do bebê.

Aline deu de ombros, enxaguando os braços ensaboados do filho.

— Eu não sei — ela respondeu. — Não sou muito boa em dar nomes. Seria melhor que você desse um nome a ele.

Daniel olhou para Aline e depois para o filho deles, pensativo, e esfregou os poucos fios de cabelo do bebê. Ele tornou a olhar para a sua mulher.

— Que tal Johnata? — ele indagou e sorriu ao notar que ela havia gostado.

— Johnata é um lindo nome — ela disse, e ambos olharam para Johnata que emitiu um gritinho de alegria. — Acho que ele também gostou.

— Então, será Johnata — Daniel disse orgulhoso e segurou o filho nos braços. E o bebê, já enxaguado e limpo, aconchegou-se no colo do pai. — Bem, parece que terei de tomar banho novamente — Daniel disse enquanto Aline ria dos dois. Daniel olhou para ela. — Quer me fazer essa companhia?

Aline acariciou os fios enxutos do cabelo de Daniel e sorriu para o seu amado.

— Claro que sim — ela respondeu. — Apenas espere eu enxugar Johnata, pôr a roupa nele e amamentá-lo. — Aline acariciou o rosto macio do seu bebê.

Daniel continuou a olhar para ela, notando o quanto ela ficava linda e diferente com aquele coque bagunçado. O seu olhar demorou-se mais para baixo e ele ergueu o braço desocupado para pôr a alça da blusa dela no lugar certo. Aline também olhou para ele e ambos já sabiam o que queriam. A troca de olhares se intensificou e os dois aproximaram mais os seus rostos, selando os seus lábios num beijo suave e gentil. Mas o contato carinhoso e romântico não durou por muito tempo, pois o casal foi interrompido pelo gritinho de alegria de Johnata que se balançava inquieto no braço firme do pai.

Eles quebraram o beijo, sorrindo pela interrupção do filho, e olharam para o fruto do intenso amor que sentiam.

— Acho que ele já quer mamar — Aline disse e pegou o filho no colo, depositando um beijo no rosto do bebê, e levantou-se em seguida. Pegou uma pequena toalha no gancho e a envolveu em seu bebê. — Enquanto isso, esquente mais a água para nós dois — ela disse sorrindo para Daniel, enquanto andava rebolando em direção à saída.

Os olhos predadores e apaixonados de Daniel a acompanharam em todo o trajeto e ele sorriu, olhando em seguida para a blusa encharcada que vestia. Levantou-se e foi prazerosamente fazer o que ela havia lhe pedido.

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