domingo, 16 de agosto de 2020

Eternidade - capítulo 28



As semanas seguintes foram as mais maravilhosas de suas vidas. Mesmo sendo tão novos e sem nenhuma experiência, Daniel e Aline faziam de tudo para Johnata e tentavam dar tudo de si mesmos para serem bons pais.

Por Aline, Johnata permaneceria junto com eles na cama, sendo amamentado, mas Daniel pensava diferente. Ainda que amasse demais o seu filho, Daniel não pretendia tê-lo logo ao lado quando quisesse ter intimidades com Aline.

Não demorou muito até eles comprarem um berço modesto, mas muito bonito, escolhido por Aline. De início, ela sentiu falta de ter o seu filho por toda a noite em seus braços, sendo acordada de surpresa algumas vezes de madrugada com Johnata tateando faminto por um dos seios da mãe. Não que a surpresa ainda não perdurasse, pois Johnata continuava a acordar de madrugada com fome, mas, dessa vez, com o seu choro manhoso despertando os pais sonolentos. Por Aline, não era nenhum problema, ela adorava estar com os dois maiores amores de sua vida, ainda que soubesse que a madrugada seria longa; já Daniel acordava completamente amuado, e o seu humor só melhorava aos poucos conforme ele se orientava melhor, mesmo que faltassem poucas horas para acordar de vez e cuidar das tarefas do campo — era sempre assim.

Era tudo muito novo, e Daniel já estava amando ser pai, mesmo com algumas dificuldades. Ele nunca havia pensado que pudesse amar tanto duas pessoas ao mesmo tempo, até a chegada do filho deles — ou melhor, já o amava antes mesmo do nascimento. Mas o que ele estava adorando ainda mais era a enorme espontaneidade e o sorriso alegre e contagioso de Aline estarem de volta. Desde a chegada do bebê deles, Aline não mais chorava ou se entristecia; a vida que ela estava levando com Daniel e Johnata — ainda que faltassem poucos dias para a dolorosa despedida — era plena felicidade.

Momentos que passavam juntos eram tão adoráveis e tão cheios de paz, que o tempo curto não mais preocupava o casal apaixonado. Em um desses dias, Daniel teve a ideia de eles passearem descalços pela areia da praia, a mesma praia que Aline havia dado luz à Johnata. A criança ainda era um bebê recém-nascido, mas Daniel fez algumas tentativas de fazer seu filho andar, segurando-o pelos bracinhos delicados e apoiando o corpo tão pequeno. Ele e Aline sorriram tanto nesse dia, principalmente por verem Johnata se divertir. Aquela criança era tudo para eles — o maior motivo de Aline ter parado de chorar e sorrido mais vezes, e, principalmente, a maior esperança de que tudo daria certo no futuro.

Nesse dia, eles quase não ficaram em casa; comeram fora, fizeram pequenas compras para Johnata, andaram pela areia da praia, e, enfim, voltaram para perto de casa, um terreno próximo, onde dava para ter uma boa vista do amplo gramado e do sol se pondo atrás dos montes que ficavam logo à frente. Pelas redondezas daquele vilarejo, o que não faltavam eram belos lugares com vistas de tirar o fôlego.

Quando estavam fazendo um delicioso piquenique na toalha estendida sobre o gramado, Daniel tocou em Aline para obter a sua atenção. Ela o fitou.

— Sabe aquela casa no topo daquele monte? — Daniel perguntou ao apontar para uma casa diferente que mais lembrava uma torre. — O dono daquela casa é um homem bem rico, mas deixou todos os seus luxos na cidade grande para viver aqui.

Aline olhou para a casa e piscou surpresa.

No alto do morro tinha uma grande haste de cor azul que sustentava a estrutura que servia de moradia. O formato da estrutura era redondo, repleto de grandes janelas com vista em trezentos e sessenta graus. Todo o conjunto, desde a haste até a casa, lembrava o formato de uma árvore. Era diferente, mas tão bonito.

— Daqui, a impressão que fica é de que a casa é bem grande, mas não é — Daniel continuou. — O proprietário queria apenas um único espaço onde ele teria sala, quarto, cozinha e um banheiro separado.

— Um loft? — Aline indagou.

— Sim, bem amplo e aberto — Daniel respondeu. — Esse homem é bem privilegiado, pois onde e como a casa foi construída dá para ter uma boa vista do nascer e do pôr-do-sol.

— Da sua casa também — ela disse.

— Nossa casa — Daniel corrigiu e sorriu para ela, que retribuiu o sorriso. — Lá dá apenas para ver o sol se pondo, mas não ele surgindo. Só o que consigo ver quando acordo, é o céu clareando, mas não tudo com exatidão.

Aline tornou a olhar para a casa no alto do monte.

— Ele realmente deve ser muito sortudo — ela refletiu.

— Não tanto quanto eu. — Mais uma vez, Daniel a fez sorrir, e ele amava isso. — Falei sério quando eu disse que o rancho é a nossa casa. As portas estarão sempre abertas, e nós sempre estaremos esperando por você, não importa quanto tempo passe.

Aline assentiu, os olhos brilhantes e sorridentes.

Para Daniel, vê-la sorrir e em paz era uma luz no fim do túnel, uma das maiores esperanças de que tudo ficaria bem.

Seus rostos se aproximaram para formarem um beijo, mas, novamente, foram interrompidos por Johnata, que pulou no colo da mãe. Daniel olhou para o filho e sorriu.

— Por que você nunca deixa o papai beijar a mamãe? — Daniel perguntou para a criança que esboçava um enorme sorriso para os pais. — Você tem ciúmes da mamãe? Quer ela toda só para você? — Daniel brincou com o filho, mas percebeu que o bebê tateava e empurrava o rostinho entre os seios de Aline. — Ou, talvez, não.

— Você quer mamar, meu amor? — Aline perguntou ao filho, a voz um pouco mais afinada. — Quer mamar? — Ela retribuiu o sorriso de seu bebê.

Daniel desabotoou o casaco de Aline, facilitando para que ela abaixasse um pouco a blusa para liberar um seio ao bebê que começou a mamar, faminto. Daniel sorriu e acariciou o pouco cabelo do filho que mantinha um pouco da cabeça apoiada no peito do pai. Daniel olhou ao longe o início do entardecer.

— É tão lindo, não é? — ele disse contemplando a linda paisagem. Logo após, fitou Aline que, em vez de olhar para a beleza rural, olhava para o homem que amava com todo o seu coração.

— Concordo — ela disse.

Daniel sorriu um pouco sem jeito.

— Você é linda, sabia? — Ele acariciou o queixo dela. — E você também — ele disse para o filho e beijou o topo da cabeça do bebê que mamava e acariciava o topo do seio farto da mãe.

Daniel ergueu a cabeça e, então, sem a interrupção de Johnata, tocou os lábios de Aline com os seus e a beijou profundamente, saboreando os pequenos gemidos que ela emitia, e a troca de amor que ambos mostravam através e um beijo.

No decorrer do dia, eles quase não disseram nada, apenas continuaram a apreciar a natureza e o sol desaparecendo no horizonte. Contemplar vistas como aquela era algo sensacional, mas era ainda melhor quando se fazia ao lado das pessoas que mais amava.

Daniel suspirou satisfeito e olhou para baixo, observando Johnata mamando de olhos fechados, quase dormindo. Mas o que, de fato, chamou sua atenção, foi ver uma solitária lágrima caindo na face direita de Aline enquanto ela permanecia de olhos fechados, a expressão serena.

Fazia tempo que ele não a via chorar, desde o nascimento de Johnata. Ele a compreendia perfeitamente. Por mais que todo o tempo que eles tivessem passado juntos fosse de pura felicidade, não teria como fugir da realidade; e agora faltava somente uma semana.

Daniel continuou a olhar para o rosto de sua amada e notou que ela sorria. Era um sorriso genuíno, de quem realmente sentia-se bem, transbordando de amor. Sim, talvez fosse isso. Por um lado, Aline estava bem pelo que eles viviam, mas, por outro, ela estava mal pelo que viria a seguir. E Daniel sentia o mesmo.

Com o polegar, Daniel enxugou a solitária lágrima da face dela, despertando a atenção de sua amada. Ele deu-lhe um sorriso tranquilizador e beijou a mesma face onde antes havia caído a lágrima. Aline sorriu para o seu amado, os olhos brilhando de amor.

— Eu amo tanto vocês — Ela murmurou. — Eu amo vocês dois demais.

Daniel sorriu e a abraçou mais apertado num gesto de proteção. Ele acariciou o cabelo do filho e beijou a fronte dela num gesto carinhoso.

— Idem — ele respondeu.

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