sexta-feira, 30 de setembro de 2022

AOP (parte 1) - capítulo 11





Já era noite quando Miguel chegou em casa. Sentia-se revigorado depois de pouco tempo de trabalho e do encontro com Lola. Com apenas poucas palavras, havia colocado a vadia em seu devido lugar. Por um lado, sentia um pouco de remorso por ela e pela criança. Mas por outro, sentia que havia vingado sua esposa que havia chorado muito por causa da prima. Sim, era desse jeito que Miguel ajia. Qualquer um que tentasse magoar Natália, pagaria caro. Há muito tempo fora apaixonado por Lola, mas ela havia jogado sua chance fora. Então Natália chegara de repente em sua vida e logo roubou seu coração, também o fazendo apaixonar-se completamente por ela. Sua esposa era um verdadeiro contraste seu; enquanto ele era um homem cheio de pecados, ela era um anjo.

Miguel abriu a porta de casa e se surpreendeu por Natália estar apenas de toalha, enxugando-se perto do sofá.

A toalha azul mal cobria as partes de seu corpo de tão curta que era. A parte de cima estava caída, mostrando um pouco dos seios fartos, enquanto a parte de baixo escondia por pouco sua feminilidade que, se ela se mexesse um pouco, daria para ter um bom ângulo de seus pelos pubianos.

Ele largou a mochila preta na cadeira em frente à cômoda e continuou à encará-la com um misto de admiração e desejo. Natália notou sua presença e tentou se recompor, mas de nada adiantou, pois o movimento brusco somente descobriu um de seus seios, para o deleite de Miguel.

— Miguel? — Natália falou sem jeito. — Desculpe, não o vi chegar.

— Por que está se desculpando? — Indagou ele ao se aproximar mais dela.

Natália esboçou um sorriso nervoso. Ela conhecia muito bem aquela expressão de desejo intenso do marido. Ela não sabia que ele iria voltar naquele momento, ainda porque faltava uma hora até o horário normal em que ele costumava voltar para casa. Entretanto, lá estava ela, praticamente nua, e ele encarando-a como se quisesse devorá-la. Dava para sentir seu desejo lascivo a quilômetros de distância.

Ela deu uma rápida olhada para o comercial que estava passando na televisão. Não que aquilo a interessasse, era apenas para desviar a atenção do olhar abrasador de seu marido que chegava mais perto.

— Você... chegou mais cedo — Disse ela.

Miguel assentiu, mas ainda olhava para ela com os olhos de um falcão.

— Sim — Disse ele, a voz rouca. — Ainda bem.

Natália tentou se recompor mais uma vez, mas de nada adiantou. Quanto mais ela tentasse cobrir uma parte, descobria a outra.

Miguel estreitou os olhos e suspirou entre dentes. Aquilo mais parecia uma provocação, uma dança erótica. Não demoraria muito para enlouquecer.

— Desculpe. Eu não sabia que você viria agora — Disse ela com a voz tremida pelo crescente prazer que surgia em seu íntimo.

Miguel teve de sorrir. Não importava quanto tempo passasse, sua esposa sempre teria a ingenuidade praticamente intacta.

— Está se desculpando por estar de toalha na frente do seu marido? — Ele perguntou achando graça.

Natália corou envergonhada e logo tratou de mudar de assunto, embora algo em seu íntimo estivesse implorando para que o jogo de sedução perdurasse.

— A janta está pronta, mas creio que seja um pouco cedo para nós dois jantarmos — Disse ela um tanto nervosa. — Quer que eu lhe prepare um lanche?

De nada adiantou mudar de assunto, ou sequer olhar para o marido, pois Miguel já estava a poucos centímetros de distância, as mãos tremendo pelo desejo incontrolável e a expressão de pura luxúria no rosto belo.

Natália engoliu em seco, sentindo as pernas ficarem bambas. Só de olhar para ele, ela sabia que acabaria entrando em combustão.

Miguel acariciou o contorno dos seios fartos e olhou intensamente para a sua amada, que obviamente sentia o mesmo que ele.

— Quero me alimentar, sim — Ele disse com a voz rouca e sedutora. — Mas de algo bem melhor.

— Do que exatamente? — Natália perguntou provocativa.

Embora ela estivesse um tanto nervosa com o súbito desejo do marido, não podia negar o quanto seu corpo necessitava dele naquele momento.

Miguel sorriu. Adorava ver o lado sedutor de sua mulher.

Ainda com o olhar desejoso e intenso sobre a esposa, Miguel tateou à procura do controle remoto e aumentou bastante o volume da televisão. Natália fez uma careta por causa do som muito alto sem entender o porquê de Miguel ter feito aquilo.

— Miguel, os vizinhos! — Natália o repreendeu preocupada.

Ele assentiu e continuou a sorrir daquele jeito lascivo que ela tanto temia, mas adorava.

— É por causa deles mesmo — Ele explicou. — Ainda está cedo e não quero que a vizinhança ouça o que pretendo fazer com você.

Miguel ergueu-a num ímpeto e Natália envolveu a cintura dele com as pernas. Ele aproveitou o movimento dela para apalpar as partes que a toalha havia descoberto. Natália gemeu baixinho e ele a silenciou com um beijo apaixonado, logo levando-a para o quarto. Natália deixou-se ser carregada e ser dominada por aquela sensação de puro desejo. Ainda estava se recuperando das muitas vezes em que fizeram amor dois dias antes, o que causou algumas dores e dormências em seu corpo frágil. Mas aquilo não importava. Se entregaria a seu marido, sim, e com todo o prazer.

Miguel adentrou o quarto escuto, ainda que não soubesse exatamente para qual direção estava indo, pois toda sua atenção se encontrava apenas em sua mulher. Ele puxou com gentileza o palito que prendia o cabelo molhado dela e o jogou longe. Deixou apenas uma das mãos acariciando-lhe as partes íntimas e elevou a outra até o cabelo que ficava ondulado quando molhado, gravando os dedos de modo gentil. Natália gemeu em sua boca, o que certamente era um convite para beijá-la e tocá-la ainda mais. Contudo, como sabia que estava prestes a explodir pela intensidade do prazer de ambos, decidiu assentá-la na cama e observou com prazer sua linda esposa cobrir-se timidamente com a toalha, enquanto arfava com o prazer que tivera e o olhar desejoso como um puro contraste.

Miguel sorriu e tirou a camisa pela cabeça, logo a encarando.

— Tire esta toalha — Ele ordenou com um gesto. — Não quero nada entre nós dois.

Natália engoliu em seco, ainda encarando o belo marido que tinha.

— Tire suas roupas primeiro — ela devolveu timidamente.

Ele achou graça da rápida resposta de Natália e lentamente tirou o cinto da calça jeans que usava.

Ambos não conseguiam parar de se olhar — ele por puro desejo e ela por uma timidez que não conseguia disfarçar o desejo que também sentia, e muito. O que ocorria entre eles era algo que superava o desejo e a luxúria. O amor que um sentia pelo outro era tão forte que apenas um olhar podia deixá-los arfantes e prontos para se entregarem.

Miguel jogou o cinto longe ainda olhando para mulher que amava, sabendo que não aguentaria se segurar por muito tempo.

— Deite-se — Ele ordenou, a voz rouca de paixão.

Natália obedeceu e Miguel apreciou a forma como ela estava, mais parecida como quem se entregava de bom grado a um sacrifício.

Natália fechou os olhos — não por timidez, mas por prever o que sentiria dali a pouco. Não tinha medo de seu marido, pelo contrário. Contudo, por mais que tivessem passado anos, algo em seu interior sentia um misto de temor e forte desejo por aquele homem que tanto amava.

Ela ouviu sons de duas coisas batendo nas paredes do quarto, o que claramente devia ser o par de sapatos. Antes que pudesse abrir os olhos, sentiu o marido montar o corpo forte em cima do seu. Natália inclinou o pescoço, oferecendo-lhe para que Miguel pudesse beijá-lo. Ele agachou-se e soprou o gostoso hálito no ouvido da esposa, fazendo-a se arrepiar. Descendo mais um pouco, ele mordeu o lóbulo da orelha dela, a fazendo se contorcer debaixo dele. Desceu um pouco mais e mordeu-lhe a mandíbula, logo depois o queixo e, por último, o pescoço antes de começar a lamber e a chupar. Natália gemeu mais alto, agradecendo mentalmente pelo volume da televisão estar tão alto.

Miguel continuou mordendo e chupando o pescoço da esposa enquanto uma de suas mãos descia pelo tecido felpudo da toalha, procurando pelo centro do prazer que tanto ansiava e com loucura. Ele deliciou-se ao ouvi-la gemer ainda mais alto enquanto a provocava com o movimento de vai-e-vem dos dedos.

— Você gosta? — Ele perguntou com a voz áspera e pouco reconhecível e constatou com surpresa ao erguer a cabeça que Natália mordia o tecido embolado do lençol para abafar os gemidos altos, as unhas encravadas nos travesseiros acima. Ele sorriu admirado pela ingenuidade e beleza que tanto amava. — Natália, não precisa abafar os gritos — ele disse. — Os vizinhos não ouvirão nada.

Natália desabocanhou o lençol e encarou ofegante o marido que sorria para ela.

— Eu sei — Disse desorientada. — Mas você está tão intenso...

Miguel continuou a provocá-la com os dedos.

— Você gosta? — Ele indagou cheio de lasciva.

De forma inconsciente, Natália enpinou os seios ainda cobertos pela toalha para ele.

— Sim! — ela respondeu quase enlouquecendo.

Aproveitando ainda mais a situação, Miguel retirou-lhe a toalha dos seios já excitados e os abocanhou prazerosamente, fazendo Natália gritar e gemer descontrolada. Ele amava ver o contraste entre a Natália ingênua e tímida com a Natália lasciva e louca de paixão. Pela umidez de seus dedos, dava para notar o quão excitada ela estava, o que foi um convite para provocá-la ainda mais, mesmo que uma voz em seu interior estivesse implorando para se libertar e possuí-la de uma vez. Mas aquilo não era só para o seu prazer, era principalmente para o dela. Um lado sádico dentro de si queria provocá-la mais e mais naquela noite, o que claramente seria o início de várias rodadas incansáveis de sexo selvagem até de madrugada. Entretanto, diferente da outra vez, aquela noite não seria exclusiva para tentar engravidá-la, apenas para sentir o calor da pele de sua mulher, as pernas dela envolvendo sua cintura e os gemidos doces invadindo seus ouvidos. Só de imaginar, já estava ficando louco.

— Miguel! — Natália chamou seu nome, completamente louca e excitada.

Miguel a silenciou com um beijo ardente e apaixonado, fazendo-a gemer ainda mais.

— Você me ama, Natália? — Perguntou ele quase tão ofegante quanto ela.

Natália nem sequer abriu os olhos, mas assentiu de imediato. Amava aquele homem, mais do que tudo e mais do que todos, de todo o seu coração.

— Sim — respondeu ela, uma lágrima caindo de um de seus olhos. — Eu te amo tanto...

Miguel não pôde mais esperar. Estava loucamente excitado e só em vê-la tão vulnerável e apaixonada automaticamente o fazia ter uma vontade enorme de protegê-la e amá-la sem demora.

Sem esperar um segundo sequer, Miguel arrancou-lhe a toalha, jogando o tecido molhado no chão. Encarando-a cheio de desejo incontrolável, retirou as únicas duas peças que tanto apertavam sua intimidade já completamente pronta para voltar à conhecida casa quente que era seu verdadeiro lar. Natália se contorcia na cama, os olhos fechados, a respiração irregular. Ela sentiu o marido voltar para a cama e novamente montar sobre o seu corpo já tremulante pelo desejo. Natália mal podia ver algo, pois o desejo e a excitação lhe impedia. Ainda assim, não pôde evitar arregalar os olhos com espanto e excitação ao sentir Miguel adentrando seu corpo com fúria.

O seu amor.

Como pôde ter duvidado do homem que tanto amava e que tanto lhe amava em troca?

Miguel agachou-se para mais perto da esposa e ergueu-lhe uma das pernas, dando mais profundidade à penetração, o que fez Natália gritar ainda mais de prazer.

Assim como havia pensado antes, Natália não acreditava que Lola havia inventado toda aquela história por mal, mas porque estava seriamente afetada pela morte de Claus. Como Lola mesma havia dito antes, Miguel jamais olhara e sorrira para ela como fazia com Natália e aquilo parecia machucá-la de certa forma. Como seu marido dissera, Lola ainda parecia estar apaixonada por ele e o queria de volta para preencher o vazio que o marido havia deixado. E ainda que Lola estivesse, ou não, apaixonada por Miguel, ele não tinha culpa de nada e não merecia sua desconfiança. Lamentava muito por Lola, mas nem ela e nem seu marido poderiam fazer algo, nem mesmo abriria mão dele pela prima ou por qualquer outra mulher. E nunca, jamais voltaria a duvidar dele.

Miguel voltou a beijar e morder o pescoço da amada que gritava e gemia enlouquecida debaixo dele, enquanto ele arremetia ágeis e fortes estocadas para dentro do corpo macio e quente. Uma das mãos lhe acariciava os seios e ele sussurrava palavras picantes e de amor enquanto as pernas de Natália cingiam-lhe a cintura suada.

— Miguel! — Natália gritou ensandecida.

Ele aprofundou ainda mais os movimentos e olhou apaixonado para a esposa que estava tão linda e suada com os cabelos ainda ondulados espalhados pela cama.

Seu casamento estivera por um fio por causa de uma viúva fria e amargurada. Desde que vira Natália sair no outro dia para visitar as primas na casa de Ana, sabia que aquilo não acabaria bem, pois Lola acabaria falando demais. Entretanto, teve o cuidado de deixar sua preocupação de lado até ver Natália chorando por causa da prima desgraçada.

Quem é você para chamar alguém de desgraçado?, perguntou-lhe uma voz vinda bem de seu interior, mas procurou ignorá-la. Ele era ainda pior que Lola, sim, admitia, e parte daquilo havia acontecido por sua culpa. Mas o passado era o passado e deixaria tudo para trás. E esperava que Lola fizesse o mesmo, se não quisesse que o pequeno Nicollas pagasse o preço. Não que tivesse coragem de fazer algo contra uma criança, claro que não. Mas Lola precisava entender que a história entre os dois já estava acabada e perturbar Natália com coisas do passado somente iria complicar ainda mais as coisas, o que claramente não acabaria bem. Mas não acabaria bem mesmo, pensou dando lugar à ira, o que refletiu em seus incessantes movimentos eróticos.

Natália jogou a cabeça para trás e olhou com dificuldade para o marido, as lágrimas frutos da paixão e do amor invadindo-lhe a face.

— Miguel — Ela o chamou, a voz fraca, e estendeu os dois braços para ele.

Miguel sorriu e inclinou-se mais sobre a esposa, aceitando o abraço caloroso e suado de muito bom grado, diminuindo um pouco o ritmo das investidas fortes e deliciosas.

Ele procurou a boca de Natália e a beijou de uma forma que ía além do amor, era como se ele dependesse do beijo dela para continuar sobrevivendo. Ele podia, sim, ser um maluco mentiroso e com muitos pecados, mas ainda havia muito amor em seu coração e todo ele estava e sempre estaria destinado a uma só mulher que o beijava com a mesma paixão.

— Eu te amo — Ele sussurrou apaixonado.

Natália sorriu ao notar que não era a única pessoa a chorar.

— Eu também te amo, Miguel — Ela respondeu do mesmo modo.


Três semanas haviam se passado e Natália sentia-se tão feliz que mal podia pensar em qualquer coisa que não fosse seu amado marido.

Miguel continuava focado no trabalho, mas sempre tirava algum tempo para agradá-la e amá-la. Ele estava cada vez mais empenhado em dar mais de si mesmo depois do estranho "engano" que houve envolvendo sua pesquisa antiga. Ainda que houvesse certa injustiça contra ele na empresa, Miguel continuaria lutando por seu sonho de tornar-se um famoso e respeitado cientista no futuro e era essa uma das qualidades que mais amava no marido. Independente do que acontecesse, ele nunca dava-se por vencido.

Há duas semanas, ela havia ido à casa de Ana e ambas se divertiram bastante com as crianças, ainda que antes Miguel deixasse claro sua desaprovação, obviamente por causa de um certo alguém. Contudo, Lola não estava na casa de Ana e Natália não havia mais recebido notícias sobre ela por um bom tempo, o que certamente a preocupava. Não guardava nenhum ressentimento da prima, pelo contrário; a amava e a queria bem. Natália não pôde disfarçar seu descontentamento ao perceber que a prima não estava na casa de Ana, mas preferiu pensar que ela ainda estava tentando colocar os pensamentos abalados em ordem, o que era compreensível. Mesmo depois de um pouco mais de um ano desde a morte de Claus, Lola ainda não conseguia superar a morte do marido, o que claramente a fazia pensar e dizer coisas absurdas, mas não a culpava; se Natália também perdesse Miguel, estaria no mesmo estado, para não dizer pior. Poderia pensar na morte, mas não seria justo tirar a vida de um pequeno ser, pensou contente, deixando o pensamento triste de lado.

Desde que havia tomado a injeção da pesquisa de Miguel, pensou silenciosamente que aquilo só seria mais uma das absurdas persistências do marido que queria muito ser pai. Afinal, a esterilidade era algo que não era muito fácil de lidar ou sequer de curar, então seria melhor não ter falsas esperanças. Por outro lado, Miguel e Natália tiveram uma louca noite de amor com uma quantidade de rodadas bem inferior à anterior, mas tão maravilhosa quanto, se não mais. A partir daquele momento, seu instinto feminino notou que havia algo diferente e não só apenas na relação do casal apaixonado.

As lágrimas rolaram pelas faces de Natália enquanto ela estava sentada em cima da tampa do vaso sanitário, segurando três pequenos objetos que mais lembravam termômetros.

Sua alegria era tamanha que a vontade que sentia de gritar para o mundo o quanto amava o marido e o quanto era feliz estava sendo quase esmagadora. Sim, Natália respondeu a si mesma, as lágrimas de felicidade não deixando restar qualquer dúvida. Ela estava grávida.

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