segunda-feira, 3 de outubro de 2022

AOP (parte 1) - capítulo 13




Natália olhou para o espelho da cômoda e prendeu a parte de cima do cabelo deixando o resto solto.

Ainda era manhã, mas ela já estava aprontando-se para ir à casa de Ana, pois mais uma vez tinha sido convidada por sua prima para passar o dia lá enquanto Miguel estivesse trabalhando.

Ela olhou para o marido. Mas em vez de olhar para ele com alegria e o amor que sempre sentia, seu olhar e expressão demonstravam preocupação.

O comportamento dele na noite anterior havia sido estranho, para não dizer assustador. Aquele não era o Miguel que ela conhecia e algo parecia estar errado para ele ter agido daquela forma; nem mesmo fizeram amor ao se deitar. O que era para ser mais uma noite para comemorar a gravidez e a realização da pesquisa, tinha se tornado uma noite com um clima completamente frio e vazio, o que certamente havia afetado seu sono.

Nem ela e nem Miguel haviam tentado mudar de assunto e assim estendeu-se um estranho silêncio entre eles, o que fez ficar tudo pior. Ela nem mesmo ousou perguntar por que ele queria tanto que fosse um menino, mas naquele dia mesmo tentaria entendê-lo. A última coisa que ela queria era permanecer em mais um silêncio perturbador com o homem que amava.

Ela olhou atentamente para o marido que dormia de modo sereno e despreocupado.

Miguel era lindo, por fora e por dentro. Ele não se excluiria ou se apegaria a uma ideia errada, ela sabia. A vida era preciosa e única para ser jogada fora, e Miguel sempre quis ser pai. Certamente, seus aborrecimentos vinham do trabalho, o que com certeza afetavam sua vida pessoal. Por isso, ela deixaria para esclarecer com ele o assunto que ficara inacabado e, por ora, afastaria qualquer pensamento inoportuno.

Natália levantou-se do banco e andou em direção a cama, deitando-se suavemente ao lado do marido para não acordá-lo. Ela acariciou o rosto belo e continuou a olhar para ele com o mesmo olhar apaixonado. Independentemente de qualquer coisa, seu amor por ele jamais diminuiria.

— O que está fazendo do meu lado da cama? — Ele perguntou, a voz rouca pelo sono.

Desde que os dois haviam morado juntos pela primeira vez, Miguel sempre ficava do lado direito da cama.

— Me desculpe — Natália falou sem jeito e apressou-se em se levantar, mas Miguel foi mais rápido e a derrubou de volta no colchão, prendendo-a sob seu corpo.

Ele sorriu ao examiná-la.

— Está tão bonita. Aonde vai?

Natália teve uma leve alteração na respiração.

Aquele homem já era seu marido há mais de dois anos, mas sempre sentia-se perdida e encantada pelo olhar e sorriso dele.

— Hum... Vou à casa de Ana — Ela respondeu com certa dificuldade.

O sorriso de Miguel esmoreceu.

— De novo? — ele questionou. — Você já não foi antes?

— Fui semana retrasada, amor. Ela me convidou novamente para ficar um pouco com ela enquanto você trabalha.

— Se é companhia que você quer, tem uma televisão aqui — Miguel disse amuado.

Natália o encarou incrédula.

— Miguel...

Miguel desviou o olhar da esposa e Natália sentiu vontade de rir da expressão de menino contrariado que o marido estava apresentando.

— E a que horas você vai? — Ele perguntou ao olhar de volta para ela. — Precisa ser tão cedo assim?

Natália olhou para o rádio-relógio ao lado da cabeceira de cama: já eram nove horas da manhã.

— Acordei mais cedo para ajeitar algumas coisas da casa e ainda farei seu café da manhã — Ela respondeu. — Quando estiver perto do horário de você ir para a empresa, eu saio também.

Miguel a analisou novamente e voltou a sorrir.

— Você está linda demais. Espero que não encontre nenhum gavião pelo caminho — disse ele com bom humor.

Natália riu do ciúme velado do marido e sentiu-se ainda mais bela ao vê-lo olhar com desejo para a blusa e saia de cor marrom.

— Não me importo com os gaviões, pois o único que quero é você — Natália disse e enlaçou os braços no pescoço do marido, puxando-o para um beijo.

Já nem mais parecia que o clima entre eles estivera estranho na noite anterior ou que ainda teriam que esclarecer assuntos que ainda não foram resolvidos. Miguel — seu Miguel — estava de volta, bem-humorado, gentil e apaixonado como sempre. E não importava o que acontecesse no mundo, ela podia esquecer de tudo nos braços dele.


Miguel havia se despedido de Natália e partido para a empresa.

Mesmo sendo algo rotineiro estar ali, sentia-se feliz e satisfeito. Por ter uma esposa maravilhosa a seu lado que sempre o apoiava e por quase tudo estar dando certo em sua vida pessoal e profissional. É claro que a voz irritante dentro de si insistia para que ele não cantasse vitória tão cedo. Mas o que poderia dar errado, visto que já havia apresentado todas as provas de que sua esposa estava grávida?

Era melhor não pensar naquilo, por ora. Tinha plena certeza de que seria promovido por sua pesquisa e mostraria a seus superiores que não seria mais um mero junior. Aliás, ele teria que se lembrar de desculpar-se com Natália mais tarde, pois havia notado medo no olhar dela na noite anterior. É verdade que ele queria um menino, mas não queria que sua esposa tivesse medo dele. Tê-la assustado com aquela forma de falar claramente não tinha sido uma boa ideia. Mas o melhor de tudo é que ela o havia perdoado. Sentia-se grato por ter uma pessoa tão doce a seu lado. Pela primeira vez em sua vida, ter sido impulsivo lhe dera algo maravilhoso.

Outros juniores o cumprimentaram ao entrar no Instituto e ele também cumprimentou os colegas educadamente.

Miguel estava bem, estava contente por sua pesquisa ter dado certo. Esperaria por algum dos superiores o chamar e conseguir ser promovido. Não sabia por quanto tempo teria que esperar, mas nem mesmo isso o desanimaria.

— Miguel.

Fazendo seu trabalho no caleidoscópio, Miguel atendeu ao chamado e percebeu que era Evandro, seu outro supervisor.

— Pois não?

— O Dr. Linsmeyer está te chamando para ir à sala dele. É sobre a nova pesquisa que você realizou.

Miguel quase sorriu, mas conteve-se. Havia chegado o momento esperado.

— Sim, claro — Tirou o jaleco e o pendurou.


Natália ajeitou-se desconfortável no sofá da sala de estar da família Amorim. Logo à sua frente estava a prima Lola com o filho no colo. Lola parecia igualmente desconfortável e nervosa.

Natália sentia-se bem por ver o marido bem, por saber que as coisas estavam correndo conforme eles sempre quiseram. Mas não havia como evitar uma forte dor no peito ao lembrar-se de todas as palavras de Lola, principalmente por causa do pequeno menino loiro no colo dela, sorrindo e brincando com o chocalho como todas as perfeitas crianças inocentes.

Era quase impossível tirar os olhos dele, a semelhança do menino com Miguel era quase assustadora. Contudo, mesmo que ficasse incomodada com o fato, Natália sabia que aquilo tudo não passava de um engano e acreditava firmemente nas palavras do marido. O real problema ainda era Lola. Como Miguel havia dito, a prima estava apresentando claros desvios psicológicos desde a morte de Claus. Mas Natália não seria tão tola por se preocupar por Lola ter Miguel de volta, pois sabia que Miguel não tinha nenhum sentimento romântico por ela. Bem, agora sabia.

Sua real preocupação com base naquilo tudo que vira e ouvira, de fato, ainda era Lola. Apesar do que acontecera, amava a prima e não queria vê-la sofrer.

— Olá, Lola — Natália cumprimentou a prima num fio e voz.

— Olá — Lola respondeu sem nem mesmo olhar para ela.

Natália suspirou derrotada. De alguma forma, Lola parecia estar evitando-a.

Ana saiu da cozinha e sorriu alegremente para Nick.

— Ah, meu Deus, que coisa linda — Ela disse estendendo os braços para o menino e Lola o entregou para a prima. — Ele não é fofo, Natália?

Natália foi pega de surpresa com a pergunta de Ana e sorriu um pouco sem graça.

— Sim, ele é — respondeu.

Natália percebeu Lola olhar para ela e depois desviar o olhar. Naquela simples olhadela deu para notar lágrimas nos olhos da prima.

Lola, o que está acontecendo com você?, pensou entristecida.

Ana parecia alheia ao conflito silencioso entre as duas primas e continuou a brincar com o menino que sorria alegremente.

— Tenho duas meninas, mas daqui alguns meses vou querer ter um menininho lindo assim como você e vocês dois vão poder brincar bastante — Ana disse ao menino que sacudiu o chocalho. — O que você acha?

Natália sorriu.

— Acho que ele concordou antes mesmo de você perguntar — Disse.

Ana olhou para a criança em seu colo.

— Aquela sacudida de chocalho foi um "sim"?

O menino sorriu e mais uma vez sacudiu o chocalho. Ana riu por conta da graça de Nick.

— Ele é tão lindo, Lola.

Após um breve momento, Lola sorriu agradecida.

— Obrigada.

Natália havia notado confusão e algo parecido com raiva refletidos no olhar da prima. Claramente havia sido por causa de Miguel. Apesar de Natália ter plena certeza que Miguel nada havia feito em relação a Lola e a Nick, Lola ainda permanecia presa em suas tristezas e desilusões.

— Você também, Natália — Disse Ana. — Tenha um menininho para brincar com Nick.

Natália sorriu corada.

Suas primas nada sabiam de sua esterilidade de outrora, apesar de saberem que ela não conseguia engravidar mesmo estando há dois anos com Miguel. Não conseguir, ou até mesmo não querer filhos em dois ou mais anos de casamento, era normal, e por isso, elas nunca haviam desconfiado. Mas para Natália era algo vergonhoso e humilhante contar para as primas que era estéril. Agora o momento era outro e Natália agradecia todos os dias por ter se casado com um cientista.

— Tenho uma coisa para contar — Natália mal se aguentava de tanta alegria. Os olhos hesitantes de Lola pousaram sobre ela. — Estou grávida.

Ana e Lola a encararam com espanto e surpresa.

— Está falando sério? — Ana indagou.

Natália assentiu sorrindo.

— Sim — respondeu. — Descobri esta semana.

Lola a encarou por mais um breve instante e depois desviou o olhar. O sorriso de Ana se expandiu.

— Parabéns, Natália! Já contou para o Miguel?

Natália fez que sim.

— Sim — respondeu.

— Ah, meu Deus. Ele deve estar muito feliz porque agora vai ser pai.

Por um motivo que não sabia, ou que fazia questão de ignorar, Natália automaticamente olhou para a criança nos braços de Ana.

— Sérgio está no trabalho e vai voltar tarde, mas logo as meninas voltarão da escola e vou fazer um bolo para comemorar. O que vocês acham? — Ana perguntou voltando-se para as duas primas.

Lola ajeitou-se desconfortável e se levantou do sofá.

— Acredito que vá ser uma tarde agradável, mas infelizmente não poderei ficar — Lola disse e voltou sua atenção para Natália. — Parabéns pela gravidez, Natália.

Natália também se levantou.

— Você não vai ficar? — perguntou ela a Lola.

— Tenho que resolver uns problemas e ajeitar algumas coisas do Nick para ele sair amanhã com Samantha, a babá — Lola mal olhava para as duas. — Me desculpem pela desfeita.

— Não tem problema — Ana disse um pouco desanimada enquanto entregava Nick que estendia os bracinhos para a mãe. — Você está bem, Lola?

Lola olhou para Ana e esboçou um sorriso amarelo.

— Sim, estou — mentiu.

Ana assentiu brevemente, apesar de, no fundo, estar preocupada.

— Vou pegar a chave do portão. Já volto.

Natália agradeceu por Ana ter saído e voltou-se para Lola.

— Tem certeza de que está bem, Lola?

Lola olhou impassível para ela.

— Acho que sim — respondeu.

Natália olhou para os próprios dedos cruzados e depois olhou para a prima.

— Eu só quero que você saiba que eu não tenho nenhuma raiva ou mágoa pelo que você me disse da outra vez.

— Raiva? Mágoa? — Lola perguntou. — Então você realmente não acredita em mim, não é?

Natália desviou o olhar e respirou pesadamente.

— Me desculpe.

Lola deu um sorriso amarelo, mais para si mesmo do que para a prima.

— Esqueça tudo.

Natália olhou para Lola sem entender.

— Esqueça tudo o que eu disse e mostrei naquele dia — Lola repetiu com um sorriso triste no rosto. — Tenho passado por momentos ruins em minha vida e acho que exagerei completamente. Me perdoe.

Natália engoliu em seco e olhou da mãe para o filho.

Exatamente como Miguel havia dito, Lola estava passando por crises psicológicas por causa da morte de Claus. E, infelizmente, não havia nada que ela pudesse fazer pela prima.

— Não precisa se desculpar — Natália falou. — Eu é que peço desculpas por não poder te ajudar.

Lola olhou atentamente para ela.

— Não preciso da ajuda de ninguém, Natália — disse de modo frio. — Eu vou ficar bem.

Ana apareceu na sala com as chaves em mãos.

— Tem mesmo certeza de que quer ir? — Perguntou.

Lola ajeitou a compostura e sorriu educadamente.

— Sim, tenho — respondeu. — Mantenho contato mais tarde.

Natália observou Ana acompanhar Lola e Nick até o portão de entrada e desabou no sofá.

Nada havia sido resolvido entre ela e Lola, no final das contas. Lola permanecia a mesma, com o mesmo olhar triste e melancólico. Queria tanto ajudá-la, mas não sabia como. Aliás, a própria Lola havia rejeitado qualquer tipo de ajuda, ainda que realmente precisasse.

Natália suspirou profundamente, observando as flores que cercavam o jardim.

A vida não era fácil para ninguém, mas ela jamais iria querer se sentir como Lola. Nem sempre o dinheiro significava algo — Natália era mais pobre, mas feliz com a vida que tinha; Lola era rica e uma viúva completamente infeliz, apenas tendo como alegria a única lembrança que havia lhe restado de Claus. Perder alguém amado devia doer muito. E Natália jamais iria querer sentir essa dor.


Ana lavou mais um prato enquanto Natália secava a louça.

— Você descobriu o que anda acontecendo com a Lola, Natália?

Natália olhou para a prima.

Ela dissera uma vez que descobrindo o que estava acontecendo, informaria Ana. Mas era melhor não entrar em detalhes. Toda a história era confusa e íntima demais.

— Não — Respondeu Natália.

— A cada dia que passa eu noto que Lola fica mais e mais distante — Ana disse preocupada.

Natália olhou para o nada, o olhar pensativo e triste.

— Independente do que seja, acredito que sejam problemas pessoais e não devemos intervir.

Ana olhou para Natália por um breve momento e voltou a lavar a louça.

— Sim, você tem razão — concordou.


Lola andava apressada, amparando a cabecinha do menino em seu peito.

O que havia passado em sua cabeça para falar com Natália?

Miguel a havia proibido de sequer estar no mesmo local que ela, e infelizmente Ana a havia convidado para ir à sua casa no mesmo dia em que Natália também estaria. Se fosse por ela mesmo, o mandaria para o inferno, ainda que ele acabasse com sua vida, como fez com Claus. Mas agora tinha seu filho e não deixaria que nada de mau acontecesse a ele.

Lola olhou para o lado e para o outro tendo a assustadora impressão de que estava sendo seguida.

Se ao menos no início soubesse que Miguel era esse monstro, nem mesmo teria olhado para ele.


Miguel não conseguia ocultar a expressão de satisfação e expectativa quando entrou na sala de Rodolfo Linsmeyer.

Luís abriu a porta e acenou para ele entrar, logo retirando-se e fechando a porta atrás de si. Edgar verificava papeladas na mesa de um outro canto da sala, Álvaro permanecia de pé ao lado de Edgar, a expressão mostrando nada, e Rodolfo se ajustou na cadeira ao vê-lo chegar.

— Olá, Miguel — Rodolfo o cumprimentou educadamente.

— Dr. Linsmeyer — Miguel fez um aceno cortês. — Pensei que demoraria muito para me chamar.

— Passou-se apenas uma hora desde que você começou a trabalhar. Creio que não demorou muito.

— Não, senhor — Miguel concordou. — Mas não foi bem isso que eu quis dizer.

— Sei o que você quis dizer. Mas quis resolver essa questão o mais rápido possível.

— Entendo. — Miguel assentiu.

Um sentimento negativo percorreu o corpo e a mente de Miguel, mas tratou de ignorar. Rodolfo era sério e preciso em qualquer situação, positiva ou negativa. Se preocupar com as expressões dele não iria ajudar em nada agora.

— Eu mandei meus colaboradores revisarem sua pesquisa — Rodolfo continuou. — De fato, há um ativador triplo de oosfera combinado com todos os agentes químicos naturais que você misturou, fazendo o conteúdo ser muito mais forte e eficiente que o normal. E por causa de sua pesquisa, não só a sua esposa, mas muitas outras mulheres com a mesma situação vão poder usufruir do mesmo benefício.

Miguel não pôde evitar sorrir.

Apesar de tantas coisas darem errado, esta era a prova de que tudo melhoraria dali para frente. Era difícil de acreditar, mas era verdade.

Rodolfo tirou o frasco com o componente líquido do ativador de oosfera, e mais outro documento da gaveta, e os colocou em cima da mesa. Miguel reconheceu o documento. Era a ficha hospitalar onde Natália comprovou a gravidez.

— Também entrei em contato com o hospital e eles confirmaram os exames — Rodolfo disse e olhou para o subordinado. — Eu já lhe parabenizei pela gravidez de sua esposa, agora o parabenizo pela conquista que realizou com essa pesquisa. Meus parabéns.

Miguel assentiu sorrindo. Ele mal se aguentava de alegria e satisfação. Mas mesmo tendo a atenção voltada para Rodolfo, Miguel podia sentir Álvaro o encarar.

— Eu que agradeço por ter me dado essa chance, Dr. Linsmeyer. Fico muito contente.

Linsmeyer o encarou atentamente.

— Sim, vejo. É perceptível até mesmo de longe.

Miguel sorriu. Rodolfo ajeitou-se na poltrona.

— Miguel, antes de tudo, quero lhe fazer algumas perguntas.

— Sim, senhor.

— Você sabe que um funcionário do Instituto deve ser cordial e trabalhar em equipe, não é?

Miguel fez que sim.

— Sim, senhor — disse. — Eu sei.

— Você também sabe que tudo tem que ser feito com ajuda e supervisão dos instrutores, certo?

Miguel não estava entendendo o porquê daquelas perguntas, nem mesmo aonde Rodolfo queria chegar, mas assentiu firmemente.

— Sim, senhor — Respondeu.

Rodolfo inclinou-se para frente e apoiou o queixo nas mãos cruzadas.

— Entendo. — Ele assentiu pensativo. — Também sabe que qualquer funcionário, seja junior ou superior, deve fazer tudo sob as normas do Instituto, correto?

Miguel não deixou-se afetar.

— Sei também, senhor.

Rodolfo olhou para o conteúdo e para a ficha em sua mesa, esboçou um sorriso afetado e olhou para Miguel que estava em expectativa.

— Muito bem.

Miguel sorriu aliviado. Agora era o momento de seu triunfo.

— Tire o jaleco, Miguel — Linsmeyer ordenou. — Você está demitido.

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