sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

A noiva do Drácula (nova versão) - capítulo 11



O rosto de Luana se iluminou em expectativa. Finalmente conheceria o sobrinho de Drácula e Ivan. Ela estava mais que curiosa depois da conversa deles ter sido interrompida na noite anterior.

— Ah, sim, claro. — Luana sorriu educadamente para ele, seu humor bem melhor que antes. — Irei. Qual será o dia e o horário?

— Será amanhã às oito e pouca da noite, talvez às nove.

— Amanhã às nove? — Luana repetiu surpresa.

— Eu sei que sua madrinha se preocupa com você, por causa do horário, mas quero muito que você vá. A sua presença é indispensável.

— Não, é que... — Ela pareceu hesitante.

— O que foi?

— É que meus amigos e eu marcamos de sair amanhã... — Ela deu de ombros em lamento. — Me esculpe.

Ele ofereceu-lhe um sorriso compreensivo.

— Não se desculpe, minha bela. Posso marcar para depois de amanhã.

Ela iria dizer para ele que domingo iria à praia, também com os amigos, mas deixou para lá. Afinal, o passeio na praia seria à tarde e o jantar seria à noite. Uma coisa não atrapalharia a outra.

— Tudo bem. Mas estou muito curiosa para conhecer seu sobrinho.

Não somente isso. Como eles pareciam se gostar, eram noivos e o relacionamento estava se aprofundando, seria uma ótima ideia em conhecer mais a família dele, mais sobre ele.

Drácula sorriu.

— Ah, sim. Mas, por favor, ignore o humor dele. Meu sobrinho está mais difícil de lidar do que nunca esses dias.

Um bom oponente para David, Luana pensou.

— Entendo. De qualquer modo, ainda estou curiosa para conhecê-lo.

— Às suas ordens. — Ele consultou o relógio de pulso. — Bela Lua, já vão dar dez horas da noite. A sua madrinha ficará preocupada.

Luana se surpreendeu.

Ela havia se esquecido que já era tão tarde, por conta de problemas em sua cabeça ou apenas por causa da presença dele?

Ela já estava se preparando mentalmente para levar um sermão de Leonora.

— Você... vai me levar em casa?

— Claro, se desejar. Que tipo de noivo acha que eu sou?

Luana esboçou um pequeno e tímido sorriso.

— Ainda é um pouco estranho eu estar noiva de alguém.

Eles andaram até a Lamborguine vermelha. Ele abriu a porta do carona para ela.

— Não se sinta dessa forma. É só você olhar sempre para essa aliança e lembrar que pertence a mim.

Antes de entrar, Luana parou e o fitou atentamente. Ele a fitou de volta com os intensos olhos cor de safira.

Aproveitando a deixa, Drácula tocou seus lábios nos lábios dela num gesto delicado e Luana sentiu-se à vontade para também investir. Era um beijo tão gentil e suave, mas que deixaria qualquer mulher se sentir no céu. Ele beijava tão bem... 

Luana envolveu os braços no pescoço dele e aprofundou ainda mais o beijo. Realmente, ela estava se apaixonando por Drácula. Agora, mais do que nunca, lutaria por esse novo amor. Mesmo até que isso fosse afastar David de sua vida.

Eles quebraram o beijo, e Drácula segurou a sua mão, a guiando até o assento do carona. Ele nem ao menos parecia estar ofegante como ela. Estava calmo, até demais. Vampiros deviam ser assim, ela pensou.

Ele fechou a porta e contornou o carro para abrir a porta do motorista. Entrou e sentou-se no banco, batendo a porta, e a fitou intensamente.

— Bela Lua. Quero te pedir uma coisa.

— Sim?

— Não fique com medo de mim. Eu nunca lhe faria qualquer mal.

— Não tenho medo de você.

— Não? — Ele indagou em expectativa.

— Não — ela respondeu e parecia convicta.

— Mesmo eu sendo um vampiro?

— Mesmo você sendo um vampiro. Há pessoas normais que colocam mais medo do que você, isso eu garanto — Luana respondeu automaticamente pensando em David.

— Então, você tem medo de alguém?

Ah, não. Luana desvia o olhar, pois não queria falar daquele assunto, mas depois voltou a fitá-lo com um sorriso torto.

— Não... Claro que não — mentiu.

Drácula sorriu e acariciou os cabelos ondulados dela.

— Bela Lua... você é tão maravilhosa. Diferente de todas as mulheres que já conheci.

O sentido de Luana alertou.

— Então, você conheceu outras mulheres além de mim? — Ela esboçou um sorriso cúmplice tentando escondendo o ciúme que estava começando a brotar.

— Não se preocupe, Bela Lua. Nenhuma delas foi tão especial como você.

As maçãs do rosto de Luana ficaram coradas.

"Especial". Ele a achava especial, Luana pensando sorrindo como uma boba.

— Obrigada.

— Pelo quê? — Ele perguntou ao ligar o carro.

— Por me achar especial.

Ele sorriu.

— Não precisa agradecer por isso, Bela Lua. Nunca agradeça ou peça desculpas por ser linda.

Existiria um homem — ou vampiro — mais encantador e romântico na face da Terra? Ela estava encantada com Drácula. Sim, ele a fazia se sentir completa, mais viva, mais... especial.

Luana olhou para o perfil dele enquanto o mesmo dirigia. Queixo quadrado, feições marcantes, olhos azuis bem vivos, boca um pouco carnuda, cabelos não tão curtos... Drácula era um verdadeiro deus dos vampiros. E era todinho seu.


°•♤•°


Ele a deixou na porta de casa.

— Até depois de amanhã, Bela Lua.

— Até. Mas você já vai embora? Não quer conhecer minha madrinha?

— Eu já a conheço.

— Mas, agora, como meu noivo.

Ele sorriu para ela. Aquele sorriso tão lindo quanto o de... Luana decidiu parar de pensar.

— Adoraria, minha amada. Mas sua madrinha deve estar cansada.

— Nem tanto. Ela deve estar assistindo a novela favorita neste momento.

— Não quero ser indelicado.

Luana puxou o braço dele e o conduziu até a entrada de sua casa.

— Não precisa se preocupar.

Sentada no sofá e assistindo a novela, Leonora percebeu que havia alguém à porta e virou a cabeça para ver quem era.

— Luana, é você? Chegou tarde, sabe disso. — Luana sabia que teria bronca, na presença de seu noivo ou não. — Quem está com você?

— A senhora não se lembra dele, madrinha? É o homem que a senhora viu ontem — Luana respondeu ao continuar segurando a mão do noivo.

A princípio, Leonora pareceu surpresa e não muito animada com a repentina visita, mas depois esboçou um pequeno sorriso e se levantou do sofá, andando na direção dos dois.

— Então, você que é o namorado da minha afilhada?

— Noivo, madrinha — Luana a corrigiu.

— Sim, bela dama, sou o noivo de sua afilhada. — Ele tomou a mão da mulher mais velha e plantou um beijo delicado.

Bela dama?

— Eu vim trazer a sua afilhada e ela me convidou para entrar para conhecer melhor a senhora. É mesmo um prazer — Drácula respondeu em seu modo mais cortez e formal. Ele parecia tão irreal, Luana pensou quase sorrindo. — Mas já estou indo embora, não posso ficar por muito tempo.

— Entendo. Também estou um pouco cansada e irei para a cama daqui a pouco. Foi um prazer conhecê-lo e agradeço por ter trazido a minha afilhada.

Leonora parecia quase tão formal quanto ele, mas com certo tom de frieza. Luana sabia que, pelo menos por enquanto, Drácula não seria o favorito dela.

— Em alguma parte da tarde você pode vir aqui, talvez eu até esteja bem mais apresentável.

Leonora não sabia que Drácula era um vampiro, nem saberia ainda. Como Luana poderia dizer a ela quando esse dia chegasse e se chegasse? Obviamente, Leonora não acreditaria ou até mesmo mandaria Luana terminar seu relacionamento com ele, por medo.

— Ele não pode vir na parte da tarde, dinda — Luana disse olhando um pouco nervosa para o noivo.

— Não? Por quê? — Leonora indagou desconfiada.

— Na parte da tarde eu trabalho e por isso fico muito ocupado, bela dama — Ele respondeu mostrando uma rápida linha de raciocínio. — Mas quem sabe possamos jantar uma noite dessas, em algum horário mais cedo.

— Ah, por que não? — Leonora sorriu educadamente. — Seria um prazer tê-lo conosco à mesa. Luana e eu moramos sozinhas, então seria uma ótima ideia ter a companhia de outra pessoa na casa.

— Virei, bela dama.

Dolores sorriu timidamente para ele.

Luana sentiu-se aliviada por Dolores não ter lhe dado um sermão e por ter aceitado o seu compromisso com Drácula, de certa forma se acostumando com a presença dele. Mas no fundo ela sabia que Leonora desejava outra coisa, um outro alguém.

— Bem, acho que a novela já voltou dos comerciais. Deixarei vocês um pouco a sós. Foi um prazer conhecê-lo.

— O prazer foi todo meu, bela dama.

Luana nota um último olhar de Dolores sobre ela antes da madrinha voltar para seu lugar no sofá.

— Esqueci de te oferecer um copo d'água. Você quer?

Ele sorriu agradecido e também achando graça de algo.

— Não, obrigado, Bela Lua.

Luana então se lembrou que ele não era um homem comum, um humano. Vampiros apenas bebiam sangue, certo? Talvez um pouco de café, como no dia em que se conheceram.

— Ah... sim.

Luana fechou a porta atrás de si logo que foram para fora.

Ele a olhou em expectativa já sabendo que ela queria perguntar algo.

— Você mata as pessoas para conseguir sangue?

Ele esboçou um sorriso intrigado com a pergunta repentina.

— Matar? Não, eu não mato. Bebemos sangue de animais já mortos.

Eles não eram predadores, pelo visto. Mas estaria ele se referindo a sua família ou a toda uma sociedade?

— Não foi o que eu pensei — Luana murmurou tentando assimilar as coisas.

Drácula parecia notar sua inquietação mental.

— Eu nunca cacei humanos, mas já bebi do sangue deles algumas vezes.

Luana o fitou surpresa.

— Foi há algum tempo atrás. O gosto do sangue humano é muito melhor, de longe.

— E por que pararam?

Ele sorriu outra vez, mas agora parecia estar afetado com algo. Um sorriso forçado que não chegava aos olhos.

— Talvez um dia eu te conte melhor — Ele simplesmente disse e a alcançou, puxando-a delicadamente para ele. — Tenho de ir, Bela Lua.

— Mas já? — Luana não pôde esconder seu desapontamento.

— Eu poderia passar a noite inteira com você, minha bela, mas acho que a sua madrinha não ficaria muito contente.

Luana olhou para trás, na direção da porta de entrada, e suspirou derrotada. De fato, Leonora não ficaria nem um pouco contente com a sua demora em entrar. No fundo, ela deveria dar graças por não ter tomado uma baita bronca da madrinha.

— Isso é verdade. — Ela sorriu a contragosto.

— Até, minha bela.

Drácula estendeu a mão dela até os lábios e depositou um beijo antes de partir em direção ao carro.

— Até depois de amanhã — Luana falou mais alto para que ele ouvisse.

Luana não pôde evitar, mesmo que guardasse seu coração de mais mágoas após os desastrosos relacionamentos anteriores. Ela estava se apaixonando por ele.

Ela sorriu sozinha enquanto observava a Lamborghini partir. Um pouco depois, retornou para dentro de casa.

Leonora pareceu notar sua presença, mas continuou a assistir a novela.

Luana ainda continuava a sorrir encantada.

— Dinda... Eu acho que estou apaixonada.

— Eu duvido — Dolores disse ainda sem olhar para a afilhada.

Luana atravessou o hall até a sala e sentou-se ao lado de Leonora.

— Por quê a senhora diz isso?

— Você sabe muito bem — Dolores respondeu ainda com a atenção voltada para a TV. — Noivo, Luana? Para que essa pressa?

— Não estamos com pressa — Luana disse após pensar na pergunta. — Apenas nos gostamos e aconteceu.

— Isso é ridículo.

Luana continuou a olhar para a madrinha, um tanto confusa, mas não valeria a discussão — pelo menos por ora.

Ela levantou-se do sofá, pegou a bolsa e foi para seu quarto. Luana jogou a bolsa no cabideiro, tirou os sapatos e pegou uma camisola na gaveta do guarda-roupa, dispensando-a sobre a cama.

Ainda intrigada, ela retornou à sala.

— Por quê a senhora disse aquilo, madrinha? — Luana indagou quando já estavam dando os comerciais.

— Aquilo o quê? Sobre vocês terem se conhecido e se tornarem noivos no mesmo dia? — Leonora parecia séria, desinteressada; até mesmo um pouco irritada.

— Sobre ser mentira eu estar apaixonada.

Leonora olhou para ela.

— Você já sabe, Luana. Até melhor do que eu — Leonora respondeu quase impaciente. — O rapaz é bonito, sim, muito educado e cavalheiro, até mais do que todos os rapazes com quem você se relacionou. Mas a verdade é que ele não serve para você.

— Madrinha, ele me encanta. Eu me apaixonei por ele. A senhora não sabe o que está no meu coração — Luana respondeu convicta. — Ele não é como os outros.

— Sim, ele talvez não seja, como eu mesma vi — Leonora disse. — Mas quem te garante que ele não está fingindo ser o que não é e vai brincar com os seus sentimentos como os outros fizeram?

Um lado de Luana entendia a preocupação da madrinha, mas o outro se irritou com o comportamento da mulher mais velha.

— Ou talvez a senhora só esteja sendo pessimista demais. — Luana deu um beijo seco na testa da madrinha. — Boa noite.

— Não fique com raiva de mim, Luana. Eu só quero o seu bem.

Luana suspirou cansada e a fitou. Luana conhecia muito bem Leonora e sabia que não era só o "seu bem" que ela queria.

— Tudo bem, madrinha. De qualquer forma, eu te amo.

— Também te amo. Não vai assistir a novela?

— Não, hoje não. Vou descansar.

— Nem jantar?

— Estou sem fome — Luana respondeu com o humor um pouco melhor que antes. — Até amanhã.

— Até amanhã.

Após tomar um bom banho, Luana pulou em sua cama e olhou para o teto, pensativa.

Como a sua madrinha podia ser tão pessimista? Sim, ela sabia que Leonora só se preocupava que Luana poderia ser deixada de lado novamente como fora com seus namorados anteriores, mas Drácula parecia ser diferente. Ele realmente era diferente, em tudo, para dizer a verdade. Ele não tomaria aquela atitude idiota e covarde com ela, isso Luana tinha certeza. Mas havia mais nessa história, além da falta de compreensão pelo compromisso repentino, como se ela não soubesse, Luana pensou ironicamente. Mesmo no tempo em que havia começado seus relacionamentos românticos, Leonora nunca parecia aprovar totalmente, não só por sentimento de proteção em relação a afilhada, mas também por querer que Luana estivesse com outra pessoa.

Luana exasperou irritada e virou-se de lado, apertando o travesseiro.

O que Leonora deveria entender era que Luana já era bem adulta para escolher seus próprios relacionamentos, não se submeter a algo praticamente arranjado, ainda mais com uma pessoa que havia passado de melhor amigo para um estranho completamente ameaçador. Ela podia, sim, escolher com quem ficaria apenas por ficar ou de modo indeterminado, e felizmente a vida a havia presenteado com o mais maravilhoso e diferente em todos os sentidos das palavras; com um "homem" cavalheiro e gentil que a fazia estar nas nuvens.

Luana esboçou um sorriso bobo ao lembrar dele, mesmo em meio a irritação.

Um vampiro lindo e que agora pertencia somente a ela.


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