David era um garoto peculiar. Desde pequeno, tinha dificuldades de se relacionar com quem quer que fosse, devido aos traumas que desenvolvera em um curto período da sua vida e também por se sentir sozinho. Foi criado pelos tios com a ajuda das criadas, mas não fazia tanta diferença tê-los ao seu redor; ele sentia que a sua vida era vazia. Ainda pequeno, ele experimentara o desdém e a repulsa da Elite pelo fato de ter nascido impuro, um mestiço. Sentia falta de ter um pai e uma mãe ao seu lado o amando e o protegendo, assim como via outras crianças com suas famílias. Ele ouvira uma vez Shartene e Miranda falando às escondidas que sua mãe havia sido morta pelas mão de seu pai; desde então, aos poucos foi criando mais ódio do mundo. Não havia razão para sorrir, para ter amigos, para se apegar a alguém — ainda porque ninguém iria querer essa aproximação dele, fosse humano ou vampiro. Até que em um dia que parecia comum, e que se provou ser o mais especial de sua vida, David conheceu Luana.
Desde que havia chegado no novo país, Brasil, David percebeu que a aparência da maior parte das garotas daquela região do país era um pouco diferente da aparência das garotas da Romênia. Luana parecia ser uma garota comum, assim como a maioria das garotas daquela idade ou mais velhas; bonita, mas sem qualquer atrativo especial que chamasse muita atenção. Ainda assim, havia algo nela que chamou a sua atenção no primeiro instante em que a conheceu: ela era simpática, atenciosa e não parecia ter medo ou repulsa dele, nem mesmo o encarava de modo curioso e impertinente como boa parte das pessoas fizeram assim que ele chegou naquele lugar. Ela o fez se sentir bem, à vontade, e falou de modo tão amigável que parecia que eles já haviam se conhecido há anos. Depois de crescer vendo outros rindo dele, dessa vez era diferente; ela estava sorrindo para ele. E foi ali naquele momento, naquela simples farmácia, que ele se sentiu especial. Ela havia conquistado o seu coração. David já não conseguia mais pensar em raiva, dor ou mágoa —apenas em Luana.
David também era um pouco mais contido em relação a suas emoções e sentimentos nessa época, não tinha seus mais recentes problemas e mudanças para se preocupar. Por causa dela, ele estava começando a esquecer as coisas ruins pelas quais havia passado, ela era o seu refúgio, mesmo que ela sempre o tratasse como nada mais do que um bom amigo. Contudo, como Luana estava ficando mais velha e se descobrindo mais aos poucos, ela foi mais uma, dentre tantos jovens com idade parecida, a começar um relacionamento, para o profundo desgosto de David. E então Luana arranjou seu primeiro namorado: um babaca qualquer que achava que poderia atrair a atenção de todas as garotas do mundo com seu corpo atlético e seu cabelo tingido de loiro platinado. Mas, afinal, o que ela vira naquele imbecil? Só tinha um jeito de descobrir.
Num certo dia, depois de terminar o horário das aulas da tarde, David seguiu o idiota completo e observou na encolha ele levar mais uma vez Luana na porta de casa. Ele teve de segurar suas emoções e impulsos para não quebrar a cara daquele imbecil quando o vira beijando Luana. David esperou pacientemente pelo momento em que o maldito estivesse sozinho, e então o encurralou num beco escuro.
— Quem é você? — o garoto perguntou. O arrogante que se achava o máximo agora estava tremendo de medo ao ver a figura escura andando a passos lentos em sua direção.
Medroso de merda.
— É você o namorado de Luana? — David perguntou mesmo sabendo a resposta, mas não deveria revelar a sua identidade agora. Se aquele idiota completo descobrisse quem ele era e contasse o que estava acontecendo naquele momento, David teria problemas. E certamente Luana ficaria contra ele, embora o relacionamento deles não estivesse tão bom quanto antes.
— Sim, sou eu — o garoto respondeu e engoliu em seco, os olhos completamente arregalados.
— Não é mais. — David contraiu a mandíbula, chegando bem perto do garoto. — A partir de hoje, você não é mais.
— O quê?
— É isso mesmo o que você ouviu. — David encarou o garoto com uma mistura de frieza e fúria. — Quero que você termine com ela — e hoje mesmo. E se por acaso eu souber que você chegou um centímetro sequer perto dela — David chegou lentamente mais perto, encurralando o garoto contra o muro alto do beco sem saída. —, você é um homem morto. Entendeu? — David rosnou.
O garoto tentou enxergar nitidamente aquela pessoa que mais parecia uma sombra contra a luz da rua principal, mas não conseguiu. Saber quem ele era ou não, não faria muita diferença. Tudo o que conseguiu fazer foi assentir.
— Sim, eu entendi — o garoto gaguejou tentando ser o mais convicto possível. — Pode deixar.
A cara de medo dele prestes a chorar e borrar as calças era impagável.
David não queria magoar Luana, não mesmo. Mas ela era dele e de mais ninguém.
Entretanto, nem mesmo havia se passado uma semana para que Luana arranjasse outro idiota.
David colocou um por um para correr, assim como fizera com o primeiro, alguns mais inteligentes para obedecê-lo e outros nem tanto. Três idiotas que não mereciam o amor dela, exceto um que realmente parecia ter se apaixonado e David não o culpava por isso, ele entendia muito bem o porquê desse encanto por Luana. Mas, afinal, por quê ela não o notava? Por que Luana sempre procurava por outros caras ao seu redor quando ele estava lá o tempo todo? Ele não conseguia transparecer seus sentimentos de modo correto ou ela é quem fingia não perceber? A cada momento em que passavam juntos, David se contorcia de vontade de beijá-la, agarrá-la num canto e confessar o quanto a amava, mas a verdade é que ele tinha medo de que nunca mais fossem amigos. E David não queria perdê-la, de modo algum! Só de pensar na possibilidade, todo o seu corpo paralisava.
Conseguira espantar todos os namorados dela e ainda era seu melhor amigo, mas o tempo passou e as coisas começaram a mudar. Mas, o que mais mudara, quando chegou aos vinte e um anos, foram seus sentidos; já não conseguia mais se sentir tão humano quanto antes. Aos poucos, a sua força, audição e olfato estavam muito melhores do que antes, mas também trouxe muitos outros problemas junto, o que passou a afetar ainda o seu humor. Era irônico o destino "presenteá-lo" com os mesmos sentidos de um vampiro, quando jamais seria um — pelo menos, não um completo.
David era uma aberração; não um humano completo, não um vampiro completo, e ele sentia raiva daquilo tudo. Em seus anos de amizade com Luana, suas emoções negativas puderam ser tranquilizadas por estar perto dela, por todo o carinho que ela lhe dava. Contudo, quando menos pôde esperar, sentiu toda aquela raiva e mágoa de antes voltar à tona. Ele ainda amava Luana, com todo o seu ser, o que piorava ainda mais as coisas. Mais ainda agora, que ela estava com outro imbecil, mas não um imbecil qualquer como os outros, pois esse atual havia pulado a parte do namoro para pedi-la em casamento, e ela havia aceitado! David estava fervendo de ódio e frustração, tanto que não soube amenizar sua força ao bater naquela mesa de madeira. A mesa teria conserto, mas seu coração, não.
David praticamente voou em alta velocidade em seu carro rumo ao esconderijo que chamavam de casa.
Ele estacionou o carro sem muita paciência no jardim e saiu, visualizando a entrada. Sua casa... Desde que chegaram ao Brasil, ele foi criado ali, mas nunca vira aquele lugar ou os outros que tiveram na Romênia como sendo seu lar. Ele inha sido cuidado pelos tios com a ajuda das criadas, mas sem ter ou receber qualquer sentimento de afeto, o que talvez poderia ter sido diferente se seu pai e sua mãe estivessem vivos. E agora todas as suas frustrações emocionais se voltavam para Luana. Ele queria que ela o amasse, que sorrisse para ele como antes, que ficasse protegida em seus braços, mesmo que agora as coisas estivessem diferentes. Desde que mudara seus sentidos há um ano atrás, ela também mudara. Ela já não era a mesma Luana que antes sorria para ele e com ele. Era uma Luana temerosa e apreensiva que só sabia evitá-lo. Por que ela mudara? Por que tudo tinha que mudar? Por que a sua vida tinha que ser essa merda?
David respirou fundo e bateu a porta do carro. Ele tinha de se acalmar um pouco mais. Ter seus tios se metendo novamente em seus assuntos particulares não era uma boa ideia. Ainda mais com o crescente mau humor que vinha tendo recentemente.
Ele abriu uma das portas duplas de madeira e Shartene e Miranda o saudaram do modo alegre típico delas.
— Lord David — As duas criadas o cumprimentaram em uníssono quando o viram adentrar o hall que antecedida a sala de estar. Só mesmo elas para lhe tratar com tanto respeito.
David conseguiu esboçar um pequeno sorriso em resposta apesar de estar com o coração doendo.
— Meninas. — David olhou em volta da sala e notou que não havia ninguém, exceto as duas paradas e em pé no mesmo canto. — Onde estão meus tios?
— Lord Alan acaba de retornar e está na sala de jantar com Lord Ivan — Shartene respondeu.
— Alan retornou de onde? — David perguntou um pouco interessado.
— Não sabemos, milorde — Miranda respondeu. — Eles pediram para o senhor falar com eles quando chegasse do trabalho.
David não queria falar com ninguém agora, mas decidiu obedecer a contragosto. Ele suspirou profundamente e assentiu passando pelas duas em direção a sala de jantar. Alan e Ivan estavam postos à mesa, comendo algo que parecia ser carne crua de algum animal.
David fez uma careta de nojo ao ver a cena, não por falta de costume em ver algo parecido, mas por saber que possivelmente ele também seria o próximo a se alimentar daquilo.
Ivan o avistou primeiro.
— Oh, David. Chegou agora?
— Sim — David respondeu sem muito ânimo. — Vocês queriam falar comigo?
Alan também olhou para o sobrinho encostado no arco de entrada.
— Só queríamos te ver antes de você se trancar no quarto novamente — Alan disse. — Aliás, onde você estava? Não era para você ter voltado mais cedo do trabalho?
David bufou irritado. Não era como se eles formassem uma família comum e seus tios estivessem preocupados com o seu bem estar. Eles queriam controlá-lo.
— Para quê você quer saber? — David rebateu irritado, mas não como estava antes.
— David. Isso é maneira de falar com seu tio Alan? — Ivan o repreendeu.
— Não sou mais um garotinho — David respondeu simplesmente.
E ainda que ele fosse, não era como se Ivan e Alan fossem os melhores exemplos de tios.
— Sabemos disso, David — Alan disse. — Mas você é nosso sobrinho. Nos preocupamos com você.
David sentiu vontade de vomitar, não apenas por ver aquela coisa crua e coberta de sangue logo à frente, mas pela cena patética de preocupação de seus tios. Seria melhor ir direto para o seu quarto do que aguentar todo aquele cinismo.
— E então, como foi seu dia? — Ivan perguntou antes de David sair.
David revirou os olhos e respirou fundo tentando manter seu auto-controle. O teatrinho de bons tios e família preocupada continuaria.
Ele voltou a olhar para os dois que agora mal tocavam naquela porcaria que chamavam de alimento.
— Respondendo à pergunta anterior do Alan, eu acabei de voltar do trabalho. Vocês já deviam saber disso. E respondendo à sua pergunta, Ivan, meu dia foi uma merda. — David os encarou com seu mau humor crescendo. — Perguntas respondidas?
Alan o fitou com certa curiosidade.
— Quer nos contar como foi?
— Contar o que? — David perguntou com o cenho franzido sem saber a que ele se referia.
— Você voltou um pouco mais tarde do que o costume e parece um pouco mais irritado do que o normal — Alan respondeu analisando o sobrinho, um pequeno vestígio de sorriso no canto dos lábios.
Na mosca. De fato, não era muito fácil esconder certas coisas de vampiros.
David esboçou um sorriso irônico.
— Você acha mesmo que eu vou contar?
— Por favor, David — Ivan tentou convencê-lo. — Confie mais em nós. Somos uma família, não somos?
Família?, David se perguntou ao encará-los em silêncio.
De fato, Ivan e Alan eram os seus únicos parentes, o mesmo sangue que corria pelas veias deles também corria pelas suas, embora de modo diferente. Contudo, eles não eram o que David passou a ver e imaginar o que seria uma família, não uma de verdade.
De todo modo, David não queria e não se sentia à vontade para colocar para fora todos os seus sentimentos e emoções. Talvez as suas mudanças, sim, pois eles eram vampiros e poderiam ajudá-lo nessa etapa difícil, mas não os seus problemas. Já era um homem e sabia tomar conta de si mesmo, não era mais o menino negligenciado de outrora.
Mas para não fazer desfeita — e para não dar maior motivo para que eles lhe enchessem o saco –, contaria apenas o necessário.
David exasperou um pouco irritado e se contorceu no arco, os braços cruzados.
— Fiz merda.
— Fez o quê? — Ivan o encarou, confuso.
— Ivan, esse é o linguajar que os jovens e as pessoas deste país usam. Ele quer dizer que fez algo ruim — Alan esclareceu sorrindo para o irmão mais velho e tornou a atenção a David. — E por que você diz isso?
David se contorceu mais uma vez, um pouco incomodado.
— Eu quebrei a mesa do trabalho — respondeu.
Ivan e Alan o fitaram com suas expressões impassíveis.
— E como você quebrou? — Ivan perguntou.
— Eu fiquei com raiva no momento e soquei ela — David disse um pouco constrangido. Ele não queria falar sobre os problemas de sua vida, mas talvez Ivan e Alan pudessem ajudá-lo com seus problemas de mudança.
— E por que você ficou com raiva? — Ivan perguntou embora soubesse que o David atual ficava com raiva quase o tempo todo.
— O motivo se trata da minha vida particular e eu não vou contar a vocês — David respondeu prontamente, mudando sua postura e tom de voz. — De todo modo, o pessoal do trabalho viu o que aconteceu e passaram a me olhar de modo estranho — mais até do que antes, David pensou.
Alan e Ivan se entreolharam por um curto tempo como se desconfiassem de algo e tornaram a fitar o sobrinho. Os semblantes deles pareciam mais sérios e agora preocupados de verdade, David notou.
— Independentemente de qual tenha sido o motivo para você ter se irritado, parece que os teus sentidos estão começando a ficar mais acentuados, David — Ivan disse de modo paciente. — É natural que as pessoas comuns estranhem essa situação.
— Ivan tem razão — Alan concordou. — Aconteceu algo parecido antes na frente dos humanos?
David fez que não.
— Essa foi a primeira vez — respondeu.
— Melhor. Embora isso ainda seja só o começo — Alan falou de modo misterioso e mais uma vez fitou o irmão com evidente preocupação.
David não se sentiu nem um pouco bem com aquele silêncio e decidiu sair.
— Bem, vou subir ao meu quarto. Já os cumprimentei e contei o que vocês pediram. Espero que estejam satisfeitos.
Ao adentrar a sala de estar, David notou que Shartene e Miranda estavam sentadas em um dos sofás, brincando com o que parecia ser um jogo de tabuleiro.
Ele gostava delas. Eram as únicas que davam alegria àquela casa. A qualquer lugar que eles já tivessem morado.
As duas criadas notaram sua presença e prontamente ficaram de pé.
— Milorde! — Miranda ficou surpresa ao vê-lo parado logo à frente. — O senhor deseja algo mais?
David assentiu.
— Sim. Quero que vocês comprem um hambúrguer bem caprichado e levem ao meu quarto. — David abriu o bolso da mochila e estendeu um pequeno bolo de notas para as duas. — Depois de ter visto aquela porcaria, eu poderia perder o apetite, mas estou com muita fome.
Shartene o fitou.
— Ainda... se sente humano, milorde?
— O bastante para não beber sangue? Sim — David respondeu.
David olhou para as vestes das duas criadas. Praticamente tudo se renovava, menos o guarda-roupa das duas que ainda pareciam manter certa fidelidade ao modo de se vestir de sua época passada. Elas certamente chamariam atenção das pessoas.
— Peçam pelo telefone e eles trarão aqui — David indicou o aparelho acima da mesa pequena ao lado de um dos sofás. — O número do estabelecimento está na lista telefônica ao lado.
— Ouí, milorde.
David fechou a mochila e subiu as escadas rumo ao seu quarto.
Chegando lá, ele apoiou a mochila em cima do criado-mudo e se jogou na cama.
Até quando sua vida seria resumida apenas à aquilo? Ele queria mais, queria poder fazer mais coisas.
O ângulo de sua cabeça virou a esquerda e ele fitou o retrato de Luana. Ela estava tão linda naquele dia em que ele tirou uma foto dela para registrar o momento: ela estava totalmente distraída, se divertindo com seus amigos.
Por que ela não podia mais ser como antes? Por que tudo tinha que se complicar? A verdade é que nada voltaria a ser como antes. Nem ele mesmo.
Não demorou muito até que Shartene e Miranda bateram à porta de seu quarto segurando uma embalagem que parecia ser a encomenda que ele pediu. Não somente as criadas deveriam bater a porta, como também seus tios; ninguém tinha a autorização de entrar em seu quarto, especialmente por causa do retrato de Luana que ficava atrás da porta, um pouco mais afastado. David disse para elas ficarem com o troco da compra, embora nenhum dos três tivesse ideia do que elas fariam com o dinheiro. Elas se retiraram e David tornou a fechar a porta para ficar na privacidade do seu quarto e devorar o alimento que parecia estar muito bom.
Para saciar a enorme fome que sentia, David mordeu com vontade um grande pedaço do hamburguer. Essa era a parte boa de ser meio-humano.
Mas algo estava diferente, David pensou em imediato e fez careta de nojo e estranheza. Havia algo de errado com o hamburguer, mesmo que ele já tivesse comprado diversas vezes. Estava com um gosto estranho, nojento até, nada parecido com o que ele havia experimentado antes. David abocanhou mais um pedaço para ter certeza se era ou não algum engano, mas percebeu que não era uma peça pregada por sua cabeça ou um amargor no paladar; aquilo realmente estava intragável. A maldita mudança, ele pensou frustrado.
Ele jogou a metade do que restou do alimento dentro da pequena cesta de lixo ao pé da cama. Ele havia gastado seu dinheiro à toa e nem mesmo havia se saciado — pelo menos, não de comida. Mas ao olhar mais uma vez para o retrato com o lindo rosto de Luana, ele teve uma ideia melhor.
Como David não havia se saciado de comida, ele faria algo melhor que seria apreciar mais uma vez o semblante encantador da jovem mulher que sorria para ele enquanto se imaginaria fazendo tantas e tantas coisas com ela. Era somente nela em quem ele pensava e desejava até ficar louco. E era hora de enlouquecer... por Luana.
David se despiu completamente sem ousar tirar os olhos do retrato e sentou-se na cama com as pernas ligeiramente afastadas, segurando de modo firme, mas suave, o membro rígido. Assim como nos outros dias, desde que ele registrou aquele lindo sorriso e mandou fazer um enorme quadro para colocar em sua parede, ele fazia e sempre faria o mesmo ritual antes de descansar. Ele até mesmo poderia ficar sem dormir e fazer aquilo a noite toda, se saciando somente em olhar para ela.
Isso...
Amanhã. Amanhã eles se encontrariam na discoteca. Ele a colocaria novamente contra a parede e a faria suspirar de tesão. Mostraria a ela que era a ele a quem ela pertencia, e não a um filho da puta de merda. Não demoraria muito até David caçar esse cara, assim como fizera com os namorados anteriores. Provavelmente o mataria. E Luana nunca mais iria querer outro homem a não ser ele.
David sorriu para o retrato, mordendo o lábio, ainda acariciando e movendo num lento sobe e desce a parte mais rígida de seu corpo.
— Você é minha, Luana... entenda isso, meu amor. — Ele pendeu a cabeça para trás, em êxtase. — Merda!
David começou a acelerar os movimentos, a boca aberta num “ah”, sentindo que estava prestes a explodir. Aquilo tudo era tão selvagem, e ele adorava. E mal podia esperar o dia em que pararia de fazer aquilo sozinho para enfim se perder completamente nela.
— Merda, Luana — David mais uma vez engasgou rouco com o tesão que estava sentindo e se esforçou para abrir os olhos pata continuar olhando para o lindo sorriso. — Você vê? — Ele acelerou mais os movimentos. — Vê o que estou fazendo por sua causa?
David mordeu o lábio lutando ao máximo para manter os olhos abertos, mas estava sendo em vão. Ele já não aguentava mais, tinha que deixar se levar ou estaria mais perdido do que já estava.
Ele tornou a abrir os olhos, fitando de modo turvo e parcial o retrato à sua frente.
— Eu te amo, meu amor... — ele sussurrou mal conseguindo se expressar corretamente, não como queria. — Eu te amo...
David gemeu e urrou de modo desvairado e ensandecido deixando finalmente se levar, transparecendo para a sua alma e tudo mais o quanto a amava. Logo após caiu na cama e apagou de vez.
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