sábado, 18 de março de 2023

A noiva do Drácula (nova versão) - capítulo 14



Os olhos de David lentamente se abriram. A sua cabeça estava latejando.


Ele se sentou na cama, colocando a mão na têmpora.

Depois da noite anterior, tudo parecia rodar. Mas era sempre assim que ele se sentia depois de satisfazer suas maiores vontades em relação a Luana.

Ele sorriu. Sempre que praticava os mesmos atos em frente ao quadro à sua frente, ele parecia se sentir ainda mais íntimo dela. Na noite anterior, sonhou que ela usava uma camisola branca que mal cobria sua nudez por baixo, ele a derrubou na cama, em seguida fez amor com ela.

David inspirou entre os dentes em evidente excitação pelo pensamento e fitou a sua parte íntima. Já estava incrivelmente “acordado”, por assim dizer, e pulsava cada vez mais forte.

Tamanha era a vontade de possuí-la e ouvi-la gemer e gritar no seu ouvido. Ele queria aquela mulher com todas as suas forças, com toda a sua consciência, com toda a sua alma.

David fez um pouco de esforço para se levantar da cama; se sentia terrivelmente cansado.

Que horas deviam ser?

David deu uma rápida olhada no relógio acima da mesa de cabeceira: sete e meia da noite.

— Mas que merda é essa? — David falou incrédulo e assustado, pulando da cama e pegando a calça do chão, vestindo-a. — Shartene. Miranda!

David pôs qualquer camisa que encontrou e desceu as escadas correndo, percebendo que seus tios se encontravam na sala de estar, sendo servidos pelas criadas.

— Só o meu relógio está errado ou, de fato, são sete e meia da noite?

— Oh, boa noite, David — Alan o cumprimentou. — Dessa vez você dormiu muito bem. Sete e trinta e um, para ser exato — disse ao verificar o horário pelo relógio na parede.

— O que aconteceu? Por que vocês não me acordaram? — David perguntou para quem quer que fosse, mas a sua atenção se voltou para Shartene e Miranda em evidente irritação.

As duas criadas pareceram se encolher diante do olhar aborrecido de David.

— Você não trabalha aos sábados e parecia estar muito cansado. Então pedimos para que Shartene e Miranda não o incomodassem — Ivan disse ao sobrinho.

David mais uma vez pôs a mão sobre a têmpora, sentindo mais uma pontada na cabeça. Então era por isso que se sentia tão cansado e sonolento.

— Algo te incomoda? — Ivan indagou e sua sobrancelha se levantou numa ligeira desconfiança.

David expirou um pouco o ar e se recompôs o máximo que pôde.

— Eu não sei por que dormi por tanto tempo. Se hoje fosse algum dia útil, eu levaria alguma advertência e a falta seria descontada em meu salário — David disse.

— Então você deu sorte por ser um final de semana - Alan disse e apontou para o sofá. — Sente-se um pouco. O seu corpo está cambaleante.

— Não posso. — David passou a mão pelo cabelo desordenado. — Tenho um compromisso hoje.

— E para onde você vai? — Ivan não demorou a perguntar.

David encarou o tio mais velho. Ivan era o mais intrometido deles com seu ar de superioridade e um jeito que tentava imitar um lado mais paternal.

— Foi uma pergunta genuína, não estou tentando me intrometer em sua vida ou estipular um horário para que você retorne para casa — Ivan disse em sua própria defesa, tentando soar o mais convincente possível.

— Meus colegas do trabalho marcaram de sair hoje à noite. — David inspirou profundamente antes de descer mais alguns degraus. — E eu prometi que iria.

Não, ele não havia prometido. Mas iria por querer distrair um pouco a sua mente e, principalmente, porque sabia que Luana também iria. Certamente qualquer mulher preferiria estar com o cara com quem era comprometida, mas naquela noite não seria o caso de Luana. Ela não deixaria de se divertir com os amigos depois de tanto tempo. E ele não perderia essa chance.

— Nos perdoe, milorde — Shartene e Miranda disseram num breve gesto de reverência quando David passou por elas.

David esboçou um sorriso genuíno ao notar que elas tinham um olhar de arrependimento.

— Não precisam se preocupar — ele disse sincero ao acariciar as mechas frisadas das criadas.

— Você não irá descansar? — Ivan indagou. — Parece cansado.

— Eu não deveria estar cansado, já que descansei por tanto tempo. Mas eu não deveria estar assim, não cheguei tão tarde ontem... — David parou de falar ao notar que houve uma troca cúmplice e desconfiada de olhares entre seus tios e as criadas. — O que foi?

Alan se deixou encostar mais no sofá, um sorriso se formando nos lábios.

— Me parece que algo está mudando.

— E o que seria? — David perguntou com certa cautela, já temendo a resposta.

— Eu acho que você já percebeu — Alan respondeu pacientemente, embora seus olhos tentassem ocultar uma certa preocupação por trás.

David olhou em silêncio para os dois tios. Shartene e Miranda já não se encontravam mais na sala, possivelmente Ivan as tivesse despachado.

— Não.. — David começou a falar, mas se calou.

O que ele diria - que era impossível, que as coisas estavam correndo rápido demais? Era óbvio que a esperada mudança não era impossível, ele era um mestiço. Sua carga horária mudaria, tudo mudaria. Tudo...

Ivan fitou o sobrinho que agora estava calado, olhando para o vazio enquanto ainda segurava o corrimão da escada.

— Se for o que todos nós estamos pensando, sugiro que você tente se acostumar — O mais velho disse. — E tente manter a calma.

David fitou Ivan por um breve instante.

Se acalmar... Sim, ele tentaria. Se desesperar com as mudanças de nada adiantaria, só pioraria as coisas. Ivan e Alan contaram-lhe algumas vezes, quando ele era mais novo, as possíveis mudanças que ocorreriam mais para frente, e que a partir dos vinte e um anos de idade os seus sentidos se intensificariam; David já estava com vinte e dois anos.

— Sim — David disse pensativo e fez um pequeno esforço para voltar a si. — Vou me arrumar.

— Talvez você poderia deixar esse passeio entre amigos para outro momento, não acha? — Alan indagou observando o sobrinho subir os dois primeiros degraus.

David fitou o tio mais novo.

Eles estavam receosos, era quase palpável, mesmo que eles mesmos o aconselhassem a não surtar de vez. Tinham medo do monstro que David possivelmente pudesse se tornar. Entretanto, David não se importava com os receios de seus tios, ainda mais quando poderia resolver de vez a sua situação com Luana enquanto o noivo de merda dela estaria longe pensando que ela estaria somente entre amigos.

David quase sorriu com o pensamento, mas olhou na direção de seu tio.

— Vou ficar bem, Alan — disse simplesmente e subiu sem olhar para trás.

David fechou a porta do quarto atrás de si e se sentou na beirada da cama, tentando decidir o que faria a seguir e tentando processar o que havia acabado de ouvir. Pegou o celular acima da cabeceira de cama e verificou mais uma mensagem de Fred, perguntando se ele estava bem e se realmente iria com eles.

David respondeu a mensagem:

* Estou bem, Fred. Sim, vou com vocês. Só vou demorar um pouco. *

Alguns segundos depois, veio a resposta de Fred.

* Não precisa se apressar. Do jeito que as garotas são, ainda vamos sair bem tarde. Estamos na casa da Nina. *

* Tudo bem. Até mais * — David respondeu e saiu da caixa e mensagens.

Que bela idéia entrar na casa de uma mulher que parecia estar afim dele, David pensou ironicamente antes de colocar o celular de volta no lugar.

Ele olhou para o retrato sorridente de Luana. Se ela soubesse o que estava acontecendo com ele... Talvez ela nem mesmo olhasse mais na sua cara e fugisse de vez, principalmente depois de saber que ele era uma aberração.

David esboçou um sorriso triste com o pensamento incômodo. Não importava o quão longe Luana pudesse estar, ele sempre a alcançaria.

Deixando os pensamentos de lado ele se apressou em se arrumar.

Decidiu por uma camisa alinhada de manga curta, calça jeans, tênis e uma jaqueta para complementar, pois o tempo parecia ter esfriado um pouco. O lugar seria informal, então escolheria um look com o estilo parecido. Deixou as roupas em cima da cama e entrou no chuveiro.

Enquanto a água caía sobre ele, sua mente vagou em Luana mais uma vez. Ele não conseguia parar de pensar nela desde a primeira vez em que a conheceu.

Talvez essa noite poderia ser diferente para os dois devido ao ambiente bem mais informal regado a dança, bebidas e muita curtição. Desse jeito, ela poderia até se abrir mais - quem sabe, ele até descobriria o porquê dela estar tão distante. E saberia também o nome desse cara com quem ela havia se compromissado. Tinha que saber. Não demoraria muito até estrangular, ou até matar, o infeliz que havia roubado-lhe o amor de sua vida. Mas, com Luana, tudo tinha que ser perfeito; tinha que reconquistá-la aos poucos ou poderia assustá-la ainda mais.

David saiu do banho e parou em frente ao retrato da deusa que sorria para ele.

Ele terminou de se secar e pegou sua primeira peça. Queria se vestir em frente ao retrato de Luana. Queria ver o rosto sorridente dela enquanto colocava uma roupa de cada vez. Seria interessante observá-la enquanto estivesse, mais uma vez, completamente nu e colocando lentamente peça por peça. Não era ela de verdade ali e deveria ser rápido para encontrar os outros, mas David não se importou nem um pouco. Seu objetivo não era somente se masturbar ou se vestir para uma imagem numa moldura, apenas imaginar que em breve faria tudo aquilo com ela, sendo completamente sua.

David terminou de se arrumar e olhou para o reflexo do jovem homem no espelho. Ele parecia muito bem, pelo menos exteriormente. Hoje ele tentaria esquecer das coisas que o preocupava, de seus problemas e ansiedades, como o fato de estar se transformando aos poucos num protótipo do que seria um vampiro. Apenas curtiria a noite ao lado de sua amada.

David finalizou com alguns espirros de perfume e fechou a porta do quarto, certificando-se de que não estava nada fora de lugar.

— É hoje — ele prometeu a si mesmo.

David desceu a escada e notou que seus tios ainda estavam sentados nos mesmos lugares, conversando. E pelo que ele percebeu, eles conversavam em sua língua natal; a mesma que David havia se esquecido há um bom tempo.

Por que quase tudo lhe lembrava aquele lugar?

— Ora — Ivan quase assobiou em apreciação, avaliando o sobrinho. — Está muito bonito, David.

David sorriu com sarcasmo.

— Não para seus parâmetros — respondeu provocando o tio.

— Não há o que comparar, meu sobrinho. Temos modos diferentes de nos vestirmos, além disso, para ir onde você vai, está ótimo — Alan provocou de volta.

Pela primeira vez, em meio a tanta coisa ruim e estranha acontecendo, David sorriu de verdade, mesmo contra a sua vontade.

Era estranho, e também algo novo, ter essa aproximação com seus dois tios, mesmo que fosse por meio de poucas palavras e provocações. E, por trás da pose de homem de poucas palavras, ele parecia gostar daquilo.

— O traje é adequado — disse David ajeitando a lapela da jaqueta. — Vou para uma boate.

Ivan sorriu para ele.

— Que bom que você está fazendo amigos, David. É bom ver você mais descontraído.

David assentiu em silêncio.

Na verdade, eles não eram seus amigos - conhecidos próximos, sim, mas amigos, não. Não que ele não tivesse algum apreço por Fred, Jéssica e Nina — eles eram boas pessoas —, mas a única pessoa por quem David tinha uma real proximidade era Luana. Bem, isso era no passado, quando ela não tentava fugir dele, ele pensou quase contrariado.

— Algo me diz que esse passeio não seria apenas com amigos — Alan o provocou quase sorrindo.

David o encarou firmemente.

— O que quer dizer com isso?

— Nada, só estou pressupondo — Alan se defendeu de modo bem tranquilo. — Há uma garota, certo?

David sustentou o olhar provocativo e indagador de Alan.

— Mais ou menos — Não haveria por que ele mentir. — Ela não é mais uma "garota", tem a mesma idade que eu. Além do mais, não tenho por que falar disso com vocês.

— Acalme-se, David — Alan continuou ignorando o recente mau humor do sobrinho. — Só perguntei por curiosidade, nada mais.

Não era apenas o olhar irritado de David que Alan tentou ignorar ao tomar mais um gole do café. Ivan também o fitou de modo interrogativo.

— Domingo à noite teremos uma visita — Ivan comentou após um breve silêncio.

David mais uma vez fitou o tio mais novo antes de se voltar para Ivan.

— Deixe-me adivinhar: a noiva de Alan.

— Sim, ela jantará aqui conosco — Ivan respondeu. — Esperamos que você esteja presente.

— "Jantar" conosco? — David indagou enfatizando a palavra.

Aquilo não faria sentido. Eles não eram humanos para ter um jantar como "pessoas normais". Certamente, essa mulher sairia correndo com medo deles.

— Nós iremos disfarçar na presença dela por ser humana; já fizemos isso antes — Ivan respondeu. — E você, já sentiu alguma diferença no paladar?

David pensou um pouco antes de responder. Pensar que seus sentidos estavam mudando ainda o incomodava.

— Sim — ele respondeu. — Não ao ponto de me alimentar do mesmo que vocês, mas sim.

Se o paladar de David realmente tivesse mudado para algo equivalente às vontades dos vampiros, ele não conseguiria disfarçar como seus tios.

E por que ele estava pensando em forças as aparências para uma estranha? Por incrível que parecesse, Alan havia se envolvido com uma mulher humana, mas aquilo não era da sua conta. O mais provável de acontecer seria ele sair para outro lugar ou se trancar no quarto até aquela palhaçada acabar. Mas não diria nada, obviamente. A hora estava passando e não queria mais ser importunado pelos seus tios antes de sair.

A sua atenção se fixou em Alan.

— Você realmente parece estar envolvido por essa mulher, hein?

Alan esboçou um sorriso misterioso.

— Digamos que estamos muito bem. Ela está louca por mim. — Alan disse um tanto convencido.

David mexeu a cabeça em descrença.

Quem diria que um de seus tios, que tanto temiam a Elite, fosse se envolver com uma humana — assim como o seu pai havia feito antes, foi o que Ivan contou-lhe uma vez.

— Que bom para você, Alan — David disse e consultou o relógio de pulso. — Bem, tenho que ir. Não esperem por mim.

— Bom divertimento — Ivan disse quando David saía pelas portas duplas de entrada do espaçoso hall.

Sua atenção se voltou para o irmão que tomava mais um gole do café.

Profitând de faptul că David nu mai este aici, îmi spui ce intenționezi să faci? (Aproveitando que David não está mais aqui, você me contará o que pretende?)

Alan sorriu irônico. Era óbvio que Ivan havia percebido e não deixaria passar tão fácil.


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